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TENSÃO

Grupo de indígenas da tribo Kaingang ocupa prédio do governo federal em Canoas

Brigada Militar (BM) apenas monitora a situação na área na manhã desta terça-feira (6)

Publicado em: 06/05/2025 às 12h:41
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Um grupo de indígenas da tribo Kaingang ocupou, nesta terça-feira (6), um prédio abandonado do governo federal, localizado na Avenida Santos Ferreira, no bairro Estância Velha, em Canoas.

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Brigada Militar (BM) permanece em frente ao prédio, agora ocupado, do Governo Federal, nesta terça-feira (6)



Brigada Militar (BM) permanece em frente ao prédio, agora ocupado, do Governo Federal, nesta terça-feira (6)

Foto: PAULO PIRES/GES

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Os indígenas estavam na área desde o último sábado (3), quando houve uma tentativa de ocupação que acabou sendo impedida pela Brigada Militar (BM). Agora, os 40 integrantes alcançaram o objetivo.

À reportagem, o líder Kaingang Dorvalino Refej Cardoso explicou que o Brasil tem uma longa dívida com a população indígena no País. Para o povo, não há “invasão”, mas “retomada.”

Grupo de indígenas da tribo Kaingang ocupa prédio do governo federal em Canoas
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“Ninguém invadiu nada”, afirma. “O espaço antes pertencia aos Tupis, que durante muitos anos habitaram Canoas”, afirmou. “Nosso grupo participa de uma retomada de uma área que pertence ao Governo Federal.”

Comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM), o tenente-coronel Clóvis Ivan Alves esteve no local, na manhã desta terça-feira, para avaliar a situação. Não houve, no entanto, contato entre os PMs e os indígenas.

“Sabemos, por enquanto, que eles entraram e permanecem lá dentro, sem querer comunicação, por enquanto”, resumiu. “A situação é delicada.”

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Histórico

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Canoas possui uma população estimada em 300 indígenas, sem um histórico de ocupações até agora, conforme levantamento da reportagem.

A reportagem tentou contato com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que esteve em Canoas no último sábado e está ciente da situação. Não houve, no entanto, retorno do órgão até o fechamento desta matéria.

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Prédio antigo

Quem passa pela área, quase em frente ao número 3.000 da Avenida Santos Ferreira, pode observar a fumaça subindo no céu vinda de dentro do terreno, além da movimentação de indígenas circulando pela área.

O prédio ocupado está desativado há quase 25 anos. Segundo moradores da área, serviu de base para uma unidade do Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) e, depois disso, para um posto de saúde.

Para o líder Kaingang, a área hoje serve somente para o acúmulo de mato e lixo, de modo que pode servir para habitação a uma pequena parcela do povo que vive sem uma área em Canoas.

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“Eu não entendo por que Canoas não tem uma área destinada à população indígena?”, argumenta. “Escolhemos esta área porque há 24 anos não existe uma atividade. Os Tupis viviam aqui e achamos justiça que nós agora possamos viver [nela].”

Entenda o caso

Na noite do último sábado (3), um grupo formado por 40 indígenas da tribo Kaingang entrou em um terreno na Avenida Santos Ferreira, no bairro Estância Velha, com o objetivo de ocupá-lo.

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A Brigada Militar (BM) foi acionada por moradores da área e impediu que o prédio fosse tomado. Não houve conflito e os indígenas acabaram acatando a ordem da BM para deixar o espaço.

“Não houve a necessidade de conflito e ninguém desacatou a autoridade policial”, confirmou o tenente-coronel Clóvis Ivan Alves.

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Os indígenas, contudo, permaneceram na calçada no domingo (4) e também nesta segunda-feira (5). Isso antes de ocupar o terreno nesta terça-feira, quando as barracas acabaram desmontadas.

Quem são os Kaingang?

A tribo Kaingang, na verdade “Kanhgág”, é um dos maiores povos indígenas do Brasil. Eles vivem em mais de 30 Terras Indígenas em quatro estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

O povo Kaingang acabou marcado por várias invasões de colonos e exploradores, que culminaram na perda de grande parte de seus territórios e na redução significativa de sua população.

A colonização, a busca por recursos naturais e a falta de reconhecimento de seus direitos foram fatores que contribuíram para esse processo, conta a História do País.

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