A família de um paciente idoso luta contra o tempo para conseguir que ele faça um ecocardiograma de tórax e uma cirurgia de revascularização miocárdica, conhecida como ponte de safena, no Hospital Universitário (HU), em Canoas.

Foto: Paulo Pires/GES
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Internado há mais de 60 dias no HU, Jorge Marco de Freitas, 71 anos, possui um quadro clínico delicado. Segundo a família do morador de Sapucaia do Sul, o aposentado sofreu dois infartos recentemente.
“Ele está a cada dia mais debilitado. Precisa urgentemente fazer o exame e a cirurgia. Está uma bagunça no hospital. Até agora não fizeram nem o exame. São mais de dois meses e nada foi feito. As informações são quase nulas e quando respondem, são respostas desencontradas. Não temos acesso às informações de verdade. A sensação que temos é que o hospital está falido”, lamenta a filha do paciente, Ludmila dos Santos, 45.
De acordo com Ludmila, o pai teve o quadro de saúde piorado. “Ele trabalhou a vida toda. Contribuiu uma vida inteira. Agora, é só mais um número. O descaso não é só com ele, são várias pessoas na mesma situação ou até pior. Estamos implorando por ajuda. Meu pai chora muito. Recentemente, ele teve uma reação alérgica no rosto por causa de um antibiótico. Nossa família só ficou sabendo quando chegamos no hospital. Ninguém avisou o que tinha acontecido com ele”, reclama.
Protocolos na Ouvidoria
Diante da falta de prazos, a família de Freitas protocolou na ouvidoria do HU uma reclamação e solicitou esclarecimentos sobre o caso do paciente.
“Protocolamos três pedidos. A primeira resposta foi que o HU não tinha registro do meu pai, ou seja, que ele não estaria internado lá. Esse é o nível de desorganização. Falaram que tinha um erro na grafia, mas como ‘perdem’ um paciente por algo assim? Depois, os outros comunicados foram só enrolação. Sem definição ou data para os procedimentos. Chegaram a falar que meu pai estaria no 10º lugar da fila para a cirurgia, o que nem faz sentido porque para ser encaminhado para a fila, precisa realizar o exame primeiro. Até agora, não temos nada de concreto.”
Conforme a Ludmila, Freitas passou mal nesta terça-feira (4). O idoso precisou ser transferido para a retaguarda do hospital.
“Ele piorou. Está com muita dor no peito nos últimos dias. Foram dois infartos em um curto espaço de tempo. O primeiro foi em agosto. Ele ficou uma semana internado no hospital de Sapucaia [Getúlio Vargas]. Depois foi transferido para o Hospital Universitário, em setembro. Infelizmente, meu pai sofreu um segundo infarto no dia 20 de setembro. Ficou uma semana na UTI [Unidade de Terapia Intensiva]. Ele também faz hemodiálise. Estamos muito aflitos com a condição de saúde dele”, desabafa.
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O que diz o HU
Por meio de nota, a Associação Saúde em Movimento (ASM), que é a atual gestora do Hospital Universitário, confirmou que paciente segue no aguardo do ecocardiograma de tórax. Sem detalhar o motivo da longa espera para a realização do exame e um prazo para a cirurgia, a administradora sinalizou que está orçando o ecocardiograma. Na tarde desta quinta-feira (6), a assessoria de imprensa entrou em contato com a reportagem para informar que o exame seria feito no dia.
“O paciente aguarda a realização de um ecocardiograma de tórax, exame que precede a definição e a abordagem da cirurgia. O exame foi orçado fora do HU Canoas. Após isso, o paciente volta à consulta com o cirurgião cardiovascular para os encaminhamentos clínicos necessários”, diz o comunicado.
Nota da redação: Às 16h15 horas, o título deste conteúdo foi corrigido.