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Entrevista exclusiva

"É uma conta muito grande e nunca vai fechar": Airton Souza fala sobre a situação da saúde em Canoas; veja vídeo

Prefeito diz entender o momento delicado, mas garante que o Município está investindo mais do que deveria

Publicado em: 05/11/2025 às 17h:01 Última atualização: 05/11/2025 às 18h:28
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Canoas vem injetando quase R$ 30 milhões por mês na saúde para manter a estrutura em funcionamento, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. São investidos entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões acima dos 15% determinados por lei mensalmente.

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O prefeito Airton Souza recebeu a reportagem do DC na manhã desta quarta-feira (5) em seu gabinete | abc+



O prefeito Airton Souza recebeu a reportagem do DC na manhã desta quarta-feira (5) em seu gabinete

Foto: Paulo Pires/GES

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E mesmo com todo o investimento, a conta não parece bater para a população que depende do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com reclamações e manifestações de descontentamento nas ruas ou redes sociais.

Nos últimos dias, a Prefeitura de Canoas garantiu o que considera duas vitórias: 1) o restabelecimento dos serviços nas Unidades de Pronto Atendimento; 2) estabelecer limites em decreto para que as empresas contratadas garantam os pagamentos de profissionais.

Diante do quadro, o prefeito Airton Souza recebeu o Diário de Canoas. Em entrevista exclusiva, esclareceu ponto a ponto quais os próximos passos da Administração para melhorar o atendimento à  população.

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DC – Como anda a ginástica da Prefeitura de Canoas para fechar a conta da saúde ao final de cada mês? O senhor pensa que a Administração está investindo o suficiente?

Airton Souza – Mais do que deveríamos. É muito complicado o momento que Canoas vive, principalmente pelo grande aporte de equipamentos públicos que temos. Canoas atende 44% da população do Rio Grande do Sul em alguma especialidade médica. Então, a conta é muito grande e nunca vai fechar. Precisamos da ajuda do Estado e do Governo Federal. Canoas é a única cidade do Rio Grande do Sul com três hospitais de grande porte. Se esta estrutura precisasse funcionar só para os canoenses, estaríamos muito bem, mas não é assim.

DC – Falando em três hospitais, como andam as obras de reconstrução do Hospital de Pronto Socorro? Quando o HPSC será entregue à população?

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Airton – Passamos por uma dificuldade muito grande com o HPSC. Tivemos problemas com os projetos. Se nós tocássemos o HPSC da maneira como estava projetado, nós perderíamos recursos. Muitos recursos. O projeto só contemplava ali R$ 3 milhões, R$ 4 milhões, enquanto que vai custar R$ 30 milhões a reforma completa. Tivemos que parar, sentar com a equipe técnica da Caixa [Econômica Federal], equipe técnica da Prefeitura, ajustar todos os projetos. Só isso levou nove meses. Agora sim, a obra está andando em ritmo acelerado. Nós temos a previsão de que, no máximo em um ano, entregaremos novamente o Pronto Socorro para a comunidade. E aí vem uma outra questão: Como é que vamos fazer a gestão do HPSC? Nós vamos sentar com as esferas responsáveis pela saúde: Município, Estado e União para ver qual o modelo que nós vamos fazer para a gestão. O município é certo de que não tem condições de arcar com a conta sozinha, porque o Estado e a União cada vez mais retiram recursos, diminuem os aportes e colocam a saúde nas costas dos municípios. E não é só de Canoas.

DC – Ainda sobre a estrutura, houve a assinatura de um decreto para garantir médicos em postos de trabalho, certo? Pode esclarecer?

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Airton – Isso mesmo. Esse decreto vai dar tranquilidade para manter o atendimento. Porque a Prefeitura vem cumprindo a sua tarefa, cumprindo a obrigação com a empresa. Acontece que a empresa se atrapalhou e não fez os repasses aos médicos PJs. Agora está estabelecido em decreto que até o dia 5 a Prefeitura fará os repasses para os servidores das UPAs. No dia 15, sai o repasse dos PJs. Os outros repasses saem somente após a empresa comprovar que pagou a conta dos profissionais. Vamos garantir que todos estejam recebendo em dia. Queremos que a população esteja sendo assistida, mas, para isso, sabemos que precisamos dos profissionais recebendo. Acredito que não vamos mais ter problemas desta maneira.

DC – Sobre os médicos, o senhor é muito ativo nas redes sociais e, por meio delas, notamos o quanto é cobrado sobre os passivos devidos em diferentes unidades. Como está a questão dos pagamentos?

Airton – Esse tema é muito importante para nós, porque a Prefeitura sempre fez os repasses, mas acontece que há médicos que colocaram o nome na escala, mas não trabalharam. Há muitas glosas. O que são glosas? Só queriam ganhar. Quando a Prefeitura descobre que a empresa não entregou o serviço que está em contrato, a empresa não recebe. Está glosada. Tem muitos médicos que colocavam o nome na escala médica, mas não apareciam no plantão. Então, o valor é glosado. Fazemos o cálculo para ver o que devemos. A Prefeitura vai honrar os pagamentos em aberto. Só que a empresa afirma que a Prefeitura deve R$ 9 milhões, quando na empresa houve glosa de R$ 7 milhões. Na verdade, devemos, portanto, R$ 2 milhões. Nos meses de setembro e outubro tivemos muitos médicos faltando, não comparecendo ao local de trabalho nas UPAs. Porque a empresa não pagava. A Justiça chegou a obrigar a empresa a manter a escala, e nem isso foi suficiente.

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 05/11/25 PREFEITO  AIRTON SOUZA  | abc+



05/11/25 PREFEITO AIRTON SOUZA

Foto: Paulo Pires/GES

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DC – O senhor citou obras em andamento. O que planeja de investimentos para a saúde de Canoas em 2026?

Airton – Temos trabalhado muito. Estamos com a obra da UPA Rio Branco para começar em janeiro. A UPA foi totalmente atingida pela enchente e tem muitos problemas. Será uma reforma geral. Também no Rio Branco, onde antes existia a sede do CTG Panela Velha, temos o plano de construir uma UBS. Temos mais uma unidade, com recurso já garantido no bairro Niterói. Há uma outra com recurso no bairro Estância Velha. E uma nova unidade no Mathias Velho. Tudo isso, além da obra do nosso HPSC e equipamentos sendo licitados para o HPSC e o Hospital Universitário.

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DC – Quanto a gestão do Hospital Nossa Senhora das Graças. O Município deve permanecer com a intervenção sobre a casa de saúde?

Airton – O Gracinha é um patrimônio da cidade de Canoas. Embora seja da ABC [Associação Beneficente de Canoas], ele hoje não sobrevive sem o Município. Ele está sobre intervenção administrativa, e permanecemos em constante conversa com a ABC e com a Justiça e Ministério Público sobre a questão. Queremos encontrar a solução. Como prefeito, eu gostaria que o Município se apropriasse de uma vez do Gracinha. E aí, sim, poderíamos fazer uma gestão com o nosso olhar, porque hoje sempre há uma interferência da ABC. Há sempre conflito com a direção. Porém, o Gracinha é dos canoenses e nós queremos melhorá-lo. Existem sérios problemas de dívidas muito antigas. Tem gente que fala de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões. O número é assustador, eu sei, mas o Município tem interesse em administrar o Gracinha. O certo é que hoje ele está dando conta de suprir a necessidade do Hospital de Pronto Socorro, enquanto o HPS está em reforma.

DC – Diante da complexidade do Hospital Universitário, passa pela Administração a ideia da federalização do HU? A Prefeitura repassará a gestão para a União?

Airton – O HU é um dos maiores hospitais do Rio Grande do Sul, e não é a Federalização que vai resolver o problema. Pode ser até que resolva, mas o que falta é recurso para o hospital. É um hospital que não se toca por menos de R$ 20 milhões por mês. Estamos investindo R$ 13 milhões. Então, o que falta é recurso. Tendo recurso, qualquer empresa privada ou pública vai fazer a gestão eficiente. Tivemos uma reunião com o Simers [Sindicato Médico do RS]. Essa conversa é puxada pelo Simers. É uma boa ideia, mas não é decisão da Prefeitura. Nós passamos pelo pressuposto de que tendo os recursos, qualquer empresa faz a gestão eficiente do Hospital Universitário.

Assista a entrevista em vídeo:

Em entrevista exclusiva, Airton Souza fala sobre a situação da saúde em Canoas
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