Tem quem diga que mexer com a terra é uma terapia. Foi pensando nesses benefícios que a Liga Feminina de Combate ao Câncer de Canoas (LFCCC) deu início ao projeto Tempo de Cuidar nesta quarta-feira (18). A iniciativa oferecerá oficinas e atividades ao redor de uma horta de chás durante um ano em parceria com o curso de Agronomia da UFRGS.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
O espaço tem o formato de um relógio com os canteiros divididos por planta e por hora. A estrutura fica nos fundos do prédio da Liga, no Hospital Nossa Senhora das Graças. As sementes foram escolhidas pensando na necessidade dos pacientes oncológicos, segundo a presidente da Liga, Iracema Gabardo.
“Cada chá tem um horário e é o que eles podem tomar, já tem alguns que não podem ser consumidos. Então, o projeto envolve esse cuidado com as plantas e com o uso da terra. A expectativa é grande e estamos com os olhos brilhando”, afirma.
Ao todo, 20 pacientes assistidos pela entidade, com idades acima de 60 anos, foram escolhidos para participar. Os encontros devem acontecer todas às quartas-feiras com a proposta de promover acolhimento e bem-estar físico e mental. Ao final do projeto, será desenvolvido um livro sobre os chás.
Entre eles, está o aposentado João Werlang, 79 anos, que plantou a primeira muda de forma simbólica. “Eu não pensei que depois dessa idade eu seria convidado para isso e eu agradeço muito. Eu fico feliz de estar num grupo que quer realizar boas coisas”, destaca.
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12 plantas diferentes
A horta em formato de relógio conta com 12 plantas diferentes, cada uma com um horário sugerido para consumo e para qual órgão ela é indicada. Por exemplo, o chá de melissa serve para o coração e pode ser tomado às 11 horas.
Além da melissa, serão cultivados alcachofra, hortelã, linhaça, manjericão, salsa, tanchagem, cavalinho, quebra-pedra, carqueja, orégano e alecrim. Elas são benéficas para pulmão, intestinos, pâncreas, coração, rins, entre outros órgãos.
A especialista em Nutrição Oncológica e voluntária da Liga, Clara Marques, ajudou a elaborar o projeto. “Nós vamos trabalhar e conhecer os chás. Vamos entender para o que serve e as técnicas de secagem, técnicas de aprender a fazer esse chá. E no final nós vamos criar um livro”, explica.
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Apoio da UFRGS
O manejo com a terra tem apoio do curso de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os alunos que participam do projeto de extensão Horticultura Urbana: Promoção Socioeconômica e de Segurança Alimentar vão ajudar com seus conhecimentos sobre cultivo e plantas.
A responsável pelo projeto, a professora Tatiana da Silva Duarte, ressalta que a proposta da parceria é importante para todos os envolvidos, tanto a Liga, quanto os estudantes. “É muito legal manter esse contato com a terra, ainda mais em uma sociedade totalmente urbanizada. Isso é uma forma de resgatar um pouco da ruralidade”, observa.
“Eu penso que é maravilhoso ter esse contato da academia com o saber popular. Eles têm vivências e olhares que a gente não coloca isso academicamente, então vai ter essa conversa. Também enxergo o potencial dos alunos começarem a exercer a profissão”, completa.
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Recursos
O projeto está sendo desenvolvido também com colaboração do Conselho Municipal do Idoso e apoio financeiro do Instituto Vivo. “Eles lançaram um edital e nos cadastramos. Criamos um projeto e destinamos para esse relógio de chás”, comenta a presidente da Liga, Iracema Gabardo.
Quem fez essa ponte entre quem queria ajudar e quem tinha um projeto foi a contadora Rosaura Vargas. Ela também chama atenção para a importância de destinar recursos para as causas sociais.
“A partir de segunda-feira começa a entrega da declaração do imposto de renda de pessoas física. Elas podem destinar até 3% para o Fundo da Criança e mais 3% para o Fundo da Pessoa Idosa. As pessoas podem ajudar.”