Fazer comida boa para centenas de estudantes, todos os dias, não é tarefa fácil. Mas as merendeiras de Canoas Luciana Pakulski de Souza e Carine Fagundes Passeto são cozinheiras de mão cheia e isso está provado não apenas pelos alunos, mas também pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc).
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As duas participaram da competição gastronômica Nutrindo a Educação, que busca reconhecer e valorizar o trabalho das merendeiras em todo o Estado.

Foto: Paulo Pires/GES
Com um creme de legumes e frango desfiado, a merendeira Luciana, da Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Planalto Canoense, ficou em primeiro lugar entre as representantes da 27ª Coordenadoria de Educação (CRE). A cozinheira de 52 anos se classificou para a final.
“Foi uma experiência bem grandiosa. Foi um reconhecimento pessoal e profissional. E nós procuramos sempre fazer o nosso melhor. Foi uma oportunidade para mostrar isso também. E o meu prato foi bem aceito”, comemora.
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Já a Carine, da EEEM André Leão Puente, conquistou os jurados com porco assado, batatas gratin e salada de pepino refogada. A merendeira de 41 anos que trabalha no Centro de Canoas ficou com o segundo lugar na disputa.
“Foi ótimo participar. Amei. Se ano que tiver, vou me inscrever de novo. É legal porque quando cozinhamos para amigos e familiares, eles dizem que está bom mesmo que não esteja. Ter outras pessoas dizendo que a tua comida realmente é boa, pessoas que tu não conhece, te valoriza. É o que tu gosta de fazer e é o teu trabalho”, destaca.
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As merendeiras apresentaram seus pratos no final de julho. A etapa final, com 30 competidoras de todo o Estado, acontece no dia 3 de dezembro, no Senac, em Porto Alegre.
Além de receberem certificados, premiações e troféus, as merendeiras também terão suas produções registradas em um e-book. O material, a ser lançado no final do ano, reunirá as histórias das profissionais e de suas criações.
Um pouco das receitas
As merendeiras precisavam apresentar pratos com alimentos que costumar ser utilizados no dia a dia das escolas. Tudo conforme determinado no edital do concurso, restando caprichar no sabor, na apresentação e na criatividade.
A Luciana Pakulski, por exemplo, preparou um creme com legumes que as crianças costumam torcer o nariz como a moranga. Mas misturado com batata-doce, cebola, alho e tomate não tem quem resista. O prato ainda é acompanhado do frango desfiado.
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“É uma satisfação fazer uma comida que eles gostam”, destaca a merendeira que trabalha há um ano no bairro Olaria.

Foto: Nicole Goulart/Especial
Já a Carine Passeto conta que fez um prato um pouco mais elaborado.
“Eu pensei por uma coisa que costumamos fazer. Porco é uma coisa que fazemos uma vez por mês. E batata gratin nada mais é que batata com molho branco, que nós também fazemos aqui. Não eram coisas muito diferentes, eu só juntei num prato mais chique que nem eu digo”, brinca.
Valorização do trabalho
A merendeira Carine, não se classificou para a final, mas se engana quem pensa que ela desanimou com isso. Foi com muito alto astral que a merendeira refletiu sobre a sua participação no concurso, enquanto preparava um guisado para janta dos alunos da André Leão Puente.
“Eu acredito que representa uma possibilidade de valorização do trabalho. As receitas, as melhores, vão ser colocadas num livro. Para nós, que não tivemos muita oportunidade de vida, de crescimento, é a melhor coisa que tem o reconhecimento. É muito bom”, comenta.
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A merendeira trabalha há 11 meses na escola, mas já trabalhou em cozinha industrial e restaurantes, e com confecção de doces, salgados e marmitas. O concurso trouxe um ânimo a mais para Carine. “Eu tenho estado com muito entusiasmo, vontade de crescer na profissão. Então, foi ótimo. Amei participar”, frisa.
Já a Luciana, que também tem experiência com cozinha de restaurante, está em ritmo de preparação para a final. “Estou bem ansiosa. É a primeira vez que participo. Estou acostuma a cozinhar para um batalhão, mas ainda fiquei um pouco nervosa”, comenta.
“Foi uma oportunidade também de conhecer outras merendeiras. Espero que outras vejam que é possível participar, que é uma experiência única. E o reconhecimento que estão tendo com a gente é bem legal, que essa alimentação feita na escola é importante”, completa Luciana.