O Natal e o ano-novo do aposentado Jorge Marco Freitas, 71 anos, serão no Hospital Universitário de Canoas (HU). O idoso está internado há mais de três meses. Ele aguarda por um procedimento que continua sem data: uma ponte de safena.

Foto: Paulo Pires/GES
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A cirurgia de revascularização miocárdica é necessária depois que Jorge sofreu dois infartos recentemente. O quadro de saúde fica cada vez mais delicado, já que o paciente também enfrenta problemas nos rins e passa por hemodiálise.
Toda a angústia da espera que parece não ter fim é contada pela filha Ludmila dos Santos, 45, que acompanha o pai todos os dias. Foi com ela que a reportagem do Diário de Canoas conversou em novembro, mas a situação só piorou.
“Prometeram a cirurgia depois da reportagem, mas ficaram me enrolando. Chegou uma médica dizendo que o meu pai não era prioridade e que não era para criar expectativa. Foi um balde de água fria, sabe. Meu pai vai morrer ali dentro”, lamenta.
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Sem perspectiva
O paciente foi atendido primeiro no Hospital Getúlio Vargas, em Sapucaia do Sul, onde mora. Depois, foi transferido para o Hospital Universitário de Canoas. Em um quarto no sétimo andar, Ludmila passa as noites acompanhando o pai.
“Ele não consegue mais caminhar. Ele entrou caminhando, mas não consegue mais. Ele não come direito, não faz xixi. Precisa passar pela hemodiálise, mas também está difícil. O meu pai está bem debilitado, ele sente muita dor. E agora, ele não pode ficar sozinho”, conta.
Segundo Ludmila, o hospital não dá informações precisas sobre o situação do seu pai, o que causa mais sofrimento à família. “Um tempo atrás saiu uma lista dizendo que o meu pai era o décimo na espera. Depois, recebi uma informação dizendo que iam fazer mutirão. Mas um médico passou aqui e disse que cancelaram todas as cirurgias esse ano e talvez só tenha no ano que vem.”
“Esses dias, olhei a lista de novo e ele era o terceiro, mas do lado dizia que o médico não tinha agendado. Ai não adianta nada. Vão deixar o meu pai morrer e não querem transferir. Para eles, é só mais um idoso em cima de uma cama, mas ele tem família”, diz emocionada.
Além que contar a situação por meio da imprensa, a filha tenta conseguir a cirurgia através da Defensoria Pública. “Tentei todos os meios. Tenho vários protocolos na ouvidoria, mas nenhum respondido. Não respeitam nem uma liminar. Vou na Defensoria de novo para tentar mais uma vez”, reforça.
“Eu não sei que não é só o meu pai. Outras pessoas também estão nessa situação, precisando de uma cirurgia e até a mesma que ele. Mas eu preciso fazer alguma coisa. Ele vai passar o Natal e o ano-novo no hospital e não sei sele chega no ano que vem porque está muito mal”, desabafa.
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O que diz o HU
Por meio de nota, o Hospital Universitário informa que o paciente questionado pela reportagem do Diário de Canoas encontra-se internado na instituição, com diagnóstico clínico e encaminhamento para cirurgia. Segundo o texto, ele está recebendo todo o cuidado e assistência das equipes assistenciais e médicas, conforme os protocolos indicados ao caso. No momento, o HU Canoas está definindo os procedimentos pré-operatórios para o desfecho da cirurgia.
Hospital aderiu a programa de cirurgias, mas não há data
No sábado (20), o Hospital Universitário de Canoas assinou sua participação no programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde. A proposta é realizar mutirões de cirurgias em diversas áreas, como geral, vascular e urologia.
O HU calcula que serão 1.240 procedimentos por mês. A iniciativa será gerida pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), responsável pela contratação das equipes e realização dos mutirões. No entanto, ainda não há data para o início dos serviços.
O HU foi selecionado para participar por ter estrutura necessária para ampliação dos atendimentos. Além disso, está localizado na Região Metropolitana de Porto Alegre. De acordo com a pasta, a região concentra as maiores filas cirúrgicas no Estado.
“Nesse modelo de atendimento, o Grupo Hospitalar Conceição terá o papel de contratar as empresas que ofertam os profissionais, equipamentos, insumos e medicamentos para colocar em funcionamento a capacidade ociosa dos hospitais, além de garantir qualidade e eficiência em todo o processo”, informa o Ministério da Saúde.