A decisão de ter filhos ou não e em qual idade são questionamentos cada vez mais presentes na vida das mulheres. Essa mentalidade, acompanhada do empoderamento, do nível de instrução e da independência financeira é uma tendência global. E no nosso País não é diferente, segundo os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no final de junho.
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Foto: PAULO PIRES/GES
Os dados dos resultados preliminares das amostras sobre fecundidade mostram que as brasileiras estão escolhendo ter menos filhos e mais tarde em suas vidas. Essa tendência é registrada em Canoas. No comparativo com os dados de 2010, o número de canoenses com filhos, entre 18 e 34 anos, diminuiu. A queda também é notada entre as mulheres com 45 e 49 anos, idades próximas do fim do período reprodutivo.
Mas o cenário é diferente nas moradores da cidade entre 35 e 44 anos. O número de mães nesta faixa etária aumentou entre 2010 e 2022. (Confira os números abaixo).
Além de Canoas, a leitura é feita quando se olha para o Rio Grande do Sul, demais estados e regiões. Em todos eles, a média de idade das mães aumentou. Isso significa que as mulheres que estão escolhendo ter filhos fazem isso mais tarde.
“O que verificamos para o Brasil, que foi o padrão de envelhecimento da fecundidade durante os censos, também verificamos para as cinco regiões”, observa a pesquisadora e demógrafa da Gerência de Análises Demográficas do IBGE, Marla Barroso Franca, durante apresentação dos dados em um seminário na Universidade de Brasília (UnB).
Números da fecundidade em Canoas 2010 – 2022
12 a 14 anos: 38 – 146
15 a 17 anos: 399 – 119
18 ou 19 anos: 745 – 352
20 a 24 anos: 4.987 – 3.275
25 a 29 anos: 7.906 – 5.884
30 a 34 anos: 9.921 – 8.746
35 a 39 anos: 9.522 – 11.220
40 a 44 anos: 10.138 – 12.210
45 a 49 anos: 11.038 – 9.661
Total de filhos por mulher também diminuiu
Junto com a maternidade mais tarde, o número de filhos por mulher também apresenta mudanças entre 2010 e 2022. Neste período, aumentou o número de mães com um ou dois filhos, enquanto que há redução de três filhos ou mais.
1 filho: 27.308 – 34.856
2 filhos: 29.888 – 34.255
3 filhos: 17.761 – 16.953
4 filhos: 7.948 – 7.482
5 filhos: 4.215 – 3.442
6 filhos ou mais: 5.927 – 3.269
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Gravidez na adolescência preocupa
Relação sexual com jovens de até 14 anos é considerada estupro de vulnerável pela legislação brasileira. E as informações do IBGE chamam a atenção: entre 2010 e 2022, houve aumento de 284% no número de meninas de 12 a 14 anos que engravidarem e deram a luz em Canoas.
Já entre as adolescentes de 15 a 17 anos, mesmo em queda, o número também expõe um cenário longe do ideal. Foram 119 mulheres que foram mães nesta faixa etária. Além da pouca idade, uma gravidez nesta idade pode trazer riscos à saúde da mulher e do filho, junto com o impacto na escolaridade e independência financeira.
As amostras divulgadas são preliminares. A divulgação contemplou informações sobre fecundidade e parto de mulheres de 12 anos ou mais de idade, separados por idade da mãe, cor ou raça e nível de instrução. Os números também podem ser consultados a nível de Brasil, grandes regiões, estados, municípios e outros recortes geográficos disponíveis no site do IBGE.
Junto com o tema fecundidade, o órgão também trouxe um panorama sobre a migração, temas que influenciam na dinâmica da população. Os dados disponíveis devem ser usados para embasar políticas públicas voltadas nestas duas áreas.