Morango, branquinho e calda de açúcar. Quem diria que a fórmula do sucesso seria algo tão simples. O morango do amor tem bombado nas redes sociais na última semana, gerando o desejo de provar e sendo sinônimo de lucro para confeiteiras profissionais e amadoras em todo o Brasil.
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Foto: Paulo Pires/GES
E em Canoas não seria diferente. A cozinha da Ana Carolina Fragoso dos Santos, 31 anos, no bairro Nossa Senhora das Graças, é um dos espaços de produção deste doce que tem atraído muitos curiosos. Conhecida como Carol Trufas, a confeiteira que está há 4 anos no ramo viu a demanda aumentar e o número de seguidores subir desde que aderiu à tendência.
Até o último domingo, já tinha vendido 650 morangos do amor. E 500 já estão encomendados para esta semana. Por isso, a terça-feira (29) foi dia de produção. Tudo isso conta a ajuda do marido, Wiliam Carvalho dos Santos, 34 anos, que compra as frutas na Ceasa e também faz entregas para os clientes.
O futuro é doce
Enquanto Carol lava os morangos e tira as folhinhas, Wiliam conta sobre o sucesso do negócio. “Nunca passamos por isso. Essa é a revolução que o morango trouxe para nós. Estamos conseguindo reinvestir o dinheiro, já vamos começar a fazer uma nova cozinha”, conta.
Um dos quartos da casa que está vazio deve ganhar pia, mesa de alumínio e um pequeno estúdio para as redes sociais. “Para montar do jeito que queremos dá R$ 10 mil. Agora, em duas semanas, vamos conseguir levantar esse dinheiro e reinvestir no negócio”, calcula.
Para Carol, o novo espaço virou uma necessidade. “Aqui é a cozinha da minha casa. Não é só para os doces, eu faço outras coisas”, destaca. “Os outros doces, por exemplo, eu não uso muito o fogão, só para o brigadeiro. Mas com a calda, é todo dia, toda hora, então eu teria que ter um fogão só para ele. Uma mesa grande, uma outra geladeira. Se Deus quiser, tudo vai se encaminhar”, diz otimista.
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Doce que enche os olhos e a boca não sai do cardápio
Após lavar os morangos e tirar as folhinhas (que são usadas depois na decoração), Carol seca um por um e reserva. “Já é uma fruta com muita água, muito umidade. Então, tem que secar bem”, destaca. Enquanto isso, fica de olho no ponto da calda no fogão que deve chegar a 155 ºC no máximo. “Com menos, fica no ponto puxa puxa”, explica.
Com os brigadeiros de leite ninho já prontos, a confeiteira passa manteiga na mão e abre o doce e recheia ele com a fruta, moldando o formato do morango. A ideia é que fique um recheio generoso. Após fazer cerca de 20 unidades, Carol espeta o morango e mergulha na calda, tira o excesso e deixa esfriar.
A produção começa às 7 horas e vai até de noite. Para chegar até esse ponto de excelência e sucesso, foram necessárias algumas tentativas. “O algoritmo já nos direcionou para esse doce. Vimos que estava demais e eu falei ‘vamos tentar fazer’”, propôs Wiliam. “Já fazemos doce com morango, já conhecemos a fruta, e tentamos. O difícil foi o ponto da calda”, relata Carol.
“Fui pesquisando, errando, acertando. Comecei sozinha, mas como eu estava errando muito o ponto da calda, fiz um curso e tirei as minhas dúvidas. Eu vi que tem que colocar mais glucose para chegar ao ponto de vidro. É ela que faz a calda quebrar”, detalha.
E enquanto produzia, Wiliam recebeu um pedido de 70 morangos para um casamento em agosto. Para o casal, o doce não sai mais do cardápio.
“O doce é bem particular. Só tinha a maçã com essa calda. Eu acho que a combinação é muito boa. Acho que nunca vai sair do cardápio”, comenta. A receita ainda inspira novas criações que já estão na lista de espera. “Eu quero fazer com uva e abacaxi. Eu já trabalho com abacaxi, então quero testar. Tem o ácido do abacaxi que eu gosto”, conta a confeiteira.
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Tendência abriu espaço para outros produtos
O morango do amor se junta agora a outros doces feitos por Carol, como morango com ninho e nutella, considerado o carro-chefe das produções. Todos eles são entregues pelo próprio Wiliam aos clientes fixos e encomendas. O negócio vende em salões de beleza em Canoas, Porto Alegre e Cachoeirinha.
Toda essa história começou há quatro anos, quando o casal precisava de uma renda extra. O negócio virou fixo e o morango do amor só fez impulsionar. “Ele abriu o caminho para chegarmos com os nossos doces que já vendíamos. Quando eu chego nos salões, vou com a caixa aberta e o cliente pega. Agora, tem caixinha. E esse pessoal já está pedindo o ninho com nutella”, completa.