abc+

INCLUSÃO

Oficina ensina Braille para estudantes na Feira do Livro de Canoas

Aula sobre o alfabeto também reflete sobre o acesso de deficientes visuais aos livros

Publicado em: 06/10/2025 às 12h:25 Última atualização: 07/10/2025 às 15h:04
Publicidade

Presente nas embalagens, nos elevadores e em mapas táteis, o Braille permite a acessibilidade aos deficientes visuais. Mas o conhecimento sobre este alfabeto também é importante para o público em geral, principalmente na hora de ajudar alguém que precisa. Por isso, a Adevic promoveu uma oficina de Braille nesta segunda-feira (6), na 40ª Feira do Livro de Canoas.

Publicidade

SIGA O ABC+ NO GOOGLE NOTÍCIAS!

Pablo Mendes gostou de aprender um pouco mais sobre o alfabeto | abc+



Pablo Mendes gostou de aprender um pouco mais sobre o alfabeto

Foto: Paulo Pires/GES

A Associação de Deficientes Visuais de Canoas trouxe para o Centro os diferentes materiais que são usados no ensino e na escrita no alfabeto, como a máquina de datilografia e cartões em EVA para simular as celas Braille. A oficina explicou desde a origem do sistema até a forma de leitura das “bolinhas em relevo”.

Toda essa aula foi dada para estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) João Palma da Silva, que fica no Mathias Velho. Com uma cartela do alfabeto em mãos, Pablo Mendes, 9 anos, se interessou pelo assunto.

“Estou achando muito legal. É interessante a parte de tocar o relevo. Também tem o desenho das letras que é bem diferente”, observa o aluno do 4º ano.

Publicidade

Um exercício de empatia

As explicações foram dadas pelo professor Eri Domingos, da Adevic. Esse aprendizado foi passado em conjunto com Núcleo de Apoio Pedagógico e Produção Braille (NAPPB) de Canoas.

“Mostramos no banner onde estão localizados as letras e depois fazemos uma atividade prática. Entregamos um alfabeto para eles e tentam fazer a transcrição de algumas palavras. Se tiver tempo, também trouxemos material para escrever que são as regretes”, conta.

Mas para além de uma oficina, essa troca nada mais é que um exercício de empatia. “Um dos princípios da inclusão é que todos tenham acesso. Então, eles podem não ter um coleguinha com deficiência visual, mas podem encontrar uma pessoa cega no dia a dia. É importante saber que existe esse sistema que possibilita que as pessoas consigam ler”, destaca Domingos.

Publicidade

FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP

Acesso aos livros ainda encontra obstáculos

A oficina integrou a programação da Feira do Livro. Inclusive, todo o cronograma foi impresso em Braille pela própria Adevic para garantir a acessibilidade do evento para este público. No entanto, o professor Eri não encontrou estandes vendendo produtos no alfabeto.

Publicidade

“Embora todo o avanço tecnológico, o Braille é uma escrita universal. É o que permite o encontro do leitor com a leitura. O computador torna isso muito impessoal. Assim como as pessoas folheiam os seus livros, quem é cego também tem esse direito.”

O acesso aos livros neste sistema não é algo simples: um título rende mais de uma unidade/volume. Ou seja, o “livro em tinta” é um, mas em Braille são vários. A programação da feira, por exemplo, tem cinco páginas, mas no alfabeto soma 45 páginas, segundo a Adevic.

Além do Braille, os leitores com baixa visão também têm dificuldades de encontrar obras em letras ampliadas. Esses detalhes podem encarecer a produção das obras.

Publicidade

O NAPPB é um espaço na cidade que garante o acesso à leitura. “Produzimos os materiais para as escolas, mas também podemos produzir livros desde que tenhamos a autorização do escritor e público para ler”, explica o professor Eri.

A biblioteca da Adevic continha cerca de 50 títulos antes da enchente. Com o desastre climático que atingiu a cidade no ano passado, a associação ficou debaixo d’água e perdeu os seus materiais. O espaço no bairro Mathias Velho só foi reinaugurado em abril deste ano.

Publicidade

“Nós tínhamos muita coisa. Estamos recuperando agora, já recebemos alguns exemplares. Mas sempre nos colocamos à disposição para receber os livros e emprestar para o pessoal. É pegar emprestado, depois devolver, pegar outro”, comenta.

Biblioteca Pública também tem acervo para deficientes visuais

A poucos metros de onde a 40ª edição da Feira do Livro acontece, está a Biblioteca Pública Municipal João Palma da Silva. São quase 100 títulos em Braille ou que tratam do tema, conforme pesquisa no sistema.

Publicidade

Essas obras são frutos de doação, ressalta a bibliotecária Andreia Knob. “Tivemos recentemente uma biblioteca parceira de São Leopoldo que nos doou mais obras de literatura infantil, juvenil e adulta. Foram mais ou menos 100 volumes acrescentados neste ano. Foi incremento muito bom porque temos obras mais atualizadas.”

Segundo Andreia, a biblioteca segue o manifesto da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) e da Unesco, criado em 1949 e atualizado em 2022, que destaca o papel e a importância destes espaços nas cidades.

“As bibliotecas públicas têm o dever de ter um acervo e serviços para todos os tipos de público. Isso inclui obras em Braille, audiobooks nós temos também, para que esse público deficiente visual seja contemplado, assim como todos os outros”, reforça.

Publicidade