Diz a ciência que o calor aumenta a produção de testosterona, hormônio ligado ao desejo. E se o verão pode influenciar o apetite sexual, o melhor é se proteger e garantir o sexo seguro.
O Governo Federal, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), distribui preservativos gratuitamente em todo o Brasil há anos, como uma medida contínua de prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e gravidez não planejada.

Foto: PAULO PIRES/GES
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Para obter preservativos gratuitos, não é difícil. Basta se dirigir à unidade de saúde mais próxima de casa, se aproximar do balcão e pegar quantas camisinhas quiser. Ficam à disposição na entrada.
Em algumas unidades de saúde de Canoas, entretanto, são encontradas somente caixas de preservativos vazias. Isso porque o estoque não é reposto há um mês, conforme reclamações de moradores dos bairros Guajuviras e São José.
“Pedi camisinha e disseram que não tem faz um mês”, conta Azael Oliveira. “Acabei comprando, porque eu estava indo para a praia, mas acho que poderiam voltar a colocar. Porque nem todo mundo tem dinheiro”, opina o jovem de 18 anos que vive no bairro São José.
A distribuição gratuita de preservativos teve como principal preocupação das autoridades em saúde o possível aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS. No entanto, há jovens que não pensam assim.
“Eu morro de medo de engravidar uma guria”, afirma Thiago Nunes. “Meu irmão tinha 17 quando engravidou a mulher dele e eu não quero a mesma encrenca”, completou o jovem estoquista de 18 anos que vive no Guajuviras.
Novas camisinhas
Foi na metade da década de 90 que começou a discussão em torno da distribuição gratuita de preservativos para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (IST). O aumento da distribuição aumentou a partir dos anos 2000.
De lá para cá, o Brasil e o mundo mudaram, o que levou à obrigatoriedade de mudanças. A última ocorreu no ano passado, quando o governo apresentou um novo pacote de novas e “modernas” camisinhas a serem distribuídas.
Conforme a propaganda do Ministério da Saúde, 400 milhões de unidades seriam distribuídas gratuitamente neste ano em Unidades Básicas de Saúde (UBS) em uma nova investida pelo sexo seguro.
As novas camisinhas possuem pacotes modernos e diferenciados. A texturizada vem em uma embalagem azul e laranja com o escrito “tex” e a fina, em uma vermelha com a descrição “sensi“.
Até então, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilizava apenas preservativos comuns (o masculino, feito de látex, e o feminino, feito de látex ou de borracha nitrílica), segundo o Ministério da Saúde.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
Escada
Nem sempre a ausência da caixinha no balcão é sinônimo de falta de preservativos, é preciso avisar. Na Unidade de Saúde Santa Isabel, ao pedir por camisinhas, o repórter acabou orientado a subir até o segundo piso do prédio.
Lá em cima, ao solicitar a proteção, acabou recebendo de uma enfermeira um conjunto. À reportagem, a profissional disse que a presença da caixa era mero controle e não havia maior explicação para que não estivesse no balcão.
Edital aberto em maio
No Diário Oficial do Município desta terça-feira (13) foi publicado edital com a listagem das empresas que irão fornecer preservativos masculinos e femininos para a Secretaria Municipal da Saúde. Três foram selecionadas por até um ano, que pode ser prorrogado por mais um. O edital foi aberto em maio de 2025, mas o resultado divulgado agora.
A reportagem do DC entrou em contato com a Prefeitura de Canoas sobre a falta de preservativos. Até o fechamento deste conteúdo, entretanto, não houve retorno da Administração sobre a demanda. O espaço segue aberto para esclarecimentos.