Os animais vistos sobre telhados, muros e pulando sobre cercados são alimentados pela professora aposentada Alice Goulart Fernandes, 72 anos, que relata cuidar e alimentar de nada menos que 50 gatos.

Foto: PAULO PIRES/GES
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“Eu cuido, alimento, dou água e trato das feridas, quando aparecem machucados”, contou a idosa. “Só que não sei por quanto tempo vou conseguir manter este ritmo, porque não param de aparecer mais gatos.”
Por meio de nota encaminhada pela assessoria de comunicação, a Prefeitura de Canoas informou, na manhã desta quinta-feira (14), que desde janeiro está ciente da colônia de gatos na residência da moradora.
Conforme a Prefeitura, a colônia cresceu após o abandono irresponsável de felinos por pessoas que, ao perceberem a presença dos animais na casa, acabam deixando outros no local.
Para evitar o aumento descontrolado da população e melhorar as condições de vida dos animais, a equipe do Programa Mobilização Integrada de Ação Urbana (MIAU), da Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal, vem organizando ações regulares de captura, castração, vermifugação e fornecimento de ração, informa a Administração.
O trabalho conta com a parceria da protetora Ana Paula Tassinari, que atua junto à equipe técnica. A integração entre poder público, comunidade e protetores é vista como essencial para alcançar resultados efetivos no bem-estar animal.
O Programa MIAU, destaca a Secretaria do Bem-Estar Animal, segue com ações permanentes voltadas ao controle populacional de felinos em áreas identificadas como pontos de colônia, atacando o problema na sua origem e promovendo bem-estar de forma permanente.
Enchente
Ao longa da vida, dona Alice teve dois cachorros. A história, contudo, mudou em 2023, quando uma vizinha querida morreu, deixando órfãos nada menos que 15 gatos. Ela passou a cuidar e tratar os animais.
Foi durante as enchentes de 2024, entretanto, que a população cresceu. Do dia para a noite, a água tomou metade de Canoas e a professora, conhecida pelo carinho com os animais, passou a receber mais gatos em casa.
“Eles vinham e traziam dois, cinco ou doze gatos”, lembra. “Só que na época eu recebia muita ração também. Então conseguia cuidar direitinho e alimentar a todos, sem problema nenhum.”
Com o passar do tempo, pessoas que ajudavam doando quilos de ração desapareceram. Hoje, a aposentada gasta mais de R$ 2 mil por mês para alimentar os gatinhos, conforme relata.
“Deixaram os bichinhos, mas nunca voltaram para buscar”, lamenta. “Faço o que é necessário, mas está complicado, porque eu não tenho dinheiro para estar comprando ração toda hora.”