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EDUCAÇÃO

Professores decidem encerrar greve em Canoas; aulas retornam na segunda-feira

O movimento, entre paralisação e greve, fechou um mês nesta quinta-feira (14)

Publicado em: 15/05/2026 às 16h:22 Última atualização: 15/05/2026 às 18h:45
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A greve dos professores municipais de Canoas chegou ao fim nesta sexta-feira (15). A decisão veio em assembleia realizada na Associação dos Servidores Municipais de Canoas (ASMC), no Centro, com a presença de centenas de profissionais. As aulas retornam nesta segunda-feira (18).

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Professores municipais encerram greve durante assembleia nesta sexta-feira (15) em Canoas | abc+



Professores municipais encerram greve durante assembleia nesta sexta-feira (15) em Canoas

Foto: Nicole Goulart/Especial

A grande maioria se posicionou pelo encerramento, entendendo que o número de participantes dos atos diminuiu e que as negociações não devem avançar mais. Poucos professores votaram pela manutenção da greve e um número ainda menor se absteve de votar.

Para o comando de greve, o encerramento é estratégico. “Não é que nós estejamos achando que as vitórias foram suficientes. Nós estamos percebendo que a base, que é o que tem de mais de importante, que é o povo na rua, está enfraquecido no momento”, afirma a professora Amanda Gurgel.

A categoria deliberou sobre a mobilização mesmo sem um retorno da Prefeitura de Canoas a respeito do ofício apresentado na terça-feira (12). Os professores propuseram um ajuste na medida que prevê o aumento real de 2% até 2028. A ideia é que seja até 2027.

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E houve rejeição a proposta que prevê uma gratificação atrelada ao desempenho no Índice do Desenvolvimento Básico (Ideb), usando recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

No entanto, não houve retorno. Com isso, o avanço nas pautas que ainda precisam de definição, como os grupos de trabalho, devem ser feito pelo sindicato.

De acordo com a Prefeitura de Canoas, o canal de conversas segue aberto. “Com responsabilidade e respeito aos profissionais de educação e a toda a comunidade escolar”, afirma em nota.

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Um mês de mobilização

O movimento, entre paralisação e greve, fechou um mês nesta quinta-feira (14). Os professores são representados pelo Sindicato dos Profissionais em Educação Municipais de Canoas (Sinprocan) e pelo comando de greve.

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Emocionada, a presidente do Sinprocan, Simone Riet Goulart, afirma que a categoria permanece lutando pelos seus direitos. “Foi um movimento muito bonito. Não conquistamos tudo que a gente gostaria, mas demos um pontapé inicial para buscar o que nós acreditamos, a nossa valorização e o respeito”, destaca.

Com o fim da greve, as aulas retornam à normalidade na segunda-feira (18) em todas as escolas da rede municipal. O calendário de reposição, abono de dias paralisados e grupos de trabalhos serão definidos nas próximas semanas.

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Balanço

Ao longo desse um mês, foram feitas diversas manifestações, passeatas, reuniões e assembleias. A verdade é que a mobilização dos professores fez barulho no Praça da Emancipação e em outros pontos de Canoas. E o retorno não foi somente para a categoria.

A reposição da inflação, que será parcelada em seis vezes, atinge todos os servidores municipais – ativos e inativos de forma igualitária. A categoria solicitou pagamento em parcela única, mas o Executivo aprovou uma lei com a proposta junto com os vereadores.

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A mudança no vale-alimentação, expandindo o uso para outras cidades gaúchas, já foi feita no contrato com o Banrisul. O uso exclusivo em Canoas era uma reclamação do funcionalismo desde a implementação do vale, em janeiro deste ano.

Após a votação que encerrou a greve, professores ainda aprovaram encaminhamentos da mobilização | abc+



Após a votação que encerrou a greve, professores ainda aprovaram encaminhamentos da mobilização

Foto: Nicole Goulart/Especial

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No que diz respeito somente aos professores, a Prefeitura reajustou o valor do piso salarial, seguindo a lei nacional. O valor de R$ 5.130,63 é válido para a jornada de 40 horas. Ainda houve o chamamento de mais profissionais aprovados no concurso e de 250 monitores para as escolas.

Para a professora Carin Frias, da Emei Cara Melada, todas as conquistas foram graças ao chamado do sindicato. “Se a gente chegou até essas vitórias, que não são suficientes, nem perto do que se esperava, foi pela mobilização. E a mobilização não foi o comando anterior, não foi o comando atual, foi porque estávamos em um número absurdo na frente da Prefeitura”, destaca.

“A gente só vai avançar se a gente continuar unido. E unido a partir de agora é dentro do sindicato. É a única forma que a gente tem que ser ouvido. A gente vai tornar isso um momento cotidiano, tornar os encontros da categoria mais frequentes. É não baixar a cabeça dentro da escola e depois achar que vai resolver o mundo numa greve após 34 anos”, opina.

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O que ainda falta

Algumas demandas ainda não tiveram um ponto final. O pagamento do passivo da Lei do Descongela (Lei Complementar nº 226/2026), enquadramento da Lei nº 15.326/2026 e revisão do plano de carreira devem ser tratados em grupos de trabalho, mas ainda sem definição.

“Para os grupos de trabalho a gente vai escolher com os representantes a partir da semana que vem. Ai estaremos cobrando isso”, afirma a presidente do Sinprocan, Simone Riet Goulart.

Os professores ainda cobram segurança nas escolas e não renovação do contrato dos monitores junto com realização de concurso público. Não há definição sobre o atendimentos dessas reivindicações.

Abono do ponto é impasse

O maior questionamento dos professores é sobre o abono do ponto dos dias paralisados – 14 a 17 de abril. Segundo o advogado Dr. Antão de Farias é preciso haver a definição se o poder público é causador ou não da greve.

“Se a greve foi deflagrada por única e exclusivamente necessidade e interesse da categoria dos profissionais em educação do município de Canoas ou se ela foi provocada pela omissão, pela prepotência, pelo silêncio contínuo em não atender as demandas encaminhadas pelo sindicato na categoria”, explica.

O advogado ressalta que o assunto pode ser discutido dentro do Judiciário. “No entanto, se houver desconto de dias, vocês [professores] não são obrigados a recuperar nenhum dia. Isso não sou eu a dizer, é o Supremo Tribunal Federal, a instância maior do judiciário neste país. Se houver desconto, se houver falta, não tem recuperação”, destaca o advogado.

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