O Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan) decidiu entrar em greve a partir da próxima quarta-feira (22). A categoria também mantém a paralisação das aulas nesta quinta (16) e sexta-feira (17) na rede municipal.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
As ações foram votadas pelos professores e técnicos em educação durante uma assembleia na tarde desta quarta-feira (15). O ato reuniu centenas de profissionais na Praça da Emancipação, na frente da Prefeitura de Canoas, no Centro.
A greve começa somente a partir de quarta-feira, em razão da necessidade de aviso prévio ao Executivo de 48 horas. O sindicato, por questões jurídicas, irá seguir essa determinação da Lei de Greve.
Com a determinação de greve, representantes de cada escola municipal – Ensino Fundamental (Emefs) e Educação Infantil (Emeis) – passaram a integram uma comissão. O grupo deve assinar o comando de greve e fazer novas deliberações sobre o processo de greve.
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Propostas recusadas
A assembleia convocada pelo Sinprocan para a tarde desta quarta-feira tinha o objetivo de opinar sobre as propostas apresentas pela Prefeitura de Canoas – mas especificamente pelo prefeito Airton Souza. Ainda no final da tarde de terça-feira (14), foi feita uma reunião entre os dois lados para solucionar a paralisação da categoria.
No entanto, as propostas foram recusadas por unanimidade durante a assembleia. O ofício assinado pelo prefeito foi lido pela presidente do Sinprocan, Simone Riet Goulart.
A administração municipal prometeu a divulgação do calendário de pagamento do piso salarial até o dia 5 de maio. Já a reposição inflacionária deve ter o calendário de pagamento entregue ao longo do ano, sem uma data específica informada.
A Prefeitura também reforça que a nomeação dos novos professores está em andamento. “Alguns colegas nos comunicaram hoje que já apareceu professor hoje nas escolas. A nomeação de especialistas em educação já está sendo providenciada, conforme demandas verificadas unidades escolares. Esse é o único cargo que ainda não chamaram ninguém”, comenta a presidente.
Sobre os monitores, a categoria foi informada que os 500 profissionais prometidos também estão em processo de contratação – através de uma Organização da Sociedade Civil (OSC). Uma parcela deve iniciar atividades as atividades “ainda no mês ou no menor prazo possível”, segundo o documento.
Outras demandas, como as relacionadas a Lei nº 15.326/2026 (inclui professores da educação infantil na carreira do magistério) e a Lei Complementar nº 226/2026 (Lei do Descongela – pagamento retroativo de direitos), precisam de análise técnica na avaliação da Prefeitura.
No entanto, as propostas apresentadas foram consideradas insatisfatórias pelos professores. “Eles dizem que não têm dinheiro, mas é só diminuir o número de CCs e FGs. É só acabar com esse Conecta+ porque a gente não precisa disso, não faz sentido. É muito dinheiro indo pra onde não tem que ir”, desabafa uma professora que não se identificar.
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Categoria apresenta ofício
Se teve documento descendo as escadarias do Paço Municipal, teve também documento subindo. O Sinprocan apresentou uma contraproposta, reafirmando suas demandas. Os pedidos foram votados pelos professores na assembleia. São eles:
- Reposição da inflação a partir da próxima folha de pagamento
- Quadro completo nas escolas até junho, incluindo os especialistas e monitores
- Reunião com representantes da entidade para readequação no plano de carreira
- Negociação de aumento real do salário até outubro
- Adequação imediata da Lei 15.326/2026

Foto: Nicole Goulart/Especial
As demandas não são novidade, motivando o estado de greve assinado ainda em novembro de 2025 e a paralisação iniciada nesta terça-feira. As reivindicações já foram apresentadas ao Executivo em reuniões, mas sem retorno.
Agora com a greve geral determinada para começar no dia 22 de abril, pós feriado de Tiradentes, a categoria espera que os pedidos sejam atendidos.
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Segundo dia de paralisação
A tarde de quarta-feira foi movimentada na Praça da Emancipação. Mas durante a manhã, as escolas municipais tiveram mais um dia de paralisação dos profissionais em educação.
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Duque de Caxias, no bairro Nossa Senhora das Graças, somente alguns professores comparecem junto com a equipe diretiva. “Tem dois ou três professores e alguns alunos aqui hoje, bem pouco”, disse um funcionário.
A situação também foi parecida na Emef Rio Grande do Sul, no Mato Grande, em que cerca de 60% dos corpo docente aderiu à paralisação. A escola informou que precisou organizar as turmas de acordo com os professores presentes.
Na porta da instituição, alguns cartazes justificam o posicionamento dos profissionais. Desde 2023, não tem professor de Geografia com carga horária de 20 horas, a biblioteca está interditada e a reforma elétrica está parada. E desde o ano passado, não tem professor de Inglês com carga horária de 20 horas.
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