As catadoras e os catadores do projeto Conexões Sustentáveis tiveram uma atividade especial nesta quinta-feira (14) na Unilasalle, em Canoas. Uma roda de conversa junto com o secretário nacional de Economia Popular e Solidária, Fernando Zamban, e professores debateu o projeto e a importância da iniciativa que capacita quem trabalha com material reciclável.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
A proposta era justamente contar como estão sendo as aulas e o impacto do projeto que é desenvolvido pelo Instituto Caminhos Sustentáveis (ICS) – junto com a entrega de equipamentos. Com a palavra, a catadora Janaína Moura Pinto, da cooperativa Mãos Dadas, afirmou que o curso e ações nos bairros têm feito a diferença no trabalho dentro do dia a dia.
“O projeto está dando muita visibilidade pra gente. É uma coisa muito positiva porque a sociedade tenta nos esconder. Eu vejo também que a gente tenta entender que a cooperativa não é só aquela parte da triagem, não é só coleta. É mais do que isso”, destaca a cooperada de Canoas.
Para o Alessandro Alves, da cooperativa Univale, de Esteio, o diferencial tem sido aprender sobre a organização do próprio negócio. “A gente precisa de estrutura, galpão, maquinário, caminhão, mas faz parte a gestão do negócio. Não adianta dar um monte de equipamento para nós se a cooperativa não sabe fazer uma boa gestão”, observa.
O curso de capacitação atende cerca de 300 catadores cooperativos e individuais dos dois municípios. Entre os que trabalham sozinhos, estava a Susana Margarida dos Santos Pereira que trabalha há 15 anos com materiais recicláveis em Canoas.
“Isso valoriza muita gente. Não é o dinheiro que estão dando pra gente é o carinho que estamos recebendo. São pessoas que não têm preconceito com a cor da gente”, ressalta.
Projeto construído em conjunto
Foram relatos como esse que Fernando Zamban ouviu. O secretário nacional Economia Popular e Solidária, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), observou que os projetos precisam ser construídos em conjunto.
“Acho que a gente chegou num formato interessante de pensar a política pública para catadores e catadoras do nosso país. Isso porque reconhece o lugar do catador e da catadora, da escuta ativa das necessidades do catador e da catadora. Eu acho que esse é o exemplo mais concreto”, entende Zamban.
Segundo o secretário nacional, os catadores foram vistos sob diversas perspectivas ao longo do tempo: de pessoas em situação de vulnerabilidade social até agentes de proteção do meio ambiente. Agora, é preciso reconhecer como o negócio e profissão.
“Não tem como você imaginar que a dinâmica e a vida dos catadores tenham melhores condições de vida, de trabalho, de renda, de dignidade, se a gente não olhar isso como um negócio, um negócio solidário, sustentável. Nós precisamos deixar legado estruturante para as organizações de catadores”, reforça Zamban.
Qualificação termina no próximo mês
A capacitação das catadoras e dos catadores de materiais recicláveis começou ainda em março com aulas docentes da Unilasalle. A iniciativa segue até o final de junho e será encerrada com uma formatura.
O curso está dividido em seis módulos, cada um composto por três aulas com quatro horas de duração. Cada catador que participa ganha uma bolsa de R$ 250 por aula, já que isso o trabalhador está deixando de estar na cooperativa para estudar.
Entre os assuntos estão a gestão administrativa e financeira das cooperativas e dos recursos próprios, saúde e segurança do trabalho e educação ambiental. As temáticas foram pensadas para sanar as necessidades dos catadores, de acordo com a gerente executiva do ICS, Ravana Marques.
“Essa capacitação é para que eles saibam aproveitar da melhor forma possível esses investimentos. Tanto esses do Conexões, quanto de outros projetos fazem também. A gente fez a parceria com a Unilasalle exatamente para que os catadores se reconheçam enquanto profissionais e enquanto pessoas que têm o direito de estar numa universidade”, comenta.
Pelo lado da Unilasalle, o reitor Irmão Cledes Antônio Casagrande entende que o projeto é uma troca de saberes. “Eu acho que esse tipo de curso transforma vidas. Nós aqui, os professores não entendemos muito de reciclagem, nós temos que aprender isso com vocês. Mas nós podemos ensinar as coisas que nós sabemos. Então, a universidade é esse espaço para para todos, é um espaço inclusivo.”