Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do trabalho das catadoras e catadores, o Instituto Caminhos Sustentáveis (ICS) lançou um curso de capacitação nesta quarta-feira (10) na Unilasalle. A iniciativa, realizada dentro do projeto Conexões Sustentáveis, é voltada para profissionais de nove cooperativas que recolhem materiais recicláveis em Canoas e Esteio. As aulas devem começar em 2026.
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Foto: Paulo Pires/GES
A capacitação está dividida em seis módulos com quatro horas cada. As aulas vão abordar diversos assuntos que influenciam no dia a dia dos catadores, como gestão (administrativa e financeira), educação ambiental, comunicação, direitos humanos, logística reversa, segurança do trabalho e advocacy. Ainda podem ser desenvolvidos temas que envolvem cooperativo e legislações, a exemplo da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
“Olhamos para cada uma das cooperativas e perguntamos ‘o que vocês têm de pontos que o projeto consegue melhorar?’. A partir disso desenvolvemos as etapas do projeto e também desenhamos esse cursos a partir das necessidades deles”, explica a gerente executiva, Ravana Marques.
A formação é voltada para cerca de 250 catadoras e catadores que integram as cooperativas dos dois municípios e será realizada na Universidade La Salle, no Centro de Canoas. Cada participante matriculado receberá material didático e diária.
A importância dessa remuneração é destacada pelo presidente da International Alliance of Waste Pickers (IAWP), Severino Lima Júnior. “Os catadores vão parar de produzir para poder fazer a atividade. O projeto tem esse diferencial porque conseguiu colocar esse aporte financeiro. Durante o período que em que vão estar fora da cooperativa, vai ter essa renda complementar.”
O presidente do ICS, Dione Manetti, reforça esse compromisso com a remuneração. “O que a gente quer firmar é o seguinte: qualificação profissional é trabalho. As pessoas não estão deixando de trabalhar, elas estão trabalhando sim.”
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“É uma grande oportunidade”, afirma catadora
Quando a entidade reconhece a necessidade de prestar o auxílio financeiro é porque tem certeza que o conhecimento vai ser aplicado. Uma das pessoas comprometidas em fazer acontecer é a catadora Michele Ferreira dos Santos, 40 anos.
“Significa mais possibilidade de crescimento. Esse conhecimento ajudar a trazer melhorias para dentro da cooperativa, para auxiliar as pessoas que trabalham comigo também. A forma como foi estruturado o curso, acho que é uma forma diferente do que a gente já participou em outras vezes. São temáticas que tem a ver com o nosso trabalho”, observa.
Michele trabalha há cerca de 14 anos como catadora e agora está como uma das coordenadoras da Cooperativa de Trabalho e Reciclagem – Renascer, localizada no bairro Guajuviras. Fundada em 2011, hoje conta com 23 cooperados.
E é querendo se capacitar na gestão desse pessoal que Michele já tem um módulo em vista. “Me chamou mais a atenção a parte administrativa. Como estou na coordenação, acredito que vai me auxiliar bastante. Eu vejo que é crescimento tanto para nós, como para a cooperativa. É uma grande oportunidade”, destaca.
Também interessado no administrativo está o catador Henrique Cardoso, 26 anos, da Cooperativa Mato Grande Canoense (CMGC). O espaço foi fundado em 2011 e conta com 29 cooperados atualmente.
“A cooperativa ela é um modelo de trabalho e a capacitação quebra alguns medos, alguns paradigmas que a gente acaba criando por ter vergonha, por não conhecer, por não entender, por não ter propriedade sobre o assunto. Então, a partir do momento que o projeto consegue fornecer isso pra gente e consegue remunerar não perder é importante. Isso é gratificante porque é pro nosso pessoal e pro nosso profissional”, ressalta.
Capacitação e melhorias são pilares do projeto
O projeto Conexões Sustentáveis é desenvolvido pelo ICS em parceria com a Petrobras. A proposta sai do papel a partir de quatro pilares, cada uma com suas ações específicas. São elas:
- Promoção do trabalho coletivo, da geração de renda e fortalecimento de cooperativas e outros coletivos de catadores
- Investimentos físicos nas organizações coletivas de catadores e catadores de materiais recicláveis vítimas das enchentes que atingiram o Estado
- Qualificação profissional dos catadores e de suas organizações para as exigências do mercado
- Promoção do desenvolvimento sustentável da economia circular e de medidas de enfrentamento às mudanças climáticas
“O projeto vem trabalhando nessas quatro principais frentes, promovendo o trabalho coletivo, gerando renda, fortalecendo essas cooperativas através de investimentos, através de qualificação profissional, que é um outro grande bloco de ações do projeto e que é o que a gente está lançando”, reforça Ravana.
E o investimento não é apenas em conhecimento, mas também em ferramentas para melhorar o trabalho. Para 2026, estão previstas reformas e fornecimentos de equipamentos para as nove cooperativas que integram o projeto. Confira os investimentos:
- Renascer (Canoas)
Construção de galpão
Prensa e esteira
- Cooarlas (Canoas)
Caminhão
Prensa
- Coopersol (Canoas)
Caminhão
Prensa
- Coopertec (Canoas)
Caminhão
Moinha granulador de cobre
- CMGC (Canoas)*
Construção de galpão
- Coopermag (Canoas)*
Construção de galpão
- Mãos Dadas (Canoas)*
Reforma e ampliação do galpão
- Coopcamate (Canoas)*
Reforma e ampliação do galpão
- Univale (Esteio)*
Caminhão
*Cooperativas que receberão um kit básico de equipamentos, um caminhão, kit escritório e kit cozinha de um projeto da Fundação Banco do Brasil (FBB) executado pela Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol-RS)
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Novos mutirões de reciclagem em 2026
Após um 2025 com quatro mutirões em Canoas, o próximo ano promete mais ações para movimentar os bairros da cidade. Estão previstas pelo menos 12 mutirões de recolhimento de materiais recicláveis.
A ação busca estreitar a relação das comunidades com as cooperativas, reforçando a importância deste trabalho. São promovidas diversas atividades: plantio de mudas, recebido de resíduos recicláveis e atividades educativas e culturais.
“A gente faz todo esse evento aberto, gratuito, divulga, chama a comunidade, coloca os catadores para nos ajudarem na organização. Os catadores são contratados e recebem pelo serviço que eles prestam no dia. A gente abre isso pra comunidade e leva também o trabalho deles. Então, tem esse objetivo geral de conscientizar”, completa Ravana.
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