O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) comunicou, no final da manhã desta terça-feira (4), a suspensão de atendimentos no Hospital Universitário (HU) e Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC). Segundo o Simers, perdura o impasse entre a categoria e a Prefeitura de Canoas, responsável pelos repasses que garantem os pagamentos aos profissionais que atuam nas duas casas de saúde.
“Desde o início das negociações com a atual gestão municipal, o Simers se espanta pelo amadorismo e falta de transparência quanto ao envio de propostas. Conversas de celular ou mensagens por WhatsApp não possuem segurança jurídica para apresentação de propostas aos corpos clínicos do HU e do HPSC”, aponta a nota oficial.
Em assembleias, os profissionais do HU se reuniram na sexta-feira (31) e decidiram pela retomada da suspensão dos atendimentos eletivos, bem como a admissão de novos pacientes desde 19 horas da última sexta. Já os médicos ligados ao HPSC decidiram por um prazo de 48 horas para regularização dos pagamentos que será até meia-noite de quinta-feira (6). Caso siga a inadimplência, os médicos extinguirão contratos.
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“A situação de calamidade do sistema de saúde de Canoas é crônica e perdura há anos, sem que algum governo consiga resolver”, explica o presidente do Simers, Marcelo Matias. “Precisa estar muito claro que os médicos não são os culpados disso. Eles são seres humanos que trabalham e prestam serviços e, por isso, querem receber. Eles têm contas a pagar como todo mundo. Imagine trabalhar meses sem receber?”, argumenta.

Foto: Paulo Pires/GES
Segundo o Sindicato, o Município apresentou um ofício, na última sexta-feira, que continha a informação que a administração analisará a situação financeira a partir do próximo dia 15, para depois verificar a possibilidade de pagamento, mediante a criação de um cronograma. O documento não foi considerado uma proposta. “A única proposta que recebemos foi pela televisão”, afirma. “Porque existe uma discrepância muito grande entre o que o prefeito [Airton Souza] anunciou na TV e o documento apresentado na última sexta-feira apontando uma análise a partir do dia 15 de fevereiro para os pagamentos atrasados de novembro e dezembro. Até porque os médicos já queriam ter recebido há meses”.
Trabalhando pendências
Os pagamentos cobrados pelos profissionais do Hospital Universitário e HPS de Canoas são referente a um acordo firmado com a Prefeitura, ainda no ano passado, referentes aos proventos atrasados dos meses de outubro, novembro e dezembro.
A administração havia encaminhado uma nota no começo da semana apontando que trabalha para colocar as pendências em dia. “Estamos fazendo um esforço enorme para colocar as coisas em dia na saúde”, disse o prefeito Airton Souza, que no sábado (1º) se reuniu com médicos do Hospital Universitário. “Pagamos uma parte do que estava em atraso e agora firmamos este compromisso para o dia 15”.
Estado destina verba
Para sanar a crise na saúde pública, o governo do Estado repassará R$ 1,9 milhão para Canoas. Do montante, mais de R$ 1,4 milhão será destinado ao Hospital Universitário e R$ 441 mil, para o Pronto Socorro. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES), a verba de parcela extraordinária deve ser enviada até a próxima semana.
A reportagem questionou a Prefeitura de Canoas a respeito da suspensão, no entanto, ainda não houve retorno. O espaço segue aberto também para manifestação da Associação Saúde em Movimento, administradora do Hospital Universitário.