Sem respostas para suas demandas, os professores da rede municipal de Canoas aprovaram uma paralisação de um dia. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (9) pelo Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan). A manifestação acontece na próxima terça-feira (14).
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Foto: Sinprocan/Reprodução
Na pauta estão a reposição salarial, o pagamento do piso nacional do magistério, a aplicação da lei do “Descongela” e a valorização da categoria. Segundo a presidente do Sinprocan, Simone Riet Goulart, todas os assuntos já haviam sido apresentados a Prefeitura de Canoas, mas sem resposta.
“A gente quer uma educação de qualidade para as crianças. Não podemos mais ficar no ‘jeitinho’ como foi ano passado. São quase dois meses de aula, e o pessoal já está cansado porque falta segurança, falta profissional e não tem uma resposta concreta dos nossos direitos financeiros”, afirma.
Reunião não teve retorno, avalia sindicato
A falta de ações concretas é a principal reclamação após a reunião entre o Executivo as entidades representativas do funcionalismo público, ocorrida nesta quarta-feira (8). Além do Sinprocan, sindicatos e associações dos servidores que atuam no município também participaram.
A conversa tratou exclusivamente de questões financeiras, principalmente a partir da Lei Complementar nº226/2026, conhecida como a Lei do Descongela, sancionada em janeiro pelo governo federal.
A medida autoriza o pagamento retroativo de quinquênios, anuênios, triênios, sextas-partes e licenças-prêmios a servidores dos âmbitos federal, estadual e municipal. Esses direitos haviam sido suspensos na pandemia de Covid-19.
Agora, com a nova lei, as categorias municipais conversam com a Prefeitura de Canoas para a garantia dos benefícios. “As entidades foram chamadas para esse fim. Mas vão marcar uma outra reunião para trazer informações mais concretas. Ou seja, ontem não teve informação nenhuma”, relata a presidente do Sinprocan.
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Uma lista de demandas
A decisão pela paralisação foi tomada durante uma deliberação feita horas depois da reunião com o Executivo. Isso porque a reivindicação financeira não é a única dos profissionais de educação.
Segundo o sindicato, são 134 dias a espera do plano de carreira. Além disso, há demanda por mais segurança nas escolas e novos profissionais.
“O primeiro grupo de professores foi chamado em fevereiro e até agora teve muito pouco. Começaram a chegar alguns profissionais, mas isso está muito moroso. Entendo que existe uma burocracia, mas está devagar”, observa Simone.
O pedido por mais monitores também é antigo. “A promessa dos monitores prometidos fez um ano semana passada. Agora a promessa é que até o final do mês eles devam chegar nas escolas”, comenta.
Atualmente, a rede conta com pouco mais de 2,4 mil profissionais – 1.934 de carreira, 20 de comissão e cerca de 480 contratados. “Boa parte dos contratados está começando a vencer. Isso vai levar a uma baixa nas escolas”, analisa Simone Riet Goulart.
Todas essas demandas vão se somando e pesando no dia a dia dos professores e demais funcionários que fazem a educação municipal acontecer. “É desafiador, mas a gente sempre tem esperança. A gente sempre vai ter um pouquinho de esperança de que a situação vai ser resolvida”, afirma.
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Como será a paralisação?
Os profissionais da educação municipal vão paralisar na manhã de terça-feira (14). A categoria permanecerá nas escolas, realizando atividades de conscientização e diálogo com a comunidade escolar.
Já na parte da tarde, está programado um ato público na frente da Prefeitura de Canoas, no Centro. Após essa manifestação, o sindicato deve avaliar a situação da categoria. “Vamos parar um dia e vamos colocar o que queremos. Se não formos atendidos, vamos definir como vai ser.”
“Nós estamos em estado de greve, então podemos deflagrar greve a qualquer momento. Mas a gente vai parar esse dia para chamar a atenção para os nossos pedidos e que queremos respostas concretas”, completa a presidente do Sinprocan.
O que diz a Prefeitura de Canoas
A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Canoas informa que não foi informada, até a tarde desta quinta-feira (9), pelo Sinprocan sobre a possibilidade de paralisação dos profissionais da categoria e, por isso, não se manifestará sobre o caso por ora.