O acidente envolvendo uma empilhadeira dentro de um atacarejo em Canoas, no dia 9 de março, já teve um desfecho na Superintendência Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul. Nesta quarta-feira (16), o órgão concluiu a análise do tombamento da transpaleteira e, após apontar falhas organizacionais no planejamento e na execução do trabalho, autuou o Via Atacadista.
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Foto: Reprodução
A investigação esclareceu que a queda da transpaleteira aconteceu enquanto um palete com 1,6 mil quilos de leite condensado era colocado em um drive-in com altura aproximada de 4,80 metros. O tombamento resultou em graves ferimentos a uma cliente, de 19 anos, que fazia compras na loja, localizada no bairro Mathias Velho.
Segundo o relatório da auditoria fiscal, o manual da transpaleteira aponta que cargas deste peso só podem ser erguidas até 2,76 metros — sendo que, para alcançar os 4,8 metros exigidos, o peso máximo deveria ser de 750 kg. O documento destaca que o acidente poderia ter sido evitado caso o equipamento estivesse dotado de dispositivos limitadores, mesmo sendo considerados opcionais pelo fabricante.
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Com isso, o atacarejo foi autuado por não constituir a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), não identificar os perigos no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), não realizar a capacitação periódica do operador, omitir os riscos associados à atividade no campo correspondente do programa (que estava marcado como “não evidenciado”) e pela ausência ou não utilização de cartão de identificação dos operadores de empilhadeiras.
O funcionário que operava o equipamento na data foi demitido. A cliente que ficou soterrada passou por cirurgia e colocou nove pinos na região da pelve. A jovem já recebeu alta e está em casa, de acordo com a última atualização. O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia de Canoas.
O que diz o Via Atacadista
O Via Atacadista foi questionado pela reportagem sobre a conclusão da investigação por parte da Superintendência Regional do Trabalho e disse que ainda não há decisão definitiva por parte do Ministério do Trabalho. Segundo o atacarejo, “a empresa está dentro do prazo legal para apresentar sua defesa e complementar a documentação eventualmente solicitada”.
Abaixo, leia a nota na íntegra:
“O Via Atacadista esclarece que ainda não há decisão definitiva por parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A empresa está dentro do prazo legal para apresentar sua defesa e complementar a documentação eventualmente solicitada.
Reforça, ainda, que sempre pautou suas atividades pelo cumprimento da legislação trabalhista vigente, adotando práticas responsáveis e comprometidas com a integridade nas relações de trabalho. Desde o início do processo, o Via Atacadista tem mantido uma postura transparente e colaborativa junto ao MTE, contribuindo ativamente para a apuração dos fatos.”