abc+

CASO DA EMPILHADEIRA

"Poderia ter sido evitado": Investigação sobre acidente com carga de leite condensado é concluída por Superintendência Regional do Trabalho

Relatório aponta falhas organizacionais do atacarejo e excesso de peso dos paletes que carregavam caixas de leite condensado

Publicado em: 17/04/2025 às 17h:10 Última atualização: 17/04/2025 às 18h:26
Publicidade

O acidente envolvendo uma empilhadeira dentro de um atacarejo em Canoas, no dia 9 de março, já teve um desfecho na Superintendência Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul. Nesta quarta-feira (16), o órgão concluiu a análise do tombamento da transpaleteira e, após apontar falhas organizacionais no planejamento e na execução do trabalho, autuou o Via Atacadista. 

Publicidade

SIGA O ABC+ NO GOOGLE NOTÍCIAS!

Caixas de leite condensando caíram sobre cliente



Caixas de leite condensando caíram sobre cliente

Foto: Reprodução

A investigação esclareceu que a queda da transpaleteira aconteceu enquanto um palete com 1,6 mil quilos de leite condensado era colocado em um drive-in com altura aproximada de 4,80 metros. O tombamento resultou em graves ferimentos a uma cliente, de 19 anos, que fazia compras na loja, localizada no bairro Mathias Velho.

Segundo o relatório da auditoria fiscal, o manual da transpaleteira aponta que cargas deste peso só podem ser erguidas até 2,76 metros — sendo que, para alcançar os 4,8 metros exigidos, o peso máximo deveria ser de 750 kg. O documento destaca que o acidente poderia ter sido evitado caso o equipamento estivesse dotado de dispositivos limitadores, mesmo sendo considerados opcionais pelo fabricante.

FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP

Publicidade

Com isso, o atacarejo foi autuado por não constituir a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), não identificar os perigos no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), não realizar a capacitação periódica do operador, omitir os riscos associados à atividade no campo correspondente do programa (que estava marcado como “não evidenciado”) e pela ausência ou não utilização de cartão de identificação dos operadores de empilhadeiras.

O funcionário que operava o equipamento na data foi demitido. A cliente que ficou soterrada passou por cirurgia e colocou nove pinos na região da pelve. A jovem já recebeu alta e está em casa, de acordo com a última atualização. O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia de Canoas.

O que diz o Via Atacadista

O Via Atacadista foi questionado pela reportagem sobre a conclusão da investigação por parte da Superintendência Regional do Trabalho e disse que ainda não há decisão definitiva por parte do Ministério do Trabalho. Segundo o atacarejo, “a empresa está dentro do prazo legal para apresentar sua defesa e complementar a documentação eventualmente solicitada”.

Publicidade

Abaixo, leia a nota na íntegra:

“O Via Atacadista esclarece que ainda não há decisão definitiva por parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A empresa está dentro do prazo legal para apresentar sua defesa e complementar a documentação eventualmente solicitada.

Publicidade

Reforça, ainda, que sempre pautou suas atividades pelo cumprimento da legislação trabalhista vigente, adotando práticas responsáveis e comprometidas com a integridade nas relações de trabalho. Desde o início do processo, o Via Atacadista tem mantido uma postura transparente e colaborativa junto ao MTE, contribuindo ativamente para a apuração dos fatos.”

Publicidade