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CANOAS

"Tem que ser bem feito", afirmam moradores sobre o dique no bairro São Luís; veja o que se sabe sobre a obra

Projeto integra sistema de proteção da bacia do Rio dos Sinos e traçado precisa do aval de diferentes municípios

Publicado em: 26/08/2025 às 09h:44
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As obras de contenção contra cheias estão acontecendo nos bairros Mathias Velho, Rio Branco, Mato Grande e Niterói, em Canoas. Mas sempre fica a dúvida sobre as intervenções no São Luís que também foi afetado pela enchente no ano passado.

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Valdelírio e Liane dos Santos moram no bairro há mais de 40 anos e passaram pela enchente no ano passado | abc+



Valdelírio e Liane dos Santos moram no bairro há mais de 40 anos e passaram pela enchente no ano passado

Foto: Paulo Pires/GES

E os moradores não esquecem o que aconteceu. “A água chegou a 1,80 m aqui”, conta o aposentado Valdelírio Teixeira dos Santos, 68 anos. Acompanhado da esposa Liane Nunes dos Santos, 67, os dois relembram o fato com tristeza.

“Foi terrível. Em poucos segundos, a água veio e tomou tudo. Estávamos controlando a água desde de manhã naquele dia, mas depois só tivemos tempo de correr”, relata a artesã.

Da casinha verde no final da rua Engenheiro Rebouças – onde costuma funcionar o abrigo da Prefeitura – só sobrou o fogão à lenha na época, comenta o casal. “Tive que trocar todo o assoalho. E eu já tinha trocado uns anos antes. Se não tivesse feito isso, não teria sobrado nada”, frisa Valdelírio.

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Um ano e três meses depois da enchente, os moradores do bairro há mais de quatro décadas olham com seriedade para a obra de contenção prevista. “Todo mundo briga por causa do dique, mas eu concordo com o governador. Que demore, mas que faça bem feito. Não pode ser que nem a 448. A água começou com isso”, opina Liane.

“Temos noção que vai demorar. Não é só a Prefeitura e não é um problema só nosso, é de outras cidades também”, reflete a artesã.

Alaga quando chove

Mas antes das obras, o aposentado relata seu maior incômodo no bairro: um valão antigo sem manutenção. “Qualquer chuva que dá, a água chega acima do pé. Aquela chuva torrencial alaga. É uma coisa pontual nossa. Não tem escoamento. Tem que ter a desobstrução do valão”, afirma.

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“Essa é a nossa mágoa. As casas novas fizeram com um assoalho elevado. O que me deixa triste são os canos de esgoto velho. O que precisamos mesmo é a limpeza do valão”, completa Valdelírio.

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O que se sabe sobre o dique São Luís

No dia 24 de julho, o governador Eduardo Leite prestou alguns esclarecimentos sobre o assunto durante uma coletiva de imprensa na Prefeitura de Canoas. Ele esteve na cidade para anunciar o Tudo Fácil e o repasse de recursos.

As obras do dique São Luís integram o sistema de proteção da bacia do Rio dos Sinos, cujo desenho interfere no planejamento urbano de mais de uma cidade, não só Canoas – a exemplo de Nova Santa Rita e Esteio. O governador fala na necessidade de debater o assunto com os envolvidos.

“Vamos ter discussões que são o traçado do sistema de proteção – ele busca manter a maior área de alague possível, ou seja, fazer proteger aquilo que deve ser protegido e deixar alagar. Porque se eu quiser expandir o perímetro urbano, deixar mais áreas sem ser alagada, eu vou ter que fazer um sistema de proteção muito mais robusto. Isso vai envolver uma discussão com os municípios. Até onde nós queremos proteger e, consequentemente, que tipo de sistema de proteção vai ter que ser implementado lá”, antecipa.

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A construção é uma obra nova, ou seja, será financiada pelo Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos, o Fierce. O fundo foi criado no ano passado pelo governo federal com valor de R$ 6,5 bilhões destinado ao Rio Grande do Sul. 

Bairro São Luís alagado durante a enchente em maio de 2024 | abc+



Bairro São Luís alagado durante a enchente em maio de 2024

Foto: Paulo Pires/GES

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O Rio Grande do Sul possui pelo menos sete projetos elencados em uma resolução do fundo, publicado em dezembro do ano passado. O projeto da bacia do Rio do Sinos é um deles – com valor de R$ 1,9 bilhão incluindo os municípios de Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, Nova Santa Rita, Rolante, Novo Hamburgo, Campo Bom, São Leopoldo, Igrejinha e Três Coroas.

As intervenções incluem o sistema e elevação dos diques e alternativas estruturais na bacia. O projeto está no nível de Estudo de Impacto Ambiental (Eia) e de Relatório de Impacto Ambiental (Rima), segundo o governador.

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“Sobre o São Luís, o que importa é que é uma parte da cidade que deverá estar contemplada no sistema de proteção do Rio dos Sinos, que lá no Fierce, de R$ 6,5 bilhões, estão Eldorado do Sul, o Arroio Feijó – que pega Alvorada e Porto Alegre – Sinos e Gravataí. E os estudos e projetos para a bacia do Caí, além das obras de Porto Alegre e São Leopoldo”, detalha.

Prefeitura faz estudo da área

Desde de novembro, a empresa Encop Engenharia é a responsável pela elaboração de estudos hidrológicos e levantamentos sobre o terreno na região. Conforme consta no edital, a contratada também deve entregar projeto básico dos diques, das casas de bombas e de comportas e canais de microdrenagem.

Além disso, laudos de avaliação das áreas impactadas, desapropriações, desmembramentos; orçamento geral e memoriais; e relatório do estudo de viabilidade técnica precisam ser elaborados.

Uma das fiscais do contrato é a secretária adjunta de Projetos e Captação de Recursos, Jerusa Mattos. “O contrato está em execução, onde estamos concluindo a atualização dos estudos hidrológicos, que é a primeiríssima etapa, que dá um diagnóstico do quão essa última enchente atingiu o território. O diagnóstico daquele território, os ensaios laboratoriais, de que estruturas seriam mais indicadas para a proteção do território”, explica.

A fiscalização também é feito por um engenheiro ambiental e um civil. “A partir do diagnóstico é feito uma tomada de decisão para seguir com o projeto básico, captar via Fierce, aproveitando esses estudos já que Canoas está muito evoluída neste sentido. O Estado, a União através do Estado, não precisaria fazer a contratação desse estudo já que já temos eles prontos”, observa Jerusa.

A adjunta ainda relembra a fala do governador sobre o Eia-Rima da bacia, que está em análise na Fundação Ambiental de Proteção Ambiental (Fepam). “Mas isso não dispensa, de forma alguma, que o Estado contrate uma atualização de estudo hidrológico, seria um próximo passo e já fizemos isso. Teremos um diagnóstico em breve e esses estudos poderão ser aproveitados sim dentro da contratação dessas estruturas novas no Fierce”, completa.

Estudo de 2018 sugere traçado

Os estudos que estão sendo feitos pela Prefeitura de Canoas levam em consideração um documento anterior, elaborado e publicado entre 2015 e 2018 pela Fundação Estadual de Planejamento Urbano Metropolitano e Regional (Metroplan) e pelo consórcio das empresas Cohidro Consultoria, Estudo e Projetos LTDA; MJ Engenharia LTDA; e Encop Engenharia LTDA – esta última responsável pelo atual estudo em Canoas.

A administração municipal solicitou a atualização deste estudo, baseando-se nos impactos da enchente de 2024 e na sugestão da criação do pôlder da BR-448 – uma das alternativas propostas na época. O traçado consta no Aviso de Dispensa Eletrônica com Disputa nº 358/2024 que contratou a Encop Engenharia. 

Traçado consta no estudo desenvolvido pelo consórcio Metroplan da Bacia do Rio dos Sinos | abc+



Traçado consta no estudo desenvolvido pelo consórcio Metroplan da Bacia do Rio dos Sinos

Foto: Portal da Transparência/PMC

“Criação de um pôlder, na região limitada a oeste pela BR-448 e a leste pela BR-116, a Norte pela BR-448 no município de Esteio e a Sul pelo Bairro Mathias Velho”, detalha. O traçado abrande Canoas, Nova Santa Rita, Esteio e Sapucaia do Sul – municípios que integram o baixo Sinos.

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