Arremessa bola para o lado, arremessa bola para o outro. Ataca, defende. Rebate. Corre até a base. Faz a volta e marca ponto. Esse é o jogo de beisebol e de softbol, já tradicionais nos Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Venezuela. Mas não precisa ir muito longe. Perto dos canoenses, tem uma escola que dá os primeiros passos no esporte e sonha alto.
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Foto: Paulo Pires/GES
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Tancredo Neves, no bairro Estância, o professor de Educação Física, Marcus Vinicius Santos, é esse sonhador. Há pouco mais de três anos, ele vem colocando os estudantes para praticar as modalidades na quadra da escola.
Mesmo tendo dificuldade e adaptando com cabo de vassoura e bolinha de tênis o professor seguiu com a ideia. A sua experiência vem de 15 anos de docência na Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Érico Veríssimo, no Igara, onde também desenvolveu um time.
“Sempre tentei introduzir isso nas escolas. Só que eu tinha um problema com material, era muito caro, mas improvisando dava certo. Há uns quatro anos atrás, eu conheci um pessoal de Gravataí que tem um time de softbol, que é uma variação do beisebol, mas que tem um jogo mais adaptável para a escola. Começamos a jogar também”, conta.
Mas só jogar não foi o suficiente para os estudantes. “Quando eu comecei, os alunos foram gostando. E eles me perguntaram: ‘professor, não tem campeonato?’. É muito ruim eles treinarem e não terem como jogar. Ai achamos um time que treina em Porto Alegre também. O pessoal de Gravataí viabilizou e fizemos um jogo contra”, destaca.

Foto: Paulo Pires/GES
Quem gosta de jogar é o Cassiano Friedriech, 11 anos. “Eu gosto de muitas coisas, mas gosto mais da adrenalina do esporte. É muito legal”, comenta o aluno do 3º ano. E ele não é o único. O estudante Natã Benjamim Alves, 16, manteve o interesse pela modalidade mesmo depois de formado no fundamental. “Estou repassando todo os passos, relembrando como é tudo para jogar bem. Eu gosto muito de jogar e hoje é algo que me faz bem”, frisa.
Interesse do professor começou do outro lado do mundo
Por cerca de uma década, o professor Marcus morou no Japão, trabalhando em fábricas no país. E foi lá que ele conheceu o esporte. “Fui ver um jogo de futebol e quando sai vi um estádio diferente, olhei, entrei e vi a torcida gritando. Era beisebol e não entendi nada, mas gostei. No Japão, eu comecei a acompanhar e virou paixão”, relembra.
E o entusiasmo não era só dele. “Na fábrica, o pessoal levava bolinha e luva. Então, na hora do almoço ficavam jogando a bola um para o outro. O que para nós é o futebol, para eles é isso”, frisa.
Para Marcus, o beisebol não carrega só a paixão, mas também valores. “Eu acredito, de coração, na formação de um cidadão através do esporte. Eu acho todas as disciplinas importantíssimas, só que quando se trata da formação do cidadão. Eles vão ver que não se ganha tudo e que precisa melhor quando perde. É caráter, respeito e disciplina. Enfrentar o adversário com respeito é fascinante para mim, não só aqui, mas em qualquer esporte.”
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Sonho de ter campeonato e futuros atletas
As equipes organizadas pelo professor já participaram de pequenas competições. “Cresceu muito, mas ainda tem muito a ser conquistado ainda. Em Canoas, tinham duas escolas que jogavam. A Tancredo Neves e Érico Veríssimo porque eu era o professor das duas. E quando eu sai da Érico, ficou só o Tancredo. É um sonho meu de um dia ainda ter um campeonato em Canoas entre as escolas. Eu tenho certeza que na hora que conheceram a modalidade vão gostar também. Pelo menos umas cinco, seis escolas vamos conseguir para jogar”, afirma o professor.
Outro sonho é o de revelar um jogador. Nesta quarta-feira (6), os alunos participaram de uma seletiva organizada pela Major League (MLB) e pela Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS). A iniciativa contou com o apoio da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer de Canoas (Smel). No Parque Eduardo Gomes, no Fátima, os jovens arremessaram bolas, correram pelas bases e rebataram bolas.
A ação visa disseminar o esporte e selecionar potenciais atletas, segundo o presidente da CBBS, Thiago Caldeira. “É encontrar novos talentos, levar para o nosso centro de treinamento e lapidar para ser contrato pela Major League Baseball no futuro”, explica.