De Rachel de Queiroz a Patrícia Melo, passando pela recente obra da professora paranaense Ana Rapha Nunesa, que escreveu sobre o desastre em Mariana, é longa a tradição de escritoras que transformam a dor pessoal de uma tragédia em expressão de arte.
Foi o que fez a canoense Taís Fagundes, que viveu as cheias que inundaram metade de Canoas em 2024 não como observadora; foi também vítima da maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul.

Foto: BETHINA ENDLER
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Moradora do bairro Harmonia, Taís expressou-se por meio de palavras e imagens para criar o belo “Bergamota”, que acaba de receber o importante Prêmio Laurel Verbum 2026 de Literatura de Entretenimento, na categoria Infantojuvenil.
O reconhecimento com a premiação nacional coroa um trabalho lúdico que partiu de uma ideia simples apenas na aparência:
“Meu filho Augusto tinha apenas 3 anos na época e pensei em como poderia explicar a ele tudo o que aconteceu. Foi a partir daí que desenvolvi a narrativa”, explica.
“Bergamota” narra a história de Albinha, uma menina que vê seu mundo ser inundado após certo dia em que começa e não para mais de chover.
O desastre visto pelos olhos de uma criança convida à reflexão e provoca o pequeno e grande leitor sobre o que fazer diante da triste realidade.
“Acho que a questão do clima e do tempo permanece um assunto urgente, mas não apenas a ser discutido entre adultos. As crianças também precisam entender o que se passa ao redor delas.”
Aos 36 anos, a canoense está feliz com o projeto e agora trafega em uma agenda que inclui encontros com o público-alvo.
“É maravilhoso ver que o quanto ‘Bergamota’ cresceu”, diz. “Estive na Bebeteca [da Biblioteca Pública Municipal João Palma da Silva] recentemente e pude perceber um pouco do carinho com que as crianças estão tratando o livro.”
De porta em porta
Embora tenha escrito uma obra literária, não foi do dia para a noite que “Bergamota” saltou do livro para o projeto trabalhado em escolas.
Mesmo com sua obra de estreia – “Papel Amassado” – já publicada, Taís conta que foi necessário muito esforço para que a obra alcançasse o reconhecimento.
“Ninguém bateu à minha porta”, afirma. “Fui eu quem colocou o livro debaixo do braço e passei a bater de porta em porta para apresentá-lo”, brinca.
A escritora explica que levou “Bergamota” a bibliotecas públicas municipais, estaduais e comunitárias de Canoas, como meio de incentivo à leitura das crianças. O esforço acabou sendo reconhecido.
Em dezembro do ano passado, ela recebeu o Prêmio Elas Transformam, da Junta Comercial, Industrial e Serviços do Rio Grande do Sul, voltado a projetos inovadores liderados por mulheres.
“Acho importante ressaltar que meu trabalho transcendeu os limites de Canoas, mas permanece sendo uma obra escrita por uma canoense sobre Canoas, citando espaços e lugares conhecidos por todos”, salienta.
Onde encontrar?
“Bergamota” pode ser lido ou comprado a qualquer momento por meio da plataforma Amazon. Também é possível achá-lo em sites especializados da Martins Fontes e Travessa. Já quem quiser entrar em contato com a escritora, basta seguir a Taís Fagundes no @tf.taisfagundes.