A UTI Neonatal do Hospital Universitário (HU) de Canoas está operando com capacidade reduzida. O setor conta com 35 leitos, mas, até o final da tarde desta quarta-feira (14), apenas 15 estavam ocupados. A informação foi divulgada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers).
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Foto: Divulgação/Simers
O problema ocorre porque há dificuldade em manter os especialistas nas escalas ou encontrar novos interessados. O motivo, segundo a entidade, é a falta de pagamento dos salários aos profissionais.
A Secretaria Municipal de Saúde de Canoas nega as irregularidades. Por nota, informou que, oficialmente, há 20 leitos na UTI Neonatal do HU. Garante ainda que os salários foram pagos no dia 7 de janeiro de 2026, dentro do prazo previsto no contrato vigente com a Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora do HU. A escala de profissionais também estaria completa, conforme texto enviado pela Prefeitura de Canoas (confira a nota na íntegra abaixo).
Nesta manhã, uma equipe do Simers esteve no hospital para verificar as condições de atendimento. A conselheira Denise Affonso conversou com os profissionais e com o diretor clínico (que representa os médicos), Marcos André dos Santos, que também é diretor do Simers.
Sem responsável técnico
Os leitos ocupados eram assistidos por um médico rotineiro e um plantonista. Segundo o Simers, em alguns turnos há somente um médico especialista, que precisa ainda atender o centro obstétrico.
Além disso, UTI Neonatal está sem responsável técnico — profissional que garante suporte às equipes e coordena ações de emergência, por exemplo. Os médicos já solicitaram à direção do HU e ao Cremers a restrição nos atendimentos, mas não obtiveram retorno.
“Se no turno em que estiver só um plantonista ou rotineiro na escala, e ocorrer mais de uma intercorrência, ou for preciso prestar auxílio na obstetrícia, há risco iminente à vida”, salientou Denise Affonso.
O diretor clínico concordou e mostrou preocupação com a dificuldade do hospital para conseguir profissionais. A equipe do Simers e o diretor clínico se reuniram ainda com representantes da direção do HU e da Medintegra, empresa responsável por organizar as escalas, expondo os riscos à assistência e cobrando que os honorários sejam quitados.
O que diz a Secretaria de Saúde de Canoas
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde, informa que, conforme informado pela empresa responsável pelo provimento das equipes médicas da UTI Neonatal e da Sala de Partos, todos os profissionais tiveram os valores integralmente quitados no dia 7 de janeiro de 2026, dentro do prazo previsto no contrato vigente com a Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora do HU Canoas, não havendo qualquer atraso.
O texto informa que, em relação à assistência, a escala de médicos plantonistas está organizada de acordo com o dimensionamento recomendado pela legislação em vigor. No dia 14 de janeiro de 2026, data da visita do sindicato ao Hospital Universitário, a escala da UTI Neonatal encontrava-se completa, com dois médicos especialistas em atendimento no setor, além de médica atuando na Sala de Partos, conforme registros formais da instituição.
Quanto ao quantitativo de leitos, a Prefeitura esclarece que o número oficialmente disponibilizado e regulado da UTI Neonatal do HU Canoas é de 20 leitos, conforme protocolo vigente, e não de 35, como mencionado na nota divulgada pelo Simers.
A Prefeitura reforça que acompanha permanentemente a execução dos contratos, o funcionamento das escalas médicas e a organização da assistência neonatal, mantendo diálogo contínuo com a gestão hospitalar e as empresas responsáveis, com o compromisso de garantir a continuidade e a qualidade do atendimento prestado à população canoense.