Na véspera da paralisação marcada pelos médicos do Hospital Universitário e UPAs em Canoas, nesta quarta-feira (17), a Prefeitura anunciou o repasse de R$ 2,6 milhões para colocar em dia o pagamento dos profissionais. O Sindicato Médico analisou a proposta em assembleia geral e, no fim da noite desta terça-feira (16), informou que a suspensão das atividades está confirmada para esta quarta.

Foto: Paulo Pires/GES
FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP
Durante sessão solene da Câmara de Vereadores, alusiva à Semana Farroupilha, na noite desta terça-feira (16), o prefeito Airton Souza, falou que assumiu junto ao Sindicato Médico do RS compromisso de colocar em dia os pagamentos dos médicos que atendem no Hospital Universitário e nas UPAs.
“Hoje [terça] foram depositados R$ 720 mil. Amanhã [quarta] será depositado mais R$ 600 mil e, no próximo dia 25, vamos pagar mais R$ 1,3 milhão para colocar em dia os salários dos médicos”, disse Airton.
Ele garantiu que o compromisso será honrado. “Será cumprido, sim, para que todos os canoenses tenham assistência na área da saúde, que não falte médico.” Airton lamentou ainda as dificuldades financeiras enfrentadas por sua gestão, principalmente pelos impactos da enchente de maio de 2024. “Nossa arrecadação caiu bastante.”
A decisão de paralisar as atividades desta quarta havia sido tomada pelos médicos justamente por conta do atraso no pagamento dos honorários dos profissionais contratados como pessoa jurídica. Há médicos que dizem estar sem receber desde o mês de fevereiro.
LEIA TAMBÉM: Prefeitura seleciona entidade interessada em gerir o Samu em Canoas
Simers defende a intervenção
Diante do histórico de atrasos e ainda antes do anúncio dos pagamentos, o presidente do Simers alertou ontem para a falta de profissionais. “Justamente pelos atrasos contínuos nos pagamentos, as escalas dos médicos já estão incompletas. Independente do movimento, já há restrições pela falta de profissionais. Em alguns turnos no hospital, não há anestesistas e isso não tem nada a ver com a paralisação, que é ética e justa, tem a ver com a impossibilidade de fechar as escalas porque é difícil convencer as pessoas a trabalharem de graça”, diz Marcelo Matias.
Para ele, o repasse da gestão da saúde para o governo federal ou estadual seria a solução. “A intervenção retiraria da Prefeitura a maioria do custo da manutenção. O Município não consegue honrar com os pagamentos.”