O cenário de incertezas pela falta de pagamento dos médicos permanece em Canoas. Segundo o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), a partir desta quarta-feira (17), centenas de médicos que atuam no Hospital Universitário (HU) suspenderão os atendimentos eletivos no local. A mobilização ocorre devido ao atraso recorrente de honorários dos profissionais contratados como Pessoa Jurídica (PJ).

Foto: Paulo Pires/GES
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“Há um conjunto de muitos contratos distintos, ou seja, há médicos que estão há mais tempo sem receber do que outros. Têm profissionais que estão desde fevereiro sem pagamento, por exemplo. Alguns médicos receberam na última sexta-feira [12] referente apenas à produção mensal, não todo o valor devido. São meses em atraso”, esclarece o presidente do Simers, Marcelo Matias.
Matias explica que a previsão de suspensão dos procedimentos eletivos no HU se mantém até que haja à quitação dos valores em aberto e a melhoria das condições de trabalho. De acordo com ele, haverá reduções significativas nos atendimentos ambulatoriais.
“Os procedimentos dos pacientes internados vão continuar ocorrendo, claro, dependendo da presença de anestesistas. Seguimos à disposição e em contato na busca por soluções. Pedimos que os pagamentos sejam realizados e as condições de trabalho melhorem. A Prefeitura de Canoas e a Secretaria Municipal de Saúde estão cientes de toda a situação.”
Escala incompleta
Diante do histórico negativo de pagamentos, Matias alerta para a falta de profissionais.
“Justamente pelos atrasos contínuos nos pagamentos, as escalas dos médicos já estão incompletas. Independente do movimento, já há restrições pela falta de profissionais em áreas vitais. Em alguns turnos no hospital, não há anestesistas, e isso, não tem nada a ver com a paralisação, que é ética e justa, tem a ver com a impossibilidade de fechar as escalas porque é difícil convencer as pessoas pela perspectiva de trabalharem de graça”, diz.
Defesa de intervenção
Para o presidente do Simers, o repasse da gestão plena da saúde pelo Município para o governo federal ou do Estado seria a solução mais rápida e eficaz.
“A intervenção retiraria da Prefeitura a maioria do custo do encaminhamento da manutenção. Há dificuldades financeiras, o Município não está conseguindo honrar com os pagamentos. Somos parceiros da cidade de Canoas. Defendo o repasse da gestão plena da saúde para todos os hospitais.”
Matias cita a necessidade de enfrentamento mais efetivo.
“Os atrasos se mantêm imutáveis, infelizmente. A saúde permanece constantemente em crise em Canoas. As crises repetem um mesmo padrão ao longo dos anos. A ideia de retirar a gestão plena do Município é uma forma de enfrentar os problemas buscando uma solução mais efetiva”, conclui.
Terceirização
Em dezembro de 2024, a Prefeitura de Canoas assinou a ordem de início de serviço da nova gestão do Hospital Universitário (HU). Com a formalização, a Associação Saúde em Movimento (ASM) passou a administrar a instituição, que estava sob intervenção da administração municipal desde 27 maio de 2022. A ASM, que possui sede em Salvador (BA), venceu a licitação aberta ainda no ano de 2023. O contrato com a ASM possui prazo de cinco anos.
Sem manifestação
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Canoas informou que “não se manifestará agora”.