abc+

DENÚNCIA

"A gente tem que lutar", diz mãe de menino de 11 anos que sofreu racismo em escola de Novo Hamburgo

Caso do início deste mês chegou aos familiares após bilhete enviado por professora

Publicado em: 18/06/2025 às 13h:21 Última atualização: 18/06/2025 às 13h:25
Publicidade

Atos de racismo cometidos por colegas de um menino de 11 anos revoltam a família do estudante em Novo Hamburgo. Segundo a mãe da vítima, a criança teria sofrido com piadas racistas já no ano passado, mas, na sexta-feira do dia 6 de junho, uma professora presenciou e enviou um bilhete aos parentes. Foi neste momento que a família tomou conhecimento de que o estudante seguia sendo alvo dentro de outros alunos do Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, no bairro Canudos.

Publicidade

CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Vítima escreveu a frase no caderno como um ato de pedido por justiça | abc+



Vítima escreveu a frase no caderno como um ato de pedido por justiça

Foto: Paola Altneter/GES-Especial

LEIA TAMBÉM: CHUVA NO RS: Duas mortes, um desaparecido e 51 cidades afetadas pelo tempo severo

No mesmo dia, a mãe do menino compareceu à escola para entender o caso. Na sequência, decidiu registrar um boletim de ocorrência.

Na segunda-feira seguinte ao ocorrido, ele compareceu nas aulas, mas não conseguiu retornar por se sentir desconfortável ao compartilhar o mesmo ambiente com uma das estudantes que praticou o crime.

Publicidade

CASO EM CANOAS: “Minha filha só contou a verdade à Polícia”, diz mãe de estudante de Canoas vítima de injúria racial em grupo de WhatsApp

A menina que teria proferido ofensas pessoalmente foi suspensa e trocada de turno na escola. Mas uma amiga dela, após serem separadas, passou a enviar mensagens discriminatórias por meio das redes sociais. A mãe da vítima abriu um segundo boletim de ocorrência, registrando as mensagens recebidas, e também pede pela transferência de turno da menina.

A família conta com o apoio de uma advogada e está buscando auxilio psicológico para atendimento ao estudante. “O racismo é crime sim, e a gente tem que mostrar que pode defender a nossa cor. Eu sei que dói, mas a gente tem que lutar e não pode ficar calado, porque para combater, só gritando aos quatro cantos do mundo”, desabafa a mãe da criança.

Publicidade

ENTRE NO NOSSO CANAL NO WHATSAPP

O pai da vítima também expressa tristeza e busca justiça. “A gente nunca acha que um dia vai acontecer dentro da casa da gente, isso ninguém merece. Acho que os pais tem que sentar e conversar mais com as crianças”, ressalta.

Publicidade

O que diz a instituição

Ao ser procurada pela reportagem, a direção do Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig informou que desde que tiveram o conhecimento dos casos, a escola tem se posicionado de forma ativa e colaborativa, realizando reuniões com os pais dos alunos envolvidos para tratar da questão.

“Confirmamos que uma das alunas agressoras foi suspensa e teve sua transferência de turma e turno efetuada. Em relação à segunda estudante envolvida, que proferiu ofensas racistas via redes sociais, a escola já realizou uma reunião com sua responsável, e a Polícia Civil foi notificada sobre a agressão racial pela mãe do aluno. A instituição está tomando as providências cabíveis e continuará acompanhando o caso para garantir que todas as medidas disciplinares e pedagógicas sejam aplicadas conforme o regimento escolar e a legislação vigente”, informou.

CONFIRA: CHUVA NO RS: Deslizamentos de terra colocam casas sob risco de desmoronamento em três bairros de Novo Hamburgo

Publicidade

Além disso, reforçam que, para incentivar o retorno do aluno e garantir o bem-estar dele, a escola está comprometida em criar um ambiente seguro e acolhedor.

“Além das medidas disciplinares contra os agressores, a mãe do aluno autorizou o uso da imagem do filho para uma campanha antirracismo nas redes sociais da escola, o que demonstra um esforço conjunto para reverter a situação e mostrar apoio ao aluno. A escola está aberta ao diálogo contínuo com a família para definir as melhores estratégias de reintegração, incluindo acompanhamento psicopedagógico, se necessário”, destacaram.

Publicidade
Publicidade