Atos de racismo cometidos por colegas de um menino de 11 anos revoltam a família do estudante em Novo Hamburgo. Segundo a mãe da vítima, a criança teria sofrido com piadas racistas já no ano passado, mas, na sexta-feira do dia 6 de junho, uma professora presenciou e enviou um bilhete aos parentes. Foi neste momento que a família tomou conhecimento de que o estudante seguia sendo alvo dentro de outros alunos do Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, no bairro Canudos.
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Foto: Paola Altneter/GES-Especial
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No mesmo dia, a mãe do menino compareceu à escola para entender o caso. Na sequência, decidiu registrar um boletim de ocorrência.
Na segunda-feira seguinte ao ocorrido, ele compareceu nas aulas, mas não conseguiu retornar por se sentir desconfortável ao compartilhar o mesmo ambiente com uma das estudantes que praticou o crime.
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A menina que teria proferido ofensas pessoalmente foi suspensa e trocada de turno na escola. Mas uma amiga dela, após serem separadas, passou a enviar mensagens discriminatórias por meio das redes sociais. A mãe da vítima abriu um segundo boletim de ocorrência, registrando as mensagens recebidas, e também pede pela transferência de turno da menina.
A família conta com o apoio de uma advogada e está buscando auxilio psicológico para atendimento ao estudante. “O racismo é crime sim, e a gente tem que mostrar que pode defender a nossa cor. Eu sei que dói, mas a gente tem que lutar e não pode ficar calado, porque para combater, só gritando aos quatro cantos do mundo”, desabafa a mãe da criança.
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O pai da vítima também expressa tristeza e busca justiça. “A gente nunca acha que um dia vai acontecer dentro da casa da gente, isso ninguém merece. Acho que os pais tem que sentar e conversar mais com as crianças”, ressalta.
O que diz a instituição
Ao ser procurada pela reportagem, a direção do Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig informou que desde que tiveram o conhecimento dos casos, a escola tem se posicionado de forma ativa e colaborativa, realizando reuniões com os pais dos alunos envolvidos para tratar da questão.
“Confirmamos que uma das alunas agressoras foi suspensa e teve sua transferência de turma e turno efetuada. Em relação à segunda estudante envolvida, que proferiu ofensas racistas via redes sociais, a escola já realizou uma reunião com sua responsável, e a Polícia Civil foi notificada sobre a agressão racial pela mãe do aluno. A instituição está tomando as providências cabíveis e continuará acompanhando o caso para garantir que todas as medidas disciplinares e pedagógicas sejam aplicadas conforme o regimento escolar e a legislação vigente”, informou.
Além disso, reforçam que, para incentivar o retorno do aluno e garantir o bem-estar dele, a escola está comprometida em criar um ambiente seguro e acolhedor.
“Além das medidas disciplinares contra os agressores, a mãe do aluno autorizou o uso da imagem do filho para uma campanha antirracismo nas redes sociais da escola, o que demonstra um esforço conjunto para reverter a situação e mostrar apoio ao aluno. A escola está aberta ao diálogo contínuo com a família para definir as melhores estratégias de reintegração, incluindo acompanhamento psicopedagógico, se necessário”, destacaram.