Com apenas 30% das 91 escolas de educação infantil e básica adaptadas para alunos com mobilidade reduzida em Novo Hamburgo, a Secretaria de Educação (Smed) planejou uma série de ações visando garantir acessibilidade física aos estudantes. Conforme o titular da pasta, André Luís da Silva, o objetivo promover as adaptações em até 60% das instituições de ensino até o final de 2026. “Queremos que 100% das escolas estejam adaptadas até o fim do governo [2028].”

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Silva explica que os maiores problemas estão nos acessos às escolas. Para evitar maiores transtornos aos alunos, a Smed recorre à transferência. Isso acontece no momento da matrícula escolar, ainda no início do ano letivo. “Se não for possível fazer a mudança, vamos adaptando à medida que tenha necessidade.”
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Para efetivar a acessibilidade nas escolas, o plano da Secretaria contempla a instalação de rampas de acesso, corrimãos e banheiros adaptados. Além disso, haverá a implementação da comunicação alternativa e aumentativa (CAA). O recurso vai auxiliar estudantes a se localizarem dentro da escola, ampliando a autonomia utilizando placas de sinalização.
Adaptações
Tornas as escolas mais acessíveis aos alunos leva em conta três tipos de adaptações: físicas, inclusiva e contínua. Na primeira, o foco está na instalação de rampas e corrimões, assim como na adaptação de banheiros, garantindo a segurança e locomoção dos estudantes com deficiência.
A segunda consiste na criação de uma cultura de inclusão dentro das escolas, focando na integração dos alunos. Enquanto na terceira, a Secretaria da Educação tem como meta adaptar mais da metade das escolas municipais, visando garantir acessibilidade física aos frequentadores.
Inspiração em Simone
Silva destaca que sua grande inspiração para o projeto está em Simone Schneider, ex-secretária da Educação, falecida em julho deste ano. “Quando eu chego na Smed, em março, a Simone me trouxe essa meta [aumentar a acessibilidade]. Ela estava muito assustada com a situação de Novo Hamburgo.
Para cumprir a meta, verbas vinculadas com a Educação serão repassadas diretamente às escolas. “Queremos que os alunos se sintam motivados em ir para a escola”, completa.
Escola planejada
Localizada na Rua Wilibaldo Rodrigues da Silva, a Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Sabiá, foi inaugurada em 2023 e custou mais de R$ 3 milhões aos cofres públicos. O prédio de 1.300 metros quadrados conta com 10 salas de aula, sala multi-uso, 11 banheiros, refeitório, cozinha, pátio coberto, jardim, depósito, sala de reuniões e salas administrativas.
Ao contrário de outras instituições de ensino do município, a Emei Sabiá teve a acessibilidade garantida durante o planejamento. “A estrutura do prédio foi pensada para ser uma escola acessível. Isso faz toda a diferença e ajuda a qualificar nosso atendimento”, afirma a diretora Bibiane Dias Rossi.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Com cerca de 250 alunos, a escola conta com piso tátil em toda sua extensão. Dos 11 banheiros, quatro são adaptados. “Dois infantis e outros dois para adultos.” Nas salas, seis possuem trocadores e chuveiros com adaptação, além de um trocador com chuveiro utilizado por crianças que estão na pré-escola.
A escola é frequentada por estudantes dos 0 aos 5 anos e funciona em turno integral. Com a facilidade para acessar, pais e responsáveis costumam inclusive levar carrinhos e mante-los na instituição a fim de facilitar a ida e vinda dos alunos”, salienta Bibiane.
Entre os alunos, um menino de 5 anos tem dificuldades de locomoção, ainda assim, circula livremente pelo pátio e salas de aula. “Ele não consegue caminhar sozinho. Os colegas ajudam a circular pelo pátio, mas também faz as atividades livremente”, afirma a diretora.
Além do pequeno, alguns responsáveis também possuem necessidades especiais. “Conseguimos ter qualidade de atendimento, desde os visitantes até às crianças”, reforça.
Facilidade
Apesar de não ter dificuldades de locomoção, a pequena Antonella, de 1 ano e 6 meses, também aproveita a estrutura da escola. “Ela entra e sai sem problemas, não existem obstáculos no caminho”, conta a mãe da menina, Pamela Carolina dos Santos, 26 anos, que mora no bairro Santo Afonso.
Para a diretora, o planejamento na hora de construir é a principal diferença da Emei Sabiá para outras escolas, como a Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Caldas Júnior, também no Santo Afonso.
“Precisaram adaptar o trocador dos pequenos, por exemplo. Por conta do pouco espaço, dificultava bastante na hora de trocar as fraldas das crianças”, completa.