abc+

Acessibilidade

ADEVIS-NH pede ajuda para continuar atendendo deficientes visuais em Novo Hamburgo

Com quase 37 anos de história, entidade enfrenta dificuldades financeiras e busca doações para manter serviços essenciais de reabilitação e inclusão

Dário Gonçalves
Publicado em: 11/03/2025 às 18h:06 Última atualização: 11/03/2025 às 18h:06
Publicidade

A Associação dos Deficientes Visuais de Novo Hamburgo (ADEVIS-NH), entidade fundada em 25 de junho de 1988 por familiares de crianças com deficiência visual, enfrenta uma grave crise financeira e faz um apelo à comunidade para manter suas atividades. Com quase 37 anos de história, a instituição é a única na região a oferecer reabilitação gratuita para pessoas cegas e com baixa visão, sendo essencial para a inclusão e autonomia desses cidadãos.

Publicidade

Ricardo Seewald e Milton da Costa, presidente e vice-presidente da Adevis-NH | abc+



Ricardo Seewald e Milton da Costa, presidente e vice-presidente da Adevis-NH

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Hoje, a ADEVIS-NH atende entre 70 e 80 pessoas, prestando serviços fundamentais, como apoio pedagógico a deficientes visuais que frequentam a rede escolar, produção de material em Braille para educação e cultura, além de manter uma biblioteca com acervo tiflológico (Braille, alto-relevo e caracteres ampliados) e um extenso catálogo de audiolivros.

“Sem esse apoio, muitas pessoas com deficiência visual ficariam sem acesso ao conhecimento, à reabilitação e ao encaminhamento para serviços de saúde. Nosso trabalho vai muito além do assistencialismo; buscamos autonomia para essas pessoas”, destaca o presidente da ADEVIS-NH, Ricardo Seewald.

Dificuldades financeiras ameaçam atendimentos

Apesar do histórico de colaboração com a Prefeitura de Novo Hamburgo, com termos de parceria firmados na área da Assistência Social, Educação e Cultura, a entidade enfrenta dificuldades para custear despesas básicas, como folha de pagamento dos profissionais, aluguel, energia e água.

Publicidade

Atualmente, a ADEVIS-NH tem dois termos de cooperação com a Secretaria de Desenvolvimento Social, atendendo 62 e 70 pessoas, e um terceiro já aprovado. No entanto, os recursos provenientes dessas parcerias não são suficientes para cobrir todos os custos, que ultrapassam R$ 10 mil mensais.



Publicidade

Com a troca de governo municipal, a diretoria já buscou diálogo com representantes da nova administração e, nesta quarta-feira (12), terá uma reunião com o chefe de gabinete para discutir possibilidades de apoio.

“A comunidade hamburguense já conhece nosso trabalho e sempre foi solidária, mas agora precisamos ampliar a divulgação para atravessar essa fase difícil. Qualquer ajuda faz diferença para mantermos as portas abertas”, reforça Seewald.

Publicidade

A ADEVIS-NH também estabelece parcerias com instituições como a Universidade Feevale e clínicas oftalmológicas, facilitando o encaminhamento dos assistidos para redes socioassistenciais e de saúde. Além disso, a entidade tem uma longa trajetória de participação em conselhos municipais, contribuindo para a formulação de políticas públicas voltadas para pessoas com deficiência.

Mudança de vida

Para quem perde a visão, aprender a viver novamente pode ser um grande desafio. Mas a ADEVIS-NH tem sido um ponto de virada na vida de muitas pessoas, como Valdair Silva e Aline Sena Faria.

Publicidade

Valdair, 59 anos, trabalhava na construção civil quando perdeu a visão em um acidente de trabalho há 18 anos. O impacto foi grande, mas ele encontrou na entidade o suporte necessário para reconstruir sua vida. Hoje, além de ter se reabilitado, ele ensina outras pessoas com deficiência visual a usarem o celular.

“Todos os smartphones possuem essa tecnologia de acessibilidade, então quem precisa basta ativar e vai aprendendo com o tempo. Facilita muito a vida de quem não enxerga”, conta.



Aline Sena Faria, 39 anos, enfrentou uma realidade semelhante. Sempre teve baixa visão, mas há três anos perdeu completamente a capacidade de enxergar. No início, recusava-se a usar bengala ou ativar os recursos de acessibilidade do celular. “Eu não podia escutar aquela voz do celular, me irritava muito. Mas quando aceitei que precisava disso, percebi como poderia facilitar minha vida”, conta.

Desde o ano passado, ela frequenta a ADEVIS-NH, onde aprendeu a se locomover sozinha e a usar o celular para tarefas do dia a dia, graças a aulas com Valdair. “Também fiz cursos para usar bengala, e isso é muito importante. A primeira vez que eu saí sozinha, senti que tinha tirado um peso sobre meus ombros. Quando cheguei no lugar, chorei muito e vi que dali pra frente seria diferente.”

Como ajudar

Para quem deseja contribuir, a ADEVIS-NH disponibiliza uma chave Pix e conta bancária para doações:

  • Chave Pix (CNPJ): 92008747000104
  • Conta corrente: 06040345-02 – Banrisul – Agência 0290
  • Favorecido: Associação dos Deficientes Visuais de Novo Hamburgo (CNPJ: 92008747/0001-04)

A sede da ADEVIS-NH está localizada na Avenida Pedro Adams Filho, 5114, sala 1002, no Condomínio Galeria Reichert, no Centro de Novo Hamburgo.

Publicidade