Mais de mês após o anúncio de suspensão do acolhimento de novos animais, divulgado no dia 3 de setembro, o Centro Municipal de Proteção Animal (Cempra) começa a notar mudanças. A estrutura do centro passa por reformas e intensifica ações de adoção e castração, buscando reequilibrar o atendimento à causa animal em Novo Hamburgo. Mas, de fato, o que mudou desde lá?
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Foto: Luiza Helena Peters
Reforma e melhorias
As reformas estruturais no Cempra começaram na última terça-feira (14), com investimento total de R$ 240 mil. Entre as melhorias, estão o novo telhado com melhor circulação de ar em um dos conjuntos de baias, a troca do piso escorregadio, o nivelamento e canalização da área interna deste espaço e a instalação de filtro e fossa, itens que antes não existiam. “Tudo isso é essencial para evitar acidentes, já tivemos até um caso de displasia em um cão por causa do piso antigo”, conta Lelly Teixeira, gerente da Diretoria do Bem-Estar Animal.
Apesar do avanço, as obras seguem em ritmo adaptado à rotina dos animais, já que o abrigo ainda funciona parcialmente. “A gente libera as baias aos poucos, conforme consegue realocar os cães em lares temporários”, diz a gerente. Atualmente, o Cempra conta com cinco lares temporários ativos, buscando por mais treze protetores disponíveis durante o período de reformas.
Adoções, voluntariado e o desafio da superlotação
Desde setembro, ao menos seis cães encontraram famílias, entre eles o Chorão, o Fred e a Narizinho. Mas a realidade também inclui frustrações – como o caso de Alfredo, devolvido dias após a adoção. “Ele voltou triste, encolhidinho. É difícil, mas a gente prefere que o animal retorne do que fique em um lugar onde não é bem-vindo”, desabafa a Lelly.
O voluntariado, por sua vez, segue limitado. “Temos cerca de cinco voluntários fixos por semana, mas dois deles não puderam continuar. Isso faz muita falta, porque o trabalho aqui é intenso”, comenta.
As feiras de adoção e os eventos de divulgação das ações do Cempra são os principais momentos de visibilidade para estes animais. O Cusco Web, site criado pelo município para divulgar os animais disponíveis para adoção, é uma das ações em vigência – que promoveu a adoção de alguns dos pets em seu evento de lançamento oficial, ocorrido no Parcão, no dia 27 de setembro.
Cães resgatados ainda aguardam um novo começo
Entre os mais de cem animais que vivem no Cempra, alguns carregam histórias que demonstram a importância do centro. Este é o caso de Coragem e Esperança, cães resgatados em uma denúncia de maus-tratos, no dia 11 de setembro, e que permanecem sob os cuidados da equipe municipal.
Ao serem encontrados, os cães estavam acorrentados e abandonados, apresentando magreza extrema, ossos palpáveis, fraqueza e feridas tomadas por larvas. “Eles vieram muito machucados e assustados. A gente ainda não conseguiu encaminhar para adoção, porque precisam de acompanhamento e de um lar que entenda esse tempo de adaptação”, explica Lelly.
Recuperados e no aguardo por um lar, ambos participam das ações de socialização promovidas pelos voluntários e cuidadores, enquanto seguem recebendo tratamento. A equipe reforça que o processo de adoção de casos como esses requer paciência, estrutura e comprometimento real com o bem-estar dos animais.
Desafios continuam
Mesmo com as conquistas, o trabalho diário ainda é de resistência. “Nosso trabalho é 90% educar as pessoas. A gente precisa explicar o que pode, o que não pode e o que realmente ajuda. A rede social cobra, mas nem sempre colabora”, afirma Lelly.
Segundo ela, o objetivo é seguir reduzindo o número de animais internados, que não teve uma diminuição considerável, por conta das poucas adoções e adição de animais resgatados com urgência. “A gente não parou o atendimento em nenhum momento. Continuamos castrando, cuidando e buscando soluções, mas é um processo que depende de todos”, conclui.
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