Há mais de um ano, um dos pontos de encontro mais tradicionais do bairro Canudos foi demolido. A medida ocorreu devido ao cumprimento de um mandado de reintegração de posse por parte da Prefeitura de Novo Hamburgo, proprietária da área.
O Executivo explicou que o comércio não possuía autorização para funcionar e que o processo havia iniciado em 2011. Apesar disso, a antiga proprietária da Lancheria Sport Bar, Fabiana Kerber, afirma que pagava aluguel de aproximadamente R$ 1,8 mil todos os meses ao Executivo, além de arcar com custos de água e luz.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
“No inicio de 2025 fiz diversas alterações solicitadas por órgãos de fiscalização. Tivemos inclusive o alvará aprovado pela Prefeitura”, reforça.
O espaço que contava com amplo salão, áreas de lazer e até cancha de bocha fica ao lado da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Canudos. A Prefeitura pretende utilizar o local para ampliar a instituição de saúde.
Desde então, a área está desocupada, apenas com lembranças e sem utilidade pública. Conforme a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (SMMADU) está elaborando um projeto que deve ser apresentado em um prazo de até 20 dias.
O próximo passo será o encaminhamento para licitação da obra. Cerca de R$ 1 milhão foi captado pelo município, que vai arcar com investimento a partir de recursos próprios. Questionada, a Prefeitura salientou que a estimativa do valor total só será possível após a conclusão do projeto.
“Falta de urgência”
Após ser despejada, Fabiana chegou a montar outra lanchonete no Canudos, mas a empreitada durou apenas um mês. “Precisava dar destino ao estoque de produtos.” Atualmente, atua como auxiliar de professora e precisou recomeçar a vida. “Minha sorte é que tenho magistério. Não tinha urgência em fechar, ficamos muito decepcionados.”

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Para o advogado de Fabiana, Nelson Lilioso, a decisão da Prefeitura foi equivocada e apressada. “Estão há um ano sem recolher qualquer tipo de imposto. Até agora o município teve apenas prejuízo. Quando entraram com a situação de calamidade financeira, sabia que não seria feito nada.”
Sem alternativa para consumo
Silvana Coelho Rodrigues estava na UPA aguardando o horário para visitar a mãe, internada na unidade de saúde. Sem um local adequado para esperar, precisou levar de casa uma cadeira de praia e aguardar na calçada. “Estava procurando um lugar para comprar café e não encontrei. Como faz falta a lancheria”, lamenta.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Outro aspecto foi a falta de banheiro. “Eles [lanchonete] ofereciam banheiro, um lugar para sentar e sequer precisavam consumir. Era uma excelente opção, perdemos o único estabelecimento do entorno”, completa.
Caso Botafogo
A demolição da lanchonete foi a primeira, mas não a última efetuada pela Prefeitura de Novo Hamburgo. Em março deste ano a sede do Botafogo Futebol Clube foi demolida no bairro Jardim Mauá. Segundo o poder público, a área pertence ao município.
O imbróglio teve pedidos da sociedade de adiamento da decisão e apresentação de diversos projetos comunitários para o local, mas o desfecho acabou decidido pela Justiça, que deu parecer favorável à Prefeitura para construção de uma praça pública no endereço.
Para o local, a Prefeitura planeja a construção de uma praça pública com investimentos superiores a R$ 4 milhões.
Nas redes sociais, o prefeito Gustavo Finck anunciou que a nova estrutura contará com “academia de calistenia para jovens e adultos, academia para idosos com acompanhamento de profissionais de educação física e da área da saúde, brinquedos inclusivos e temáticos com espaços de lazer para eventos da comunidade.”
Apesar do anúncio, o projeto não foi apresentado pelo município e está em fase de elaboração.
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