Em menos de uma semana, um espaço histórico e repleto de memórias deixou de existir no bairro Jardim Mauá, em Novo Hamburgo. Após receber sinalização positiva da Justiça, a Prefeitura demoliu na terça-feira (17), a estrutura do Botafogo Futebol Clube, associação amadora que desenvolvia suas atividades há 35 anos no mesmo endereço.

Foto: Divulgação
Integrantes do clube foram pegos de surpresa com a movimentação, pois conforme o conselho, o dia seria apenas de vistorias no local. A Prefeitura, questionada sobre esta mudança de planos, informa apenas que a decisão de retomada da área permitia “eventuais intervenções na estrutura existente”. Dias antes, integrantes da diretoria e usuários do espaço compareceram na sede para retirada de mesas, quadros e demais elementos que carregam a história do Botafogo. Neste momento, a sociedade não tem para onde ir. Parte de seus materiais estão em um depósito da prefeitura, e outro montante na residência de conselheiros.
A Administração Municipal alega estar cumprindo uma determinação do Poder Judiciário, que teria definido pela “devolução da área ao patrimônio público”. Para o local, a Prefeitura planeja a construção de uma praça pública com investimentos superiores a R$ 4 milhões. Através das redes sociais, o prefeito Gustavo Finck anunciou que a nova estrutura contará com “academia de calistenia para jovens e adultos, academia para idosos com acompanhamento de profissionais de educação física e da área da saúde, brinquedos inclusivos e temáticos com espaços de lazer para eventos da comunidade”, entre outros aspectos.
Ainda em setembro de 2025, a ordem de despejo recebia prazos de prorrogação solicitados pelo clube. Conforme Gerson Sudekum, conselheiro do Botafogo, foram protocolados junto à prefeitura ações e projetos que a sociedade pretendia dar início. No entanto, o deferimento se deu a favor do Executivo, alegando que as atividades projetadas pela gestão pública eram mais relevantes ao bairro.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER
Próximos passos

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Sudekum comenta que o clube está tentando encontrar soluções para um novo endereço, mas que a prioridade é seguir no mesmo bairro. A diretoria até cogita pedir um pequeno espaço, abrangendo o campo de futebol 7, dentro desse novo projeto da Prefeitura, mas admite que as expectativas para que isso ocorra são baixas.
“Essa situação de pedir alguma coisa para a Prefeitura, não temos nem ânimo. Ganhamos tantas negativas nessa transição, nessa entrega de chaves. Fazer o que fizeram, de demolir a sede, sabendo que tinham coisas lá dentro, nem cuidado tiveram. Foi um absurdo, uma coisa totalmente sem noção e sem preparo”, lamenta Gerson, mencionando que, após visitar o espaço depois da demolição, encontrou garrafas e lâmpadas que não foram removidas antes do trabalho das máquinas.