A Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo iniciou nesta segunda-feira (16) uma obra considerada estratégica para evitar novos episódios de desabastecimento durante o verão de 2026. A intervenção ocorre na estação de captação de água bruta no Rio dos Sinos e tem como objetivo interligar os três grupos de motobombas responsáveis por levar água até a estação de tratamento.
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Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Atualmente, apenas os grupos 1 e 2 são interligados, o que permite que um substitua o outro em caso de falha sem prejudicar o abastecimento. Já o grupo 3 opera de forma isolada. “Se esse grupo apresentar problema, hoje ficamos sem captar cerca de 50% da água”, explicou o diretor técnico da Comusa, Neri Chilanti. Com a obra, prevista para durar até quarta-feira (18), será possível redirecionar o fluxo de água entre os grupos de bombas, garantindo o abastecimento mesmo diante de falhas técnicas.
A iniciativa também aproveita para substituir uma válvula antiga e revisar o sistema hidráulico da casa de bombas, cuja estrutura já estava defasada. “Essa válvula deveria ter sido trocada há mais de dez anos. Ela já não abria mais corretamente”, relatou Chilanti.
Segundo ele, a principal motivação para essa obra emergencial é o risco de um novo verão com temperaturas extremas, como o de 2024/2025, quando o calor acima da média causou aumento expressivo no consumo e instabilidade no fornecimento. “A nossa meta era colocar em operação a nova casa de bombas até o próximo verão, mas não será possível. O projeto está pronto, mas ainda enfrentamos entraves burocráticos para iniciar a obra”, disse o diretor técnico.
Obras estruturais em andamento
A Comusa trabalha atualmente em duas grandes obras para reforçar o sistema de abastecimento de água da cidade: a construção de uma nova adutora e de uma nova casa de bombas. A adutora já está sendo instalada e tem conclusão prevista para os próximos quatro meses. A nova casa de bombas, no entanto, ainda precisa passar por licitação. A expectativa é de que o processo leve cerca de três meses para ser contratado e outros seis meses para ser executado. Ou seja, sua entrega só deve ocorrer após o próximo verão.
Enquanto isso, a companhia reforça o sistema existente para garantir a continuidade do abastecimento. “Estamos reformando uma bomba para aumentar a vazão e adquirindo outra. Hoje, com um grupo só, conseguimos 380 litros por segundo. Se conseguirmos operar com dois grupos, teremos cerca de 740 litros por segundo, o que é suficiente para atender à cidade mesmo nos dias mais quentes”, pontua Chilanti.
Apesar da previsão de chuva para os próximos dias, a obra não será interrompida, já que acontece em área coberta, dentro da casa de bombas.
A Comusa alerta que, durante a intervenção, a operação da captação funcionará com capacidade reduzida, o que pode gerar instabilidade no abastecimento em alguns momentos, entre o meio da manhã e a metade da tarde. Em caso de desabastecimento, os bairros afetados serão informados pelos canais oficiais da autarquia.