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Pós enchente

Casas condenadas pela enchente de 2024 viram abrigo para moradores de rua e usuários de drogas em Novo Hamburgo

Estruturas abandonadas preocupam vizinhos, que relatam furtos, sujeira e medo de incêndios

Dário Gonçalves
Publicado em: 26/08/2025 às 17h:51 Última atualização: 26/08/2025 às 17h:52
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Um ano e quatro meses após a enchente histórica de maio de 2024, que atingiu mais de 10,4 mil casas em Novo Hamburgo e deixou centenas delas destruídas ou condenadas pela Defesa Civil, muitas dessas estruturas permanecem de pé. O que restou das residências, agora em ruínas, acabou se transformando em abrigo improvisado para pessoas em situação de rua e usuários de drogas, trazendo insegurança aos vizinhos.

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Diversas residências ao lado do dique de Novo Hamburgo estão condenadas e desabitadas | abc+



Diversas residências ao lado do dique de Novo Hamburgo estão condenadas e desabitadas

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

No bairro Santo Afonso, a cena é de muros quebrados, paredes prestes a desabar e entulhos acumulados entre restos de móveis, eletrodomésticos e lixo — muito lixo. O ambiente de abandono atrai ocupações, principalmente à noite.

Uma moradora da região relata que convive diariamente com o medo: “Há cerca de um mês, um homem passou a morar nas ruínas de uma casa próxima e passa o dia levando lixo para dentro. O lugar está ficando cada vez mais insalubre. Temos medo de ratos, doenças e também de incêndio, porque as casas aqui são muito próximas e há vegetação. Se pegar fogo em uma, vai se espalhar rapidamente”, contou.

Segundo ela, não é apenas a sujeira que preocupa. Durante a madrugada, grupos chegam ao local e permanecem por algumas horas. “Não sei se é para consumir drogas, mas é o que parece. Não tem nada ali além de paredes e lixo. Temos medo que isso acabe virando ponto de tráfico”, completou. A moradora relata ainda já ter sofrido furtos em sua casa, mesmo mantendo grades no pátio.

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Em uma das casas desabitadas junto ao dique, até mesmo uma cama box havia sido levada para o local nos últimos dias. Durante o período que a reportagem esteve no local, na tarde desta segunda-feira (25), um homem foi flagrado em uma dessas residências coletando telhas e outros objetos deixados para trás. Momentos depois, outro indivíduo chegou em uma das casas carregando um pedaço de pau na mão e andando apressadamente.

Ações de remoção já começaram

A Prefeitura informou que as secretarias de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (SMMADU), Desenvolvimento Social e Habitação (SDSH) e Obras Públicas e Infraestrutura (SMOPI) estão atuando em conjunto para evitar que casas condenadas pela Defesa Civil, deterioradas e em área pública, sejam novamente ocupadas no bairro Santo Afonso, próximo ao dique.

Na última sexta-feira (22), a Prefeitura iniciou a demolição de cerca de 30 construções condenadas no bairro Santo Afonso — próximas ao limite com São Leopoldo —, em uma ação ligada às obras de recuperação do dique e à transformação da área em zona de preservação.

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“Parte das residências demolidas eram de famílias que foram contempladas no Compra Assistida, totalizando 19 imóveis. Já os outros 11 demolidos foram identificados durante a operação. Quando confirmada a não utilização junto à SDSH, por estarem em local público, foi executada a demolição.”

Casa destruída no bairro Santo Afonso, próximo ao limite com São Leopoldo | abc+



Casa destruída no bairro Santo Afonso, próximo ao limite com São Leopoldo

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

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A Prefeitura afirma também que o mapeamento de outras estruturas sem uso segue em elaboração e novas ações semelhantes devem ocorrer em breve. Sobre os beneficiários do Compra Assistida, a administração destaca que as famílias podem indicar uma residência em qualquer cidade gaúcha, o que dificulta um balanço local atualizado. “Até o momento, cerca de 100 pessoas já estão em novos endereços, mas ainda há famílias aguardando benefícios, como o aluguel social.”

Com relação a denúncias de uso de estruturas abandonadas para a prática de crimes, a orientação é que a comunidade acione a Brigada Militar ou a Guarda Municipal, que devem verificar a situação e repassar as informações à Prefeitura.

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Obras no dique continuam

No início do ano, a prefeitura notificou cerca de 60 famílias que possuem casas junto ao dique para que deixem suas residências por estarem em área de risco, e porque será necessária a desocupação para dar seguimento às obras de reconstrução da estrutura que separa o bairro do Rio dos Sinos e do arrio Luiz Rau.

Em visita recente ao local com o ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), o prefeito Gustavo Finck (PP) pediu agilidade na realocação dessas pessoas, destacando a necessidade de garantir segurança diante da vulnerabilidade causada pela enchente de 2024.



A obra de reconstrução do dique, que tem sido tratada como prioridade pela administração, já avançou em cerca de 60%. Entre as etapas concluídas estão a instalação de novos taludes, reforço das estruturas de contenção e intervenções em pontos críticos. A expectativa é de que, com a conclusão dos trabalhos, a região esteja mais protegida contra futuros alagamentos.

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