A primavera começou no último dia 22 trazendo o alerta para o aumento de focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O período de calor aliado às chuvas cria condições ideais para a proliferação do inseto. Diante desse cenário, cidades da região estão intensificando as medidas de prevenção com a realização de novos ciclos do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa).

Foto: Bruno Antunes
Em Novo Hamburgo, o terceiro ciclo do LIRAa de 2025, realizado a partir de 1º de setembro, vistoriou 4.033 imóveis em todos os bairros do município. Foram coletadas 115 amostras de larvas e pupas, encaminhadas ao Laboratório do Projeto de Prevenção e Combate à Dengue da Universidade Feevale. Das amostras analisadas, 43% estavam positivas para Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, Zika e chikungunya.
O levantamento apontou um Índice de Infestação Predial (IIP) de 1,1%, ou seja, aproximadamente um imóvel em cada 90 apresentou presença do mosquito. Com esse resultado, a cidade entra em alerta de surto para doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Comparativamente, no mesmo período de 2024, o IIP havia sido de 0,7%, indicando que a situação permanece preocupante.
Dos nove estratos em que o município é dividido, quatro estão classificados como de iminente perigo à saúde pública. Nos demais, a situação é considerada satisfatória. Entre os bairros em alerta estão Boa Saúde, Petrópolis, Rincão, Primavera, Vila Rosa, Operário, Guarani, Vila Nova, Hamburgo Velho, Liberdade, Industrial, Santo Afonso, Ouro Branco, Rondônia e Canudos.

Foto: Divulgação/PMNH
Até a semana epidemiológica 39 de 2025, Novo Hamburgo recebeu 4.101 notificações de casos suspeitos de dengue, das quais 3.221 foram confirmadas, 85 seguem em investigação e 795 descartadas, com um óbito registrado. Todos os bairros do município apresentaram casos, mas Canudos e São Jorge concentram mais de 70% das confirmações. O município registra a circulação dos sorotipos DENV-1 e DENV-2 e figura entre os de maior número de notificações no Estado.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os próximos meses devem apresentar aumento natural na população de Aedes aegypti devido à sazonalidade da espécie, reforçando a necessidade de cuidados contínuos por parte da população.
São Leopoldo está em risco médio
Em São Leopoldo, o LIRAa realizado em setembro apontou risco médio para o Aedes aegypti, mantendo o alerta para dengue, Zika e chikungunya. Das 84 amostras coletadas em 3.244 residências em 607 quarteirões, 31 foram positivas para o mosquito, contra 73 no levantamento anterior de janeiro.
A secretária da Saúde, Kelbe Gonçalves, reforçou que a população deve manter os cuidados: “O relatório aponta risco médio, mas com a chegada do calor, ambiente propício para a reprodução do inseto, é preciso redobrar a atenção”.

Foto: Romeu Finato
Além dos levantamentos, a Vigilância Ambiental realiza visitas domiciliares diárias e monitora periodicamente pontos estratégicos como borracharias, ferros-velhos, floriculturas e cemitérios. Nos locais com casos confirmados ou suspeitos, são promovidas ações de orientação e aplicação de inseticida no entorno, conhecidas como Pesquisa Vetorial Especial (PVE).
Vale dos Sinos
Além do Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), a Prefeitura de Canoas tem intensificado ações de prevenção e conscientização, com visitas domiciliares, fiscalização de espaços com potencial de focos do mosquito e pulverizações em áreas estratégicas. Entre 1º de janeiro e 29 de setembro, foram confirmados 618 casos de dengue no município, com três óbitos — todos no primeiro semestre. Os bairros com maior número de registros são Harmonia (125), Niterói (89) e Mathias Velho (59).
Em Dois Irmãos, o terceiro LIRAa foi realizado entre 31 de agosto e 19 de setembro. As equipes visitaram 1.050 imóveis em 17 localidades do município. Foram encontrados focos do mosquito Aedes aegypti em oito residências e do Aedes albopictus em um imóvel. Entre os criadouros identificados estavam tonéis, garrafas PET, vaso sanitário, pneu, brinquedo e pote. Desde o início do ano, a cidade registrou 47 casos de dengue. Na vizinha Estância Velha, o LIRAa será realizado em outubro
Em Sapiranga, o monitoramento do Aedes aegypti é realizado de forma contínua por meio de ovitrampas, que são armadilhas instaladas nos bairros que permitem contar os ovos do mosquito. Por isso, o município segue o calendário nacional de quatro ciclos anuais, definidos pelo Ministério da Saúde, mas com foco no 4º ciclo, previsto para o mês de novembro. De acordo com a Vigilância em Saúde, essa metodologia possibilita acompanhar a infestação de maneira sistemática ao longo do ano, mas os resultados consolidados só serão divulgados na próxima etapa.
Ivoti também participou do LIRAa com a realização de 486 visitas, que resultou na identificação de 139 focos de proliferação de mosquitos. Em dois desses focos, foram encontradas larvas que, após análise laboratorial, constatou-se que não pertenciam ao Aedes aegypti, mas sim ao mosquito comum. Os bairros com maior número de focos foram o Centro, Jardim Panorâmico e Morada do Sol.
Já em Campo Bom, o LIRAa será realizado em novembro, uma vez que o município realiza um trabalho com Ovitrampas para controle dos focos do mosquito.
Parobé inicia borrifação intradomiciliar
Parobé concluiu o LIRAa entre os dias 1º e 5 de setembro com 469 imóveis inspecionados de forma aleatória pela Vigilância em Saúde Ambiental. Foram coleta das 89 amostras de larvas e pupas. Dessas, 22 eram do Aedes aegypti e uma do Aedes albopictus, enquanto as demais pertenciam a espécies sem risco à saúde pública.
Os maiores índices de ovos foram registrados nos bairros Alvorada, Vila Nova e Laranjeiras. Com base nesses dados, a Vigilância em Saúde iniciou a semana a borrifação intradomiciliar nessas localidades, em reforço às demais ações de prevenção.

Foto: Bruno Antunes
Além do levantamento, Parobé mantém 65 ovitrampas distribuídas em pontos estratégicos para monitoramento mensal da presença do mosquito. Desde o início de 2025, o município registra nove casos confirmados de dengue.
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