Com a aproximação do pagamento do 13º salário, milhões de trabalhadores passam a contar com um reforço importante no orçamento. O dinheiro extra injeta recursos na economia e movimenta o comércio, mas também representa uma oportunidade para colocar as contas em dia, reduzir dívidas e se planejar para as despesas do início do ano. Em um período marcado por tentações de consumo — como a Black Friday — e por contas acumuladas, especialistas recomendam cautela e organização para que o benefício não desapareça rapidamente.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Pela legislação trabalhista, o 13º salário é pago em duas parcelas: a primeira deve ser depositada até sexta-feira (28), último dia útil do mês, e a segunda até 20 de dezembro — neste caso, na sexta-feira (19). Em muitas empresas, no entanto, o pagamento ocorre de forma antecipada, principalmente no comércio e em setores que adotam calendários próprios.
O economista e professor da Universidade Feevale, José Antônio Ribeiro de Moura, orienta que o ideal é buscar equilíbrio entre quitar dívidas, reservar parte do valor e, só depois, pensar em consumo. “O primeiro passo é elaborar uma planilha. É importante olhar o valor a receber e comparar com as dívidas existentes e não esquecer de reservar uma parte para despesas ou gastos inesperados”, afirma.
Segundo ele, a prioridade deve ser pagar dívidas, reservar dinheiro para os gastos do início do ano e, se possível, deixar parte da segunda parcela livre para férias ou investimentos, garantindo mais conforto financeiro.
Juros mais altos primeiro
Na hora de escolher quais contas pagar, o critério não deve ser o valor da dívida, mas os juros cobrados. “Primeiro o cheque especial, depois o cartão de crédito, na sequência os empréstimos e os carnês. Liste as dívidas por taxa de juros, e não pelo valor, e quite primeiro as que mais pesam no orçamento”, explica.
Sobre pagar uma dívida inteira ou distribuir o dinheiro em várias contas menores, o economista diz que depende da situação. Contas com risco de corte, como água, luz e internet, devem ter prioridade, assim como parcelas que geram multa elevada em caso de atraso.
Por outro lado, quem busca melhorar o score de crédito pode optar por distribuir os pagamentos, reduzindo várias pendências ao mesmo tempo e diminuindo o índice de utilização de crédito.

Foto: Universidade Feevale
Momento favorável para negociar
Para quem está inadimplente, o período também é considerado favorável à renegociação. Moura cita campanhas nacionais de negociação de dívidas, como o Feirão Limpa Nome do Serasa e o Mutirão Nacional de Negociação de Dívidas, que oferecem descontos e condições especiais. “O 13º é uma excelente oportunidade para colocar o nome em dia, já que as dívidas em atraso acumulam juros e se tornam cada vez mais difíceis de pagar”, ressalta.
IPTU, IPVA, material escolar e gastos de viagem costumam pesar no orçamento logo nos primeiros meses do ano. Por isso, reservar uma parte do 13º é considerado essencial. “Projetar os gastos típicos do início do ano ajuda a evitar que essas despesas se transformem em dívidas futuras”, orienta.
Criar ou reforçar uma reserva financeira também é uma recomendação central. Segundo o professor, guardar parte do dinheiro garante mais tranquilidade diante de imprevistos e aumenta o poder de decisão do consumidor. “Uma reserva traz segurança, mais racionalidade no consumo e tranquilidade para enfrentar gastos urgentes”, afirma.
O que não fazer
O principal erro, segundo Moura, é ignorar dívidas em atraso e gastar sem planejamento. “Desconsiderar contas pendentes ou não prever impostos e despesas escolares pode transformar o alívio momentâneo em problemas financeiros nos meses seguintes”, alerta. Para ele, planejar o futuro é fundamental não apenas para a saúde financeira, mas também para a saúde mental.
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