A cena musical de Novo Hamburgo se prepara para um retorno aguardado há anos. No dia 10 de maio, os pavilhões da Fenac serão palco de um evento que promete não apenas reunir grandes nomes do pop e do rock gaúcho e nacional, mas também reacender uma chama que andava apagada: a dos grandes festivais de música na cidade.

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O Lorde Music Festival marca a primeira investida de um dos bares mais ativos da cena local em uma produção de grande porte. Com atrações como Detonautas, Nenhum de Nós, Di Ferrero, Papas da Língua, Vera Loca e Reação em Cadeia, o festival surge com o propósito de ocupar o espaço deixado por antigos eventos que marcaram época.
“Nós tínhamos aqui grandes festivais, como o Tchê Rock, a Festa das Frutas e o Sinos Fest, que traziam bandas de nível nacional para Novo Hamburgo. E com o tempo isso foi se perdendo”, lembra Vinícius Hoffmann, um dos proprietários d’O Lorde Bar, casa que hoje é referência em shows e cultura musical na região.
A ideia de criar um festival existe desde 2019, quando o bar ainda dava seus primeiros passos. “Começamos como um pub para 50 pessoas. Hoje somos uma casa de shows para 600. O festival é uma consequência disso, só que numa escala muito maior”, explica Diego Corrêa, também sócio. “A pandemia nos obrigou a adiar tudo, mas também nos deu tempo para amadurecer a proposta. Aprendemos com o público, com as bandas, com o mercado. Esse know-how foi fundamental para tirar o projeto do papel com segurança.”

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Identificação com o público
A proposta, segundo Diego, é transportar a atmosfera do bar para o festival. “A ideia é que quem estiver na Fenac se sinta dentro do Lorde. A estrutura vai refletir a experiência que o público já conhece, desde o som até a escolha das cervejas.”
A curadoria musical também segue essa identidade. “Nenhum de Nós, por exemplo, já tocou duas vezes no bar, com ingressos esgotados. Vera Loca também está sempre com casa cheia. São bandas que têm a ver com a gente, com nosso público, com a história musical da região”, aponta Vinicius. Para a sócia Carol Maldaner, a seleção das bandas passa também pelo gosto pessoal. “É um festival feito por quem realmente curte o que está sendo colocado no palco.”
O evento será realizado na Fenac, em um dos pavilhões climatizados, com capacidade para 6 mil pessoas. Além da estrutura de palco e som, o festival terá telões de transmissão, uma praça de alimentação para 400 pessoas e acesso facilitado, já que fica de frente para a estação de trem e ao lado da rodoviária. “A escolha da Fenac foi natural. É onde aconteceram os grandes festivais, e a gente quer justamente resgatar essa memória. Tanto que nosso slogan é ‘a volta dos grandes festivais’”, explica Diego.
Depois de rodar o mundo, um festival em casa
O line-up já estava fechado e divulgado – ao menos era isso que pensava o público – quando uma velha conhecida da cidade foi também anunciada como uma das atrações: a Reação em Cadeia. “Nós vimos o show deles em São Paulo e foi absurdo. A qualidade do show deles é de arrepiar, então a gente falou que tinha que trazer eles pra cá”, relata Diego.
Surgida em 1999 em Novo Hamburgo, a Reação em Cadeia, sob o comando de Jonathan Dörr, ganhou os palcos do Brasil e se tornou uma das principais bandas do país na década de 2000. Em 2016, a banda entrou em hiato e Jonathan assumiu os vocais com a Ego Kill Talent, com a qual rodou o mundo e participou de inúmeros festivais. Contudo, tocar em casa, tem um sabor especial para o músico.
“Tô muito feliz de fazer parte do line-up da primeira edição do O Lorde Music Festival. Novo Hamburgo e a região do Vale dos Sinos estavam carentes de um festival de grande porte, e O Lorde Music Festival chega justamente para suprir essa falta. É um evento genuinamente hamburguense, pensado pra galera que tem o rock como estilo de vida”, conta Jonathan.
O músico faz questão de ressaltar que sua história com a música começou em Novo Hamburgo e, por mais que já tenha cantado em festivais gigantes pelo mundo, nunca teve a chance de tocar num evento desse porte em sua própria cidade. “Já estive duas vezes no Rock in Rio, no Rock in Rio Lisboa, no Lollapalooza Brasil e Chile, toquei no Rock am Ring e Rock im Park na Alemanha, no Download Festival em Paris e Madrid, e até no HellFest, na França. Mas tocar aqui, em casa, tem um peso emocional completamente diferente.”
Além de reencontrar os fãs, os festivais são também uma chance de celebração no backstage, segundo o vocalista. “É um reencontro com a galera da música, com aquele clima único. Dividir o palco com grandes artistas, como Di Ferrero, Papas da Língua, Nenhum de Nós, Vera Loca, Detonautas é especial demais”, acrescenta.
“Um festival que já nasce histórico”
Com mais de duas décadas de estrada e presença confirmada em diversos festivais pelo Brasil, a Vera Loca será uma das atrações do Lorde Music Festival. Para o vocalista Fabrício Beck, a estreia do evento em Novo Hamburgo marca um momento decisivo para a cena cultural do Vale dos Sinos.
“Eu acho extremamente importante, não somente para a cena musical da região, mas também para o estado todo, para o Brasil. A gente vê muitos festivais de sertanejo no centro do país, no Centro-Oeste, e outros gêneros no Nordeste. O Rio Grande do Sul, por outro lado, é um estado roqueiro por essência. E ter esse tipo de iniciativa aqui aquece a cena, movimenta artistas e o público”, avalia o vocalista.
Fabrício também destaca o impacto que eventos como O Lorde Music podem ter sobre os mais jovens. “É algo que instiga a gurizada a querer tocar, a querer aprender um instrumento, a montar uma banda, a fazer rock’n’roll. Isso mexe com o ambiente cultural, com o espírito da cidade”, afirma.

Foto: Zé Carlos de Andrade/Divulgação
E engana-se quem pensa que o alcance do festival será apenas local. A projeção já é nacional. “A gente soube que vai ter gente vindo do Mato Grosso só pra ver a Vera Loca. Isso acontece direto com a gente em shows em Porto Alegre, em lançamentos, gravações. Vem gente do Paraná, de Minas Gerais. E agora não vai ser diferente em Novo Hamburgo”, diz Fabrício. “Isso não é só com a gente, claro. O festival tem um line-up que fala com públicos diferentes, de estilos variados dentro do rock, e isso atrai gente de tudo que é lugar.”
Para ele, o clima criado por festivais como esse é algo que faz falta e que precisa ser resgatado. “Quem escuta rock, geralmente, é um público que gosta mesmo é de música, de festa. Não quer briga, quer curtir. E isso o festival proporciona: um espaço de convivência, de celebração. A iniciativa do Vini e do Diego de fazer um grande festival em Novo Hamburgo é sensacional. Já é um evento histórico pela forma como está sendo produzido”, finaliza.
Próximas edições no radar
A intenção é realizar duas edições por ano, uma por semestre, ampliando o espaço para artistas locais. “Pensamos desde o início em ter dois palcos — um principal e outro para bandas da região, que tocariam nos intervalos. Mas decidimos dar um passo de cada vez. Queremos fazer tudo certo nessa primeira edição, e depois crescer com consistência”, destaca Diego.
Outro destaque é a procura por ingressos. Segundo os organizadores, o público não vem apenas do Vale dos Sinos. “Estamos monitorando as vendas e há gente vindo de São Paulo, Mato Grosso e de várias regiões do Estado. Isso mostra que Novo Hamburgo ainda tem força como polo musical”, explica Carol.
A programação oficial do festival inicia às 15h, com abertura dos portões. Os shows começam às 16h30, com Papas da Língua, seguidos por Vera Loca (17h50), Di Ferrero (19h10), Nenhum de Nós (20h30), Reação em Cadeia (21h50) e Detonautas (23h10). Cada apresentação terá uma hora de duração e 20 minutos de intervalo entre elas.
“Eu acredito que O Lorde Music Festival tem tudo pra se firmar como um dos grandes eventos do sul do Brasil. Já começou gigante e, com certeza, vai marcar a história da nossa cena. Novo Hamburgo, culturalmente e economicamente só tem a ganhar com isso”, finaliza o vocalista da Reação em Cadeia.