Copa da diáspora acontece num país anti-imigração
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Contrastando com a política anti-imigração do governo de Donald Trump, as seleções nesta Copa do Mundo mostram que vivemos num tempo em que as fronteiras não podem ser separadas por muros. Quase 300 jogadores atuarão por seleções que não são seus países de nascimento, muitos são filhos de imigrantes. São os chamados filhos da diáspora. O termo diáspora indica o deslocamento de povos de seu território de origem, geralmente por violência, perseguição política ou religiosa.
É comum em países africanos. E esse fenômeno ajuda a explicar a ascensão de determinadas seleções, como a França, que hoje em dia “exporta” jogadores nascidos em seu território. São 99 jogadores nascidos na França que atuam em 12 seleções nesta Copa. Aliás, somente oito seleções não têm jogadores nascidos em outro país nesta edição, entre elas, a brasileira. Mas até poderia ter: Andreas Pereira, do Palmeiras, nasceu na Bélgica e chegou a ser convocado neste ciclo para o Mundial.
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Foto: @guela.doue
Caminhos diferentes
O fenômeno da dispersão dos povos cria situações curiosas, como irmãos que jogam por seleções diferentes. É o caso de Desire Doué, atacante talentoso que defende a França, e Guela Doué, lateral direito da Costa do Marfim; ou dos atacantes Nico Williams, da Espanha, e Iñaki Williams, que atua por Gana.
Inclusive, nos amistosos pré-Copa, viralizou a imagem de Guela Doué comemorando um gol por Gana contra a França, em Nantes. Ele chutou a bandeirinha de escanteio com o símbolo da seleção francesa, sob olhares do irmão, no banco adversário. Mas depois rolou um abraço.

Foto: Divulgação
A força que vem de “fora”
Tudo o que vai também volta. A mesma França que exporta talento para diferentes nações, se beneficia deste fluxo. Olise, um dos principais nomes da seleção bicampeã do mundo, nasceu na Inglaterra, filho de um nigeriano e de uma franco-argelina. Inclusive, ele tem dificuldade em falar francês. O meio-campista Rayan Cherki tem dupla nacionalidade argelina, o que é comum de acontecer. É o caso do carrasco brasileiro Zinédine Zidane.
E esse fenômeno não se restringe à França. Musiala, talento da Alemanha, tem dupla nacionalidade e poderia ter escolhido a Inglaterra. Nascido em Leeds, Erling Haaland é outro que poderia defender a camisa inglesa, mas optou pela Noruega.

Foto: @wilsonisidor21
E o Brasil com isso?
A seleção brasileira já sentiu os impactos deste fluxo migratório em campo. Os 11 jogadores de Marrocos que iniciaram a partida contra o Brasil no sábado (13) nasceram fora do país africano. E quem pensa que o Haiti é uma “baba”, precisa ficar atento. Doze jogadores da seleção haitiana nasceram na França, onde muitos jogam hoje em dia. Alguns deles chegaram a atuar nas seleções de base francesa. É o caso do atacante Wilson Isidor, que jogou do sub-17 ao sub-21 no Les Bleus. O meio-campista Jean-Ricner Bellegarde e o ponta-esquerda Ruben Providence são outros com histórico na base francesa, por exemplo.
Cabo Verde, que empatou nesta segunda-feira com a poderosa Espanha, é outra seleção formada por filhos da diáspora. Diz-se até que existem mais cabo-verdianos espalhados pelo mundo do que vivendo no arquipélago.
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O fenômeno Curaçao
Com uma população menor que Novo Hamburgo, Curaçao só está na Copa do Mundo por causa deste fenômeno global. Dos 26 convocados, 25 nasceram em território holandês, embora tenham raízes na ilha caribenha, que ainda pertence aos Países Baixos.
É a seleção com o maior número de atletas nesta Copa que nasceram fora do seu território. Curaçao só não contava em estrear logo contra a Alemanha. Mas melhor deixar isso quieto para evitar gatilhos.
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