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REAJUSTE

Conta de água e esgoto da Corsan ficará mais cara a partir de janeiro no RS

Aumento foi oficializado em edital da Corsan e passa a valer em 1º de janeiro de 2026 para municípios atendidos pela companhia

Dário Gonçalves
Publicado em: 30/11/2025 às 13h:40 Última atualização: 30/11/2025 às 14h:25
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A conta de água e esgoto dos consumidores atendidos pela Corsan ficará mais cara a partir de 1º de janeiro de 2026. A companhia anunciou reajuste tarifário de 4,68%, percentual que incide sobre as tabelas de água, esgoto e disponibilidade de serviço adotadas nos municípios regulados pela Agesan.

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água tratada em Nova Hartz Corsan Aegea | abc+



água tratada em Nova Hartz Corsan Aegea

Foto: Débora Ertel/GES-Especial

O reajuste de 4,68% incide sobre todas as categorias de consumo: residencial, comercial, pública, industrial e social. A nova tabela passa a valer para as faturas emitidas a partir de janeiro de 2026, atingindo tanto a tarifa de consumo quanto os valores fixos mínimos cobrados mensalmente.

Segundo o edital, a Corsan informa que o reajuste segue as regras previstas na legislação federal do saneamento e que a estrutura tarifária completa está disponível no site da companhia, incluindo a lista de municípios que adotam a tabela da Agesan. A empresa foi procurada pela reportagem para comentar o reajuste, mas não se manifestou até a publicação desta notícia.

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Agesan justifica à inflação

Diretor-geral interino da Agesan, Tiago Luis Gomes explica que o reajuste aplicado pela Corsan segue regras contratuais e não é uma decisão discricionária da concessionária nem da agência reguladora.

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Segundo ele, a relação entre os municípios e a Corsan é regida por contrato de concessão, firmado após a companhia deixar de ser estatal e passar à iniciativa privada. Esse contrato prevê, de forma automática, a aplicação de reajustes anuais com base na inflação.

“Esse reajuste não é uma revisão de tarifa nem um reequilíbrio econômico-financeiro. Trata-se apenas da homologação de um índice previsto em contrato, vinculado à variação da inflação do período”, explica.

Conforme o diretor, a Agesan faz a verificação técnica do índice inflacionário e apenas homologa o cálculo que resulta da variação acumulada do IPCA nos últimos 12 meses. “Analisamos os dados, emitimos parecer técnico e jurídico e, depois disso, o assunto é submetido ao Conselho Superior de Regulação para aprovação”, afirma.

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Gomes esclarece ainda que esse tipo de reajuste anual não cobre custos extraordinários nem mudanças estruturais no contrato. Situações como investimentos, alterações regulatórias nacionais, ampliação da tarifa social ou eventos extremos, como enchentes, são tratados em outro momento, por meio de processos de revisão ou reequilíbrio tarifário, e não entram no cálculo anual de reajuste pela inflação.

“O índice de 4,68% corresponde exatamente à inflação medida pelo IPCA entre novembro de 2024 e outubro de 2025. É um mecanismo automático previsto em contrato”, reforça.

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Quem vai sentir no bolso

Para o economista e professor da Universidade Feevale, José Antônio Ribeiro de Moura, o reajuste de 4,68% na tarifa de água e esgoto deve ser sentido no orçamento, mas sem representar, na média, um impacto expressivo isoladamente.

Segundo ele, o percentual aplicado pela Corsan corresponde à inflação acumulada dos últimos 12 meses, medida pelo IPCA, o que torna o aumento previsível do ponto de vista econômico. “Esse reajuste era esperado, considerando que a inflação anual tem girado em torno de 5% nos últimos períodos”, afirma.

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Economista e professor da Universidade Feevale, José Antônio Ribeiro de Moura, fala sobre reajuste | abc+



Economista e professor da Universidade Feevale, José Antônio Ribeiro de Moura, fala sobre reajuste

Foto: Universidade Feevale

Na prática, o professor afirma que o impacto imediato é proporcional ao valor da conta. “Numa fatura média de R$ 75, o aumento será de cerca de R$ 3,51. Já numa conta de R$ 110, o acréscimo fica próximo de R$ 5,14”, exemplifica.

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Apesar de o valor não representar grande pressão para a maioria das famílias, Moura alerta que o peso do reajuste cresce quando analisado dentro do cenário econômico mais amplo.

“Mesmo um aumento considerado baixo pode ser sentido quando vem acompanhado de outros reajustes simultâneos, como energia elétrica, gás de cozinha, transporte e alimentos, que pesam diretamente no orçamento doméstico”, ressalta.

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Segundo ele, o impacto é mais intenso entre as famílias de baixa renda. “A água é um bem essencial e não substituível. Para quem já tem orçamento apertado, qualquer reajuste pesa mais, porque não há margem para cortar ou compensar essa despesa”, observa. Para a classe média, por outro lado, a tendência é que o aumento seja pouco percebido isoladamente.

O economista conclui que a percepção do reajuste depende mais da renda da família e da soma de aumentos no período do que do índice de 4,68% em si. “O percentual, sozinho, é pequeno. O problema aparece quando ele se acumula a outras despesas básicas que também sobem ao mesmo tempo.”

Como é feita a cobrança

Conforme tabela publicada pela Corsan, o edital não traz apenas um percentual de aumento, mas detalha como a tarifa é estruturada e em quais pontos o reajuste de 4,68% é aplicado. Os usuários são classificados em categorias como residencial, social, comercial, pública e industrial, cada uma com uma precificação própria.

Quanto maior o porte da atividade ou consumo, maior o valor básico da tarifa de água e esgoto. Famílias cadastradas em programas sociais, por exemplo, contam com valores mais baixos.

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A tarifa mínima representa o valor fixo pago mensalmente pelo consumidor, mesmo quando o consumo de água é reduzido. Esse custo cobre a disponibilidade do serviço e o abastecimento básico. A partir dessa base, entra a cobrança variável, conforme o volume de água consumido.

A partir daí, o valor do metro cúbico excedente é cobrado sempre que o consumo ultrapassa o limite incluído na tarifa mínima. Ou seja, quem utiliza menos água paga praticamente o valor fixo, enquanto quem consome mais passa a pagar por cada metro cúbico adicional.

Também há dois tipos de cobrança relacionados ao esgotamento sanitário: quando é apenas coletado e quando é tratado. Nos bairros onde há estação de tratamento, o valor é maior, pois a tarifa inclui o custo ambiental e operacional do processo completo de saneamento.

Na prática, o reajuste de 4,68% não incide apenas sobre o total da fatura, mas sobre todos os componentes da conta: tarifa mínima, consumo excedente, cobrança de esgoto e serviços básicos. Isso significa que tanto quem consome pouco quanto quem consome muito terá impacto no valor final da fatura.

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Comusa e Semae reajustaram neste ano

Além da Corsan, os serviços de água e esgoto em Novo Hamburgo e São Leopoldo também passaram por reajustes recentes. Em Novo Hamburgo, a Comusa realizou em 2025 uma revisão tarifária de 25,52%, que foi estruturada em três parcelas ao longo do ano.

A última etapa do reajuste, de 5,52%, passa a valer em 1º de dezembro. Com isso, a partir de janeiro de 2026, os consumidores pagarão o valor total já reajustado, sem nova alteração prevista no curto prazo.

Já em São Leopoldo, os reajustes tarifários do Semae são definidos pela Agesan. Segundo a autarquia, a agência reguladora ainda não informou se haverá novo aumento para 2026. O último reajuste foi aplicado em março de 2025, quando as tarifas sofreram correção de 15,02%.

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