Tudo Vira Arte, Tudo se Transforma em Amor é o nome da exposição que permanece no Espaço Sicredi do campus 2 da Universidade Feevale até o dia 31 de outubro. Organizada anualmente pelo Instituto Joanna de Ângelis – Horta Comunitária, a exposição pode ser visitada das 9 às 18 horas.
São expostas produções artísticas que foram produzidas nas oficinas Criativa e de Cultura Hip Hop promovidas pelo Instituto. A exposição foi aberta na quarta-feira (15).

Foto: Amanda Krohn/GES-Especial
“A exposição de arte nesse ano tem a parceria das oficinas criativas, feitas comigo, que trabalham várias linguagens das artes, e com o professor Pedro Rosa, que dá aula de cultura hip hop, então a gente juntou as nossas forças para falar sobre o contexto e a história de vida dessas crianças”, explica professora da Oficina Criativa, Camila Bauermann.
O dia da abertura contou com a venda de produtos oriundos da horta e de alguns parceiros do Instituto. O vice-presidente Gilberto Nuns Monteiro, que atuou nas vendas junto com a gerente Margô Bastos, conta que os lucros da venda são revertidos para a manutenção das oficinas e das refeições fornecidas aos alunos. Camila informa que o Instituto trabalha ainda com outras oficinas, como judô, cidadania, dança urbana e cultura hip hop.
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Pedro Rosa conta que as produções na oficina de cultura hip hop foram inspiradas no livro Flores da Batalha, do poeta paulista Sérgio Vaz. “Trabalhamos o livro principalmente com a turma de adolescentes, em que eles separaram quatro palavras-chave para usar na exposição: sonhos, persistência, luta e coletividade”, conta o professor.
“Com isso, eles montaram mini-revistinhas trazendo os sonhos deles a partir dessa proposta. Já com a turma de pequenos, trabalhamos com a pintura de latinhas de spray de grafite, em que cada um colocou ali coisas com que se identifica e os quebra-cabeças, que são relacionados à nossa coletividade e união”, prossegue.
Arte e aprendizado de mãos dadas
Sophia de Oliveira Machado tem 1 anos e participa das duas oficinas desde o começo do ano. Sua obra, uma máscara que contém os dizeres “Diga não ao Preconceito”, foi produzida a partir de experiências pessoais.
“Eu já sofri preconceito porque eu tenho umas verruguinhas no rosto e vejo algumas pessoas sendo preconceituosas também e eu tento ajudar, mas algumas não têm jeito. Eu também já sofri preconceito por causa da minha cor, fiz vários cartazes para colocar na escola e também falei com um professor, que me ajudou”, relata Sophia.
A estudante conta que as oficinas têm sido uma experiência enriquecedora. “A gente aprende várias coisas, aprendeu frases e a parte que eu mais gosto é o desenho”, continua.
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Juan Pablo Bairros, de 11 anos, conta que fica maravilhado com o que vive nas
oficinas. “Eu comecei a participar há pouco tempo e é muito legal, recomendo super. Você aprende várias coisas e passa a ter informações que você não sabia e vai poder ensinar para familiares”, afirma.
“Eu faço as duas oficinas e fiz uma máscara e um zine, que é um pequeno livrinho, de mais ou menos cinco centímetros, em que eu explico todas as coisas que eu gosto. Por exemplo, se uma criança gosta muito de animais, ela vai fazer sobre animais”, continua.
Oficinas têm objetivos pedagógicos
Camila e Pedro destacam que as oficinas têm o objetivo de promover o bom desenvolvimento dos alunos participantes.
“Nas minhas aulas, trabalho tanto a parte histórica, abordando como a cultura chegou ao Brasil, como aulas práticas de improviso e grafite. Na parte pedagógica e educativa, acredito que a educação libertadora não precisa ser algo maçante, a gente pode aprender se divertindo também. Vou muito na linha o que Paulo Freire [Educador e filósofo brasileiro] nos deixou”, descreve Pedro.
Para Camila, o fortalecimento da autoestima também é um papel fundamental das oficinas. “É para criar esse espaço de fala, de escuta e de acolhimento para eles se sentirem encorajados. De ter um espaço que confia e acredita no trabalho artístico deles de uma forma genuína”, afirma Camila.
“Porque muitas vezes são crianças que passam por diferentes dificuldades, muitas vezes são vulneráveis financeiramente, na questão da alimentação em casa, na questão de recursos, de não ter a socialização com amigos ou colegas, tentamos trabalhar todos esses assuntos nas nossas oficinas”, completa.