Dois anos depois da enchente histórica de maio de 2024 e diante dos novos alertas climáticos que projetam um período de chuvas intensas associado a um possível super El Niño, a preocupação com novas cheias voltou a rondar o Vale do Sinos. Em Novo Hamburgo, esse cenário reacendeu a urgência e acelerou o plano de reforçar e ampliar o sistema de proteção contra alagamentos no município.
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Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Foi nesse contexto que a Prefeitura apresentou ao governo do Estado, no início desta semana, um estudo avançado que redesenha completamente a forma como a cidade pretende enfrentar eventos extremos. Detalhado pelo prefeito Gustavo Finck na quarta-feira (6), o plano prevê a ampliação do sistema de dique em cerca de 21 quilômetros, e inclui ainda a elevação do dique atual da Santo Afonso, a construção de sete novas casas de bombas e a implantação de novas bacias de acúmulo de água. A estimativa inicial é de um investimento de cerca de R$ 800 milhões.
Para viabilizar essa proposta, a Prefeitura estima a necessidade de remover cerca de 80 famílias que vivem em áreas alagadiças ou no traçado previsto para as estruturas, sendo aproximadamente 40 no Santo Afonso e outras 40 em Canudos. Parte dessas famílias já foi notificada. “É uma obra pensada para (proteger o município pelos próximos) 50 anos, no mínimo”, destaca Finck.
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Próximo passo

Foto: Arte Alan Machado/GES
A Prefeitura busca, junto ao governo do Estado, recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para financiar o projeto executivo, estimado em cerca de R$ 20 milhões. Se houver liberação dos recursos, a expectativa é concluir o projeto executivo até o final deste ano. “Em seis meses a gente consegue ter o projeto executivo pronto”, projeta o prefeito.
A partir disso, será possível iniciar o processo de licitação para execução das obras. A ideia do governo é capitanear a obra com recursos do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece), do governo federal.
Dique para proteger o Canudos é a grande novidade
Atualmente concentrado no bairro Santo Afonso, o sistema de dique deverá ser ampliado para proteger áreas que hoje seguem vulneráveis, como a Vila Kroeff, além de avançar até o bairro Canudos e contemplar também a Vila Integração, na Lomba Grande.
A proposta prevê que o novo dique siga desde o limite com Campo Bom até a região da casa de bombas do Santo Afonso, no limite com São Leopoldo. Parte dessa estrutura será construída em argila, como já ocorre hoje, enquanto trechos mais urbanizados terão contenção com muro de concreto, semelhante ao existente no Cais Mauá, em Porto Alegre, e ao sistema implantado recentemente em Canoas.
Uma das principais mudanças em relação a estudos anteriores, como o elaborado pela Metroplan em 2014, é a inclusão de um dique específico para o bairro Canudos. Na avaliação da Prefeitura, a Avenida dos Municípios, antes considerada por técnicos como uma barreira natural contra cheias, não cumpre essa função. “O estudo antigo entendia que a Avenida dos Municípios era um dique, mas ela tem várias passagens por baixo. Então não é um dique”, afirma Finck.
Com isso, o novo projeto prevê a construção de um dique paralelo à avenida, a cerca de 200 metros de distância, no trecho entre o limite com o município de Campo Bom e a Estrada da Integração Leopoldo Petry.
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Reforço com novas casas de bombas
Esse novo sistema contra cheias será reforçado com novas casas de bombeamento. Quatro delas ficarão na região de Canudos, posicionadas entre o novo dique e a Avenida dos Municípios. Outras duas no Santo Afonso, e a sétima será instalada na Vila Integração.
Cada uma dessas casas de bombas contará com uma bacia de acumulação, que vai absorver temporariamente as águas vindas da área urbana antes do bombeamento para o banhado e, posteriormente, para o Rio dos Sinos. “A ideia é fazer a água chegar até essas bacias e dali ser bombeada para fora. Isso aumenta o tempo de resposta do sistema”, explica.
No bairro Santo Afonso, será construída uma nova bacia de acúmulo ao lado da já existente, dobrando a capacidade do sistema. Também será implantada uma nova casa de bombas independente da atual, embora interligada em operação. Já a antiga casa de bombas da Vila Kipling, projetada no bairro Canudos, não será aproveitada. “Ela está obsoleta. Não vamos investir dinheiro em algo que não funciona”, pontua.
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Alteamento do dique atual
Outro ponto importante do estudo é o reforço do dique da Santo Afonso, que hoje tem cerca de cinco metros de altura, deverá ser elevado em pelo menos 1,5 metro, podendo ultrapassar os seis metros. A medida leva em consideração as novas cotas de inundação identificadas após a enchente de 2024. Em Lomba Grande, o projeto prevê a criação de um sistema de contenção ao redor da Vila Integração, formando uma espécie de “cinturão” de proteção.