Mesmo diante das dificuldades, os estudantes do EJA da EMEB Maria Quitéria, no bairro Roselândia, em Novo Hamburgo, não temem os desafios nem se intimidam com o novo. A aluna de 67 anos, Maricia Velasquez, faz parte desse grupo que retornou aos estudos com o objetivo de aprimorar o que já faz no dia a dia — o empreendedorismo — e aprender o que ainda não domina: informática.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
A estudante já participa de feiras no bairro, comercializando alimentos como pizzas e outros lanches. Em busca de ampliar seus conhecimentos no ramo dos negócios, voltou a estudar este ano no EJA. Para sua surpresa, a base curricular inclui noções de empreendedorismo, algo que ela já pratica há anos.
A escola ainda proporcionou outra experiência a Maricia: a Feira de Economia Solidária, realizada na segunda-feira (6), na própria EMEB Maria Quitéria. Os alunos tiveram a oportunidade de comercializar produtos que já fazem parte de seus negócios, como alimentos coloniais, materiais de limpeza, roupas e lanches.
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Mas a vontade de aprender vai além. Mesmo enfrentando dificuldades com as tecnologias, Maricia diz estar animada para adquirir novas habilidades.
“Esse negócio de informática eu não entendo nada. Meu telefone é o mais simples, sem WhatsApp, porque não consigo mexer. Por isso quero tanto aprender”, contou.
Assim como Maricia, outras estudantes também ingressaram no EJA em busca de realização pessoal e de oportunidades que, no passado, lhes foram negadas. É o caso de Larissa Borba, de 24 anos, que nunca havia empreendido e encontrou na escola a chance de comercializar produtos cultivados na propriedade da sogra.
“Nunca participei de feiras nem tive um negócio próprio. É a primeira vez que vendo algo, e estou gostando muito. Sempre admirei quem comercializava seus produtos e tinha vontade de tentar. Quando nosso professor apresentou o projeto, resolvi arriscar”, relatou.
Feira é a porta para estudantes mostrarem seu potencial
De acordo com a diretora da escola, Tatiane Kremer, a iniciativa permite que os alunos revelem suas habilidades, colocando em prática o que aprendem em sala de aula. “Esse foi um projeto-piloto, mas a ideia é repeti-lo”, afirmou.
A diretora também destaca a importância do EJA como ferramenta transformadora na vida de jovens e adultos que retomaram os estudos. Para apoiar esse aprendizado, a escola busca atender às necessidades dos alunos e garantir que o ensino possa ser aplicado no dia a dia.