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Novo Hamburgo

"Eu digo sim à doação de órgãos": campanha realizada pela Fundação Saúde alerta sobre a importância de ser doador

Entre as ações, depoimento de Claudia Denise Pelufo relembra trajetória da família, afetada por uma doação, e ressalta mudanças na conscientização desde os anos 1990

Dário Gonçalves
Publicado em: 26/09/2025 às 15h:27 Última atualização: 26/09/2025 às 15h:31
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A campanha Setembro Verde, voltada à conscientização sobre a doação de órgãos, ganhou força nesta sexta-feira (26) em Novo Hamburgo com o evento “Eu digo sim à doação de órgãos”, promovido pela Fundação de Saúde. Entre palestras e debates técnicos, um dos momentos mais emocionantes foi o depoimento de Cláudia Denise Pelufo, assistente social do Hospital Municipal.

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Claudia Denise Pelufo falou sobre a perda do irmão e de como o pai foi salvo por um transplante | abc+



Claudia Denise Pelufo falou sobre a perda do irmão e de como o pai foi salvo por um transplante

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Cláudia relatou a história da própria família, marcada tanto pela perda quanto pela esperança. Em 1996, o irmão Marcelo Jair Pelufo, de apenas 13 anos, sofreu morte encefálica. Na época, a doação de órgãos ainda era pouco difundida e a família não recebeu informações adequadas para tomar uma decisão. “Era um menino saudável, poderia ter sido doador. Hoje, talvez uma parte dele ainda estivesse viva entre nós”, refletiu.

Três anos depois, foi o pai, José Salvador Pelufo, quem precisou de um transplante de coração. Em setembro de 2000, após meses de espera e com um quadro de saúde delicado — agravado pela perda do filho —, ele recebeu justamente o órgão de outro adolescente de 13 anos, mesma idade que Marcelo tinha quando faleceu. “Foi um recomeço. Meu pai viveu mais 13 anos com qualidade de vida, o que nos mostrou que a doação pode não só salvar, mas ressignificar a vida de quem recebe e de toda a família”, contou Claudia.

Além da experiência pessoal, ela destacou as transformações no processo de doação ao longo das últimas décadas. “Na época do meu irmão não havia essa cultura. Hoje, existe protocolo, acolhimento da família e maior conscientização. É importante falar em vida sobre o desejo de ser doador, porque depois aquele órgão pode se perder, deixando de salvar outras pessoas”, disse.



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Dados da Fundação de Saúde

De acordo com informações apresentadas no evento, o Hospital Municipal de Novo Hamburgo notificou 14 casos de morte encefálica em 2025, dos quais metade resultou em autorização das famílias para doação. Até setembro, foram 7 doações efetivas, que possibilitaram a captação de 22 órgãos, beneficiando pacientes em lista de espera

O evento também contou com palestra das enfermeiras Camila Crippa e Andreia Bezerra, além da abertura feita pela diretora de gestão hospitalar Roberta Guzzon. O encerramento ocorreu com espaço para perguntas e interação do público.

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A Fundação destacou que, nos últimos 13 anos (2012-2025), o hospital contribuiu com 63 doações de órgãos e tecidos, mostrando o impacto contínuo do trabalho de conscientização e atendimento. “A Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) desempenha papel central nesse processo, conversando com as famílias de forma acolhedora e explicando cada passo, para que a decisão de doar seja tomada com segurança e respeito. Cada doação evidencia como a solidariedade pode salvar vidas e renovar a esperança de muitas pessoas.”

Cenário no Brasil e no RS

De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), o país registrou no primeiro semestre de 2025 uma taxa de 19,5 doadores efetivos por milhão de população (pmp). Embora o número represente estabilidade em relação ao mesmo período de 2024, ainda está abaixo do necessário para atender a demanda nacional, que soma mais de 71 mil pacientes em lista de espera, a maioria em busca de um rim.

O Rio Grande do Sul aparece acima da média, com 21,5 doadores efetivos pmp, resultado que coloca o Estado entre os mais engajados do país. Mesmo assim, os desafios permanecem: até junho, mais de 1,2 mil gaúchos aguardavam por um transplante.

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Registro em cartório

Neste sábado (27) comemora-se o Dia Nacional da Doação de Órgãos, instituído pelo Ministério da Saúde como uma data de mobilização para ampliar a conscientização sobre esse gesto de solidariedade. Em 2024, o país contabilizou mais de 30 mil transplantes realizados, entre rins, fígados, córneas e medula óssea.

Desde abril de 2024, os cidadãos contam com um recurso digital para formalizar sua vontade de ser doador: a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). O procedimento é gratuito e pode ser feito pela plataforma e-Notariado, com emissão de um certificado digital e videoconferência com um tabelião. O documento passa a integrar automaticamente a Central Nacional de Doadores de Órgãos e pode ser consultado por equipes de saúde autorizadas em todo o país.

No Rio Grande do Sul, mais de 850 pessoas já formalizaram sua intenção de doar órgãos por meio da AEDO. Para a presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção RS, Rita Bervig, a tecnologia é um marco. “A possibilidade de manifestar o desejo de ser doador de forma totalmente eletrônica trouxe mais praticidade. É um avanço que humaniza e moderniza este ato de solidariedade”, afirmou.

Atualmente, mais de 42 mil brasileiros aguardam por um transplante.

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