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SEM GESTAÇÃO

Exame aponta gravidez inexistente e moradora de Novo Hamburgo contesta resultado emitido pelo Hospital Municipal

Promotora de eventos descartou nova gestação após exames motivados por sangramento e reviveu experiência de perda gestacional

Publicado em: 11/05/2026 às 19h:01 Última atualização: 11/05/2026 às 19h:01
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Após exames com resultados contraditórios, uma moradora de Novo Hamburgo viveu, em poucos dias, a emoção de uma possível quarta gravidez e o choque ao descobrir que a gestação nunca existiu. A promotora de eventos Juliana de Vasconcellos, de 28 anos, conta que a situação começou com um exame avaliado pelo laboratório do Hospital Municipal de Novo Hamburgo (HMNH).

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Hospital Municipal de Novo Hamburgo | abc+



Hospital Municipal de Novo Hamburgo

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Mãe de três meninas, a jovem relata que, após perceber oscilações no ciclo menstrual semelhantes às que teve em outras gestações, solicitou na UBS Kunz, no bairro Hamburgo Velho, uma bateria de exames, incluindo o Beta HCG, utilizado para detectar a gravidez. A coleta de sangue foi feita no dia 5 de maio e o resultado foi disponibilizado pelo HMNH naquela tarde: ela estava grávida.

Familiares próximos logo foram avisados. Naquela noite, porém, um corrimento menstrual provocou insegurança em Juliana de Vasconcellos, que sofreu a perda de um bebê há oito anos. “Já fiquei neurótica. ‘Estou com o bebê e agora esse sangue. O que está acontecendo?’”, relata ter pensado.

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Para a quarta-feira (6), uma ecografia particular foi agendada. Durante o procedimento, veio a revelação: não havia bebê nenhum.

“Na hora, me veio o questionamento: ‘Perdi outro filho e não senti nada?’”, conta a moradora do bairro Canudos, que dividia o momento com o marido, pai de um filho de outro relacionamento. O suposto bebê seria o primeiro filho do casal.

Conforme Juliana, a ecografista ainda buscou sinais de uma possível gestação durante o procedimento transvaginal, mas não encontrou qualquer indício de feto. “Passei uma noite terrível. Chorando, chorando, chorando. Me ataquei da asma cinco, seis vezes de madrugada”, descreve.

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Na quinta-feira (7), ela retornou à UBS Kunz para solicitar novamente um Beta HCG. Feito o segundo teste, foi confirmada pelo hospital a inexistência de um feto em formação.

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“Fiquei abismada, porque eu poderia esperar qualquer coisa, menos que o laboratório tivesse errado meu exame. Só erraram a digitação? Trocaram a minha etiqueta com a de outra pessoa? Ou trocaram meu exame e tem uma mulher grávida por aí que não sabe que está grávida? É muito absurdo o que aconteceu”, lamenta.



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“É um erro que não tem como ocorrer”

Juliana de Vasconcellos é mãe de Rafaela, Manuela e Gabriela, de 13, 10 e 5 anos, respectivamente. Após o caso envolvendo o Hospital de Novo Hamburgo, ela registrou reclamações na Ouvidoria da instituição. O retorno foi de que o caso foi encaminhado à coordenação do laboratório e ao setor jurídico.

“Fico pensando: quantas mães que já não passaram por isso?”, questiona Juliana. “É um erro que não tem como ocorrer”, conclui.

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Sindicância instaurada

O Hospital Municipal de Novo Hamburgo se posicionou sobre o caso por meio da Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH), responsável pela administração da instituição. Em nota, disse que “o fato foi encaminhado ao jurídico da Fundação (…) e será apurado mediante sindicância”.

“Dessa vez não vi um bebê morto dentro de mim”

Em 2018, durante a terceira gestação, Juliana descobriu, em uma ecografia, que o bebê estava sem batimentos cardíacos e havia interrompido o desenvolvimento. “Ali foi horrível, muito pior do que dessa vez porque, claro, dessa vez eu não cheguei a ter um bebê, não vi um bebê morto dentro de mim”, lembra.

Na época, após a perda gestacional, Juliana foi informada de que deveria aguardar 30 dias para expelir o feto naturalmente. Contrária à recomendação, ela voltou ao hospital. Na casa de saúde, permaneceu a tarde e a noite sem acompanhante no centro obstétrico, onde estavam outras mães e seus recém-nascidos.

“Eles meio que me doparam na madrugada porque eu não parava de chorar. No outro dia, o médico chegou, veio conversar comigo, eu chorando, e ele falou: ‘Não levaram essa menina ainda porque para fazer a curetagem?’”, relata a moradora do bairro Canudos, que viria a ser submetida ao procedimento naquele mesmo dia.

Para ela, a forma como a situação foi conduzida por parte da instituição marcou o início de uma relação de frustração. “Daí em diante a minha experiência com o Hospital Geral foi uma decadência, porque tive que escutar coisas que, até hoje, quando falo, me dá uma agonia de pensar que eu não sou a única que passou por isso. Como, por exemplo: não era um bebê, era só um feto”.

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