A chuva que caiu na manhã desta quinta-feira (19) em Novo Hamburgo impediu a confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi nas ruas do entorno da Catedral São Luiz Gonzaga. Ainda assim, a celebração do feriado religioso reuniu fiéis e manteve o espírito de fé e solidariedade, com a criação do “Tapete Solidário” no interior da igreja.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
A Santa Missa solene, presidida por Dom João Francisco Salm, teve início às 10h dentro da Catedral. A procissão, que aconteceria ao redor do quarteirão, também foi adaptada para o interior da igreja por conta da instabilidade do tempo. Embora a Catedral não estivesse completamente lotada, a presença de fiéis foi expressiva.
Em vez dos tapetes de serragem colorida com representações religiosas, o corredor central da igreja foi preenchido por alimentos doados pelos fiéis, formando um símbolo concreto de cuidado com os que mais precisam. A iniciativa buscou unir fé e ação, como destacou o padre Marco Antonio Leal.
“Hoje celebramos nossa fé e nosso amor a Jesus eucarístico, expressão do amor que ele nos deixou na última ceia. Jesus está vivo na Eucaristia, mas também em cada irmão necessitado. Por isso, o Tapete Solidário é uma forma de unir fé e amor, levando alimentos aos mais necessitados”, afirmou o padre durante a celebração.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Além da reflexão sobre a Eucaristia, o sacerdote também fez um apelo à esperança, lembrando os desafios enfrentados pela população, especialmente no Rio Grande do Sul, que ainda lida com as consequências das enchentes:
“Estamos no Ano da Esperança, proclamado pelo papa Francisco. Mesmo diante das dificuldades, sejam climáticas, econômicas ou sociais, somos chamados a viver a esperança. A Palavra de Deus diz que a esperança não decepciona, e é ela que nos move a superar juntos os momentos mais difíceis”, completou.
Entre os fiéis que compareceram à celebração de Corpus Christi, estava a aposentada Ana Lúcia Machado, de 67 anos, moradora do bairro Hamburgo Velho. Com um pacote de arroz e outro de feijão nas mãos, ela entrou na Catedral pouco antes da missa começar e depositou os alimentos no Tapete Solidário.
“Já participei de muitas missas de Corpus Christi com aqueles tapetes lindos nas ruas, mas hoje foi diferente e muito bonito também. A gente vê tanta gente passando necessidade, então é nosso dever ajudar um pouquinho. Trouxe o que pude, e trouxe com fé”, contou.