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ARTE E CULTURA

Festival de Esquetes surpreende e reforça papel de Novo Hamburgo como polo cultural

Segunda maior edição do evento reuniu grupos de diferentes regiões do Rio Grande do Sul

Dário Gonçalves
Publicado em: 20/06/2026 às 18h:14
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A cada sessão, uma nova surpresa sobe ao palco do Teatro Paschoal Carlos Magno. Em sua 28ª edição, o Festival de Esquetes Teatrais de Novo Hamburgo tem reunido grupos de diferentes regiões do Rio Grande do Sul e impressionado público, organizadores e jurados pela criatividade e qualidade das apresentações.

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Na esquete Guia Cego, duas mulheres cegas tentam atravessar a cidade guiadas pela boa intenção, mas acabam refletindo sobre quem realmente conduz os caminhos | abc+



Na esquete Guia Cego, duas mulheres cegas tentam atravessar a cidade guiadas pela boa intenção, mas acabam refletindo sobre quem realmente conduz os caminhos

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Neste ano, o evento recebeu 28 esquetes, número que representa a segunda maior edição da história do festival. Para o produtor cultural e coordenador da ParaNóia Produções, Luis Fernando Rodembuch, o volume de participantes mostra a força do teatro e a importância do evento para a formação de novos artistas.

“A gente se surpreende com os esquetes. Tu espera alguma coisa, vem outra, muda tudo. Mas o mais importante é essa criatividade dos grupos”, afirma. Segundo ele, muitos trabalhos apresentados no festival acabam ganhando novas dimensões e se transformando em espetáculos completos. “Aqueles que tiveram uma boa aceitação do público acabam crescendo e virando peças de teatro. A ParaNóia continua oportunizando isso.”



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Formação de público

Rodembuch destaca que o festival também cumpre um papel de formação de público. “Queremos deixar um convite para que as pessoas venham prestigiar o teatro. Teatro é comunicação, liderança, desinibição e criatividade. Teatro é vida.”

Além das apresentações competitivas, o encerramento, na noite de domingo (21), contará com a exibição de “Sonho de Voar”, espetáculo do grupo Pintando o 7 que nasceu justamente a partir de uma esquete vencedora em edição anterior do festival. Ao longo da programação, também estão sendo entregues troféus de mérito teatral a personalidades que contribuíram para a cena cultural da região.

 



 

Olhar experiente no júri

Entre os jurados da edição deste ano está o ator, diretor e produtor cultural Felipe Kannenberg, natural de Novo Hamburgo. Com trajetória consolidada no teatro, cinema e televisão, ele avalia que o festival vai além do caráter competitivo e representa uma oportunidade importante de crescimento artístico.

“Embora o formato de esquete seja frequentemente visto apenas como um exercício cênico, este festival propõe um desafio valioso para estudantes, universitários, amadores e profissionais”, afirma.

Os jurados Felipe Kannemberg, Marco Aurélio Alves e Betinho Klein | abc+



Os jurados Felipe Kannemberg, Marco Aurélio Alves e Betinho Klein

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Para Kannenberg, a cidade é privilegiada por sediar um evento que atrai grupos de diferentes regiões e fortalece sua vocação cultural. “Novo Hamburgo se coloca no centro das atenções como um polo cultural. É gratificante constatar, como jurado, a qualidade artística excepcional do que temos visto.”

Segundo ele, a programação tem apresentado uma ampla diversidade de linguagens, passando pela comédia, pelo drama e por espetáculos de caráter mais lúdico. “Independentemente do gênero, todas as obras trazem uma mensagem reflexiva ou uma contribuição significativa, algo que considero fundamental na arte.”



Produções locais ganham projeção internacional

Além da participação no júri, Kannenberg também tem acompanhado de perto o crescimento da produção audiovisual da região. Recentemente, ele protagonizou o curta-metragem “George”, produzido em Novo Hamburgo e exibido em festivais internacionais na Índia e na Rússia.

Dirigido por Fernanda Kern e Maurício Borges de Medeiros e viabilizado por recursos da Política Nacional Aldir Blanc, o filme aborda temas como abuso de poder e arbitrariedade. “O curta aborda o abuso de poder e a arbitrariedade em situações cotidianas como a detenção injustificada de um indivíduo em um supermercado. O título é uma homenagem a George Floyd, e fico muito feliz com a repercussão internacional e a trajetória da obra em festivais pelo mundo”, afirma o ator.

Cena de George | abc+



Cena de George

Foto: Divulgação

Paralelamente, Kannenberg trabalha na captação de recursos para seu primeiro longa-metragem como diretor. O projeto é inspirado na trajetória de seu avô, um imigrante alemão preso durante o Estado Novo por realizar um enterro em língua alemã, em desacordo com as políticas de nacionalização da época. “Minha pesquisa revelou um capítulo pouco explorado da nossa história. O objetivo do filme é trazer luz a esse momento formativo da nossa sociedade”, explica.

Ainda sem data de filmagem definida, o projeto está em fase de busca por recursos por meio de editais e mecanismos de incentivo ao audiovisual.

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