Mais de 200 crianças e jovens com deficiência participaram, na manhã deste sábado (14), da primeira edição do Festival Paralímpico em Novo Hamburgo. O evento ocorreu no Ginásio Victor Hugo Körbes, o Vitão, localizado no Parque do Trabalhador, e teve como objetivo incentivar o esporte paralímpico e proporcionar experiências inclusivas para os participantes.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Durante a programação, os participantes puderam vivenciar três modalidades adaptadas: bocha, arremesso de pelota e vôlei sentado. As atividades, com caráter lúdico e não competitivo, foram organizadas em estações com duração de 30 minutos cada, permitindo o revezamento entre as modalidades.
A ação é promovida nacionalmente pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, com patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal. Neste ano, o festival ocorreu em 123 cidades brasileiras simultaneamente, sendo nove delas no Rio Grande do Sul. Além desta edição, Novo Hamburgo sediará um novo encontro no dia 20 de setembro, véspera do Dia Nacional da Pessoa com Deficiência.
Conforme explica o diretor de Esporte e Lazer da Prefeitura, Rafael Lucas, o município foi contemplado com duas edições após inscrição no edital do Comitê Paralímpico. “Tivemos a presença de mais de 40 voluntários, entre servidores públicos e integrantes da comunidade. Chegou a 225 crianças e jovens inscritos para as atividades, e nós ficamos muito felizes em poder ter um evento dessa grandeza, de tamanho e importância, ainda mais se tratando desse público tão especial que são as pessoas com deficiência”, destacou.
Marcos Gueths, coordenador técnico do festival, reforça o caráter pedagógico e inclusivo da proposta. “Essa atividade consiste em trazer de uma forma lúdica, não competitiva, a vivência em modalidades paralímpicas para alunos com deficiência, de 7 até 23 anos. O objetivo é dar visibilidade e oferecer vivências esportivas adaptadas. É uma forma de inclusão, que respeita as limitações sem perder o foco no potencial de cada um”, explicou.
Importância de ocupar espaços
As famílias também acompanharam os estudantes durante as atividades. Para Marilane Pires Mendes, 65 anos, mãe de João Vitor Mendes Alvarenga, de 20, que participa do projeto Gol de Placa do Esporte Clube Novo Hamburgo, eventos como esse são fundamentais para a valorização das pessoas com deficiência. “Para eles, é muito importante participar de qualquer evento paralímpico para que a sociedade veja que os diferentes também têm capacidades de fazer coisas que os ditos normais fazem. Ele aprende como os outros, mas em tempos diferentes, e temos que aceitar isso e fazer todo um trabalho para que isso aconteça”, comenta.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Marilane conta ainda que, nesses 20 anos, a mudança que mais percebeu foi dentro das escolas. “Ao longo dos anos isso vem acontecendo, de trabalhar melhor com essas crianças. A sociedade vem aceitando melhor e tem uma crescente aceitação, que é muito importante”, completa.
O secretário interino de Educação, André Luís da Silva, destaca que a iniciativa é um ponto de partida para a construção de políticas públicas permanentes voltadas ao esporte inclusivo. “É uma importância muito grande para Novo Hamburgo, principalmente por iniciar um processo de dar visibilidade a esses alunos, jovens com deficiência e mostrar que eles também podem, dentro do esporte, ter um protagonismo que as outras crianças, os ditos normais, acabam tendo muito mais facilidade de participar”, afirma.
Silva também destaca que a adesão ao festival dá esperanças de construir políticas públicas que possam fomentar o esporte paralímpico no dia a dia. “A ideia é que eles possam vivenciar todas as modalidades, independente da deficiência, para que possam conhecer e vivenciar a particularidade de cada uma”, finaliza.