As reclamações sobre o gosto e o cheiro da água, registradas há mais de dez dias no Vale do Paranhana, já se estendem ao Vale dos Sinos. Moradores de Novo Hamburgo, assim como de cidades vizinhas, relatam um forte gosto de terra na água fornecida pela Comusa, impossibilitando o uso não apenas para consumo, mas para atividades básicas, como cozinhar e escovar os dentes.
O odor também é apontado pelos usuários, embora a coloração da água permaneça inalterada. [Veja abaixo posicionamento da Comusa]
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Foto: Paola Altneter/GES-Especial
Diante da situação, uma das alternativas encontradas pela população tem sido o abastecimento em bicas públicas, usadas para suprir as necessidades. Nesta sexta-feira (10), pontos de pelo menos dois bairros registraram grande procura, com formação de filas e movimentação de moradores que enchiam galões e litros.
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Foto: Paola Altneter/GES-Especial
É o caso do metalúrgico Glademir Veiga, de 60 anos, que há dias passou a sentir diferença na água. “Parece que está com um gosto tipo areia, barro, uma coisa indefinida.”
A qualidade da água implica em outras atividades e o abastecimento da bica vem auxiliando. “Não tem como usar para tomar banho”, desabafa.
Com seis galões em um carrinho, Benta Scherer, 77, buscava amenizar a situação em casa. “Horrível, não dá para tomar”, descreve a água fornecida pela Comusa. A dona de casa, que já tinha o hábito de retirar água na bica, precisou aumentar as visitas ao local, já que a qualidade interfere em diversos usos. “Essa aqui [da bica] é ótima, desde os sete anos eu busco água aqui”, comenta.
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Foto: Paola Altneter/GES-Especial
Já Marilene Oliveira, 42, periodicamente buscava água na bica, mas precisou intensificar os trabalhos nesta semana. “Nos últimos dias, a água da Comusa não dá nem para o chimarrão, dependendo da erva, ainda fica o gosto. Tá muito forte e suja a água. A gente enfrenta fila, porque tem muita gente pegando”, afirma. A operadora de máquina relata que até lavar a louça com a água fornecida pela Comusa se tornou uma tarefa inviável.
A cuidadora de crianças Maria Beatriz Silva, 63, precisa coletar um alto volume para fornecer água de qualidade para as crianças. “Mais é para fazer o café para as crianças tomarem. Agora eu venho buscar por causa deles”, menciona.
Além de Novo Hamburgo, o gosto alterado e mau cheiro também foram registrados nas cidades de Campo Bom, Estância Velha, Sapiranga, São Leopoldo, Taquara e Rolante.
O que diz a Comusa
De acordo com a Comusa, a qualidade da água distribuída à população atende rigorosamente aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde, com monitoramento contínuo e análises realizadas em laboratórios certificados.
“A alteração pontual de gosto e odor foi identificada após o episódio de chuva recente, que impactou temporariamente as características da água bruta captada. Desde então, a situação vem sendo acompanhada de forma permanente pelas equipes técnicas, com monitoramento 24 horas por dia e realização de todas as análises necessárias, que descartaram qualquer risco à saúde”, esclarece em nota.
Além disso, informa que o sistema de tratamento da Companhia conta com filtros de carvão ativado, tecnologia utilizada para minimizar alterações sensoriais como gosto e odor.
Sobre o consumo de água proveniente de bicas urbanas, isto é, fontes públicas não integradas ao sistema regular de abastecimento, a Comusa reitera potenciais riscos à saude. “Essas fontes, em geral, não possuem controle operacional continuo, tampouco passam por processos sistemáticos de tratamento, desinfecção e monitoramento da qualidade da água, conforme exigido para sistemas públicos de abastecimento”, afirma.