Um local cuja história centenária se mistura com a de Novo Hamburgo. Esta é a Igreja Evangélica Três Reis Magos, popularmente conhecida como a Igreja do Relógio.
De acordo com o Pastor William Felipe Zacarias, o aniversário é comemorado no dia 4 de abril, data em que, há cem anos, houve a inauguração do templo anexo à torre que já havia sido construída de 1895 a 1898. É o local em que, até os dias atuais, o povo evangélico de confissão luterana celebra sua fé em Deus.
O religioso comenta que a história do local é marcada por fomento à educação e, assim como a do próprio luteranismo, de liberdade de pensamento.
“A Igreja em si está ligada ao começo da cidade. Ela fica exatamente no morro onde os primeiros imigrantes alemães fundaram a comunidade em 1832”, narra.
“Eles logo começaram a fazer um templo e, na época, por causa do Brasil Império, quando a religião oficial era a católica, então não podia ter o aspecto de igreja. Não podia ter torre, não podia ter sinos, nem cruz. Tinha que parecer uma casa”, continua.
Liberdade religiosa e educação marcam a história da comunidade evangélica
Após a Proclamação da República em 1889 e com a instituição do Estado Laico por meio da constituição de 1891, a comunidade evangélica passou a ter o direito de exercer a sua fé. “Por isso, nós valorizamos muito o 15 de novembro. Para nós, é uma data muito importante porque significou a nossa liberdade religiosa e nos trouxe, pela primeira vez, a possibilidade de existirmos como nós somos”, comenta Zacarias.
O pastor lembra, ainda, que a primeira escola de Novo Hamburgo funcionava no endereço onde hoje é a Igreja do Relógio. “Era a IENH (Instituição Evangélica de Novo Hamburgo)”, diz.
Confira também: Cidade do Vale do Sinos tem inscrições abertas para residência pedagógica; saiba como participar
“Durante a semana, ocorriam as aulas e, aos domingos, no mesmo espaço, acontecia o culto. Não havia pastores formados na época, então os próprios colonos selecionavam a pessoa que tivesse mais estudo para ministrar as aulas”, continua.
Homenagem na Câmara de Vereadores
Com objetivo de homenagear a história da Igreja Evangélica Três Reis Magos, a Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo contou com sessão solene no dia 26 de fevereiro, proposta pelo parlamentar Felipe Kuhn Braun (PSDB).
“Vocês fazem o presente e moldam o futuro para a comunidade, para o bairro Hamburgo Velho e para a cidade, fazendo a diferença por meio das obras sociais e contribuindo para uma Novo Hamburgo melhor. São 100 anos da edificação deste templo e 194 anos desde a fundação da Comunidade. Hoje contamos a história de um grupo que iniciou formalmente com os pioneiros imigrantes alemães e que criou a primeira escola da cidade – hoje Pindorama – trazendo valores familiares, o trabalho e, acima de tudo, a fé. É uma trajetória de superação”, afirmou, conforme material divulgado pelo legislativo.
Também esteve presente na homenagem, dentre outras autoridades, o pastor do Sínodo Rio dos Sinos, Carlos Eduardo Müller Bock, que destacou a importância da Igreja na consolidação da presença luterana e evangélica na região. “Os fiéis são pessoas que, ao longo dos anos, sustentaram o ensinamento de Jesus. Esta comunidade, em todos os tempos, enfrentou imensas dificuldades, inclusive internas. É preciso saber construir o convívio entre pessoas que sentem e pensam de maneira diferente”, afirmou.
Ações em prol da comunidade
Hoje em dia, a Igreja do Relógio, além de ser um espaço para cultos e orações, continua sendo palco de ações culturais. “A Comunidade cede quinzenalmente seu espaço para ensaios do Núcleo de Orquestras Jovens de Novo Hamburgo, e o local também já foi cedido muitas vezes para ensaios da Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo (OSNH)”, menciona o pastor.
“Em 2025, tivemos eventos de Cultura na Igreja que reuniram centenas de pessoas em eventos culturais com Coros e Instrumentos. Vamos continuar esse projeto em 2026”, acrescenta.
ENTRE NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP
Durante as enchentes de 2024, a comunidade evangélica produziu 300 marmitas por dia por 60 dias para auxiliar a população atingida, como lembra William Felipe Zacarias. O número chega a um total de 18 mil marmitas.
William Felipe cita também outras ações. “Mulheres da OASE (Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas) e outras voluntárias costuraram mais de 7 mil kits de roupas de cama que foram doados às vítimas das enchentes”, relata.
“Atualmente, o grupo das costuras continua ativo todas as segundas-feiras, produzindo mantas e outros produtos que são doados ao Hospital Geral de Novo Hamburgo. Somos uma Comunidade histórica, mas que quer ser viva no presente, acolhendo pessoas de todas as idades nos diversos grupos de trabalho”, finaliza.