O segundo Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) de 2025 trouxe números preocupantes para os moradores de Novo Hamburgo. Os dados expõem uma quantidade expressiva de mosquitos transmissores da dengue, chikungunya e zika vírus no município.
O índice significa que a cidade se encontra em perigo de surto para as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES), Novo Hamburgo registrou 3.623 casos de dengue até o dia 11 de junho, além de um óbito causado pelo vírus.

Foto: Fotos Públicas
No Estado, são 474 municípios infectados e mais de 29,5 mil casos confirmados, com 37 mortes. Conforme o virologista e pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da Universidade Feevale, Fernando Spilki, o risco é alto não apenas para a dengue.
“Nessa fase eu pensaria mais em cuidado com outras arboviroses, especialmente chikungunya, que se transmite por vezes em temperaturas mais baixas.”
Spilki explica que o vírus da chikungunya consegue se multiplicar em temperaturas baixas, ao contrário do que as necessárias para a dengue.
Outro fator é que os casos de dengue acabam reduzindo bastante no inverno, já que os ovos do mosquito entram em latência no frio. No entanto, a bióloga Letícia Batista Dutra, gerente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Novo Hamburgo, faz um alerta. “Ainda há o risco de contaminação. A chuva, com calor na sequência, é ideal para o desenvolvimento dos ovos do mosquito.”
Por isso, o trabalho de prevenção é mais uma vez destacado pelo poder público. “Realizamos fiscalizações regulares com as equipes da Vigilância Ambiental e dos Agentes de Combate às Endemias, com possibilidade de notificações, autuações e multas, conforme a gravidade de cada situação.”
Surtos
Letícia reitera que apesar da situação não ser de surto, o município já passou por ocorrências em anos anteriores. “Especialmente a partir de 2022. Tivemos surtos de dengue em 2022, 2023 e 2024. A tendência é que isso seja permanente no Estado.”
A bióloga esclarece que o grande número de mosquitos, além de pessoas infectadas, aumenta a chance de contaminação por dengue. “A fêmea do Aedes aegypti é contaminada a partir do momento em que ela pica uma pessoa contaminada. A partir disso, passa a contaminar outras pessoas por meio da picada.”
Já a chikungunya tem um comportamento diferente. “É possível que o mosquito transmita o vírus para o ovo.” Ou seja, ao eclodir, a larva já é portadora da doença, possibilitando a transmissão mais rápida para humanos. “A biologia não é uma ciência exata”, comenta.
Prevenção e método defasado
Para aumentar a efetividade do combate aos vírus, o município utiliza diversas estratégias. Uma delas é o programa Saúde na Escola, que leva os agentes de endemia às instituições de ensino a fim de conversar com os alunos sobre a importância dos cuidados. “A população também precisa fazer a parte dela”, declara.
Os agentes de endemia costumam receber qualificação, visando ampliar o conhecimento de combate com as doenças. “Realizamos fiscalizações diárias e tentamos levar informações ao maior número de pessoas possível.”
A cada 60 dias são feitas ações em pontos estratégicos do município, como ferros velhos, cemitérios e floriculturas. “O período foi definido por conta da eficácia do produto utilizado.” Larvicidas e inseticidas também são usados pelos agentes espalhados pelas ruas da cidade.
Apesar das visitas, moradores da Rua Bartolomeu de Gusmão reclamam da presença maciça de mosquitos Aedes aegypti no bairro Canudos. Além disso, reclamam da falta de fiscalização do poder público. A reportagem buscou contato com a Prefeitura para saber o cronograma dos agentes, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Ainda há o método Wolbachia, que consiste em liberar mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que impede que o vírus da dengue se desenvolva nos insetos, reduzindo assim a transmissão da doença. No entanto, a SMS aguarda o retorno do Ministério da Saúde e do governo do Estado para efetivar a implantação da tecnologia.
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Novo Hamburgo, Canoas, Gravataí e Pelotas serão pioneiras no uso da tecnologia. Em contato com a reportagem, a SES explicou que o tema é discutido junto ao Ministério da Saúde, Cosems e municípios envolvidos. Devido à complexidade dos pré-requisitos para a implementação, alternativas são debatidas para viabilizar a implementação no Estado.
No que se refere ao LIRAa, utilizado pelo Ministério da Saúde para levantamento de riscos, Letícia diz que acha a metodologia ultrapassada. “É a mesma desde 2002, precisamos de atualização. O próprio mosquito foi se adaptando às mudanças climáticas.”
O que é o LIRAa?
A metodologia utiliza o seguinte método: aproximadamente 5% dos imóveis da cidade são visitados em um curto período, gerando um indicativo dos níveis de infestação. Em Novo Hamburgo, 4.049 imóveis foram visitados entre os dias 12 e 16 de maio, efetivando a coleta de 415 amostras, enviadas ao laboratório da Universidade Feevale.
Cerca de 86% das amostras foram obtidas em imóveis utilizados como residências, comércios ou empresas; o restante, 14%, foi encontrado em terrenos baldios. Os depósitos mais comuns, assim como em anos anteriores, seguem sendo os pequenos recipientes móveis: baldes, bebedouros de animais, vasos com plantas e pratinhos de vasos de flor. Depósitos fixos, como piscinas e ralos, além dos resíduos descartáveis (lixo) também representaram grande número.
Cuidados
Para evitar a proliferação do mosquito, as pessoas devem ficar atentas ao excesso de água em vasos de plantas, pneus e outros recipientes com acúmulo de líquido. Além disso, é necessário armazenar garrafas de forma correta e evitar a contaminação de calhas e caixas-d’água.
Um cuidado adicional recomendado é a utilização de telas, mosquiteiros e repelente de insetos para afastar os mosquitos transmissores da dengue.
Sintomas
Entre os sintomas mais populares da dengue está a febre alta, igual ou superior aos 38,5°C. Dores musculares intensas, dor ao movimentar os olhos, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo.
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