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NOVO HAMBURGO

Mães criam abaixo-assinado devido a não abertura de turmas de 1º ano em escola de Lomba Grande; entenda

Documento teria chegado a mais de 500 assinaturas; motivo seria dificuldades financeiras, de locomoção e transtornos às crianças

Publicado em: 10/06/2026 às 09h:54 Última atualização: 12/06/2026 às 11h:49
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Um abaixo-assinado organizado por um grupo de mães reivindica a manutenção da abertura de turmas de 1º ano da Escola Municipal de Ensino Básico (Emeb) Bento Gonçalves, do bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo.

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A manifestação ocorre devido à decisão da Secretaria Municipal de Educação (Smed) de fazer com que, gradualmente, a Emeb passasse a ser destinada apenas para anos finais do Ensino Fundamental (6º em diante). O objetivo seria absorver as vagas do Instituto Estadual Madre Benícia, que, em comunicado, anunciou o encerramento de turmas de 6º ano em 2026 e de 7º a partir de 2027.

Vitória, Juliana, Luciana (com o papel), Maria Eliane e Maristela reivindicam a manutenção da oferta de turmas de 1º ano do Ensino Fundamental na Emeb Bento Gonçalves  | abc+



Vitória, Juliana, Luciana (com o papel), Maria Eliane e Maristela reivindicam a manutenção da oferta de turmas de 1º ano do Ensino Fundamental na Emeb Bento Gonçalves

Foto: Amanda Krohn/GES-Especial

As informações partem da autora do abaixo-assinado, Luciana Mello, de 36 anos. Segundo ela, a medida tende a causar dificuldades financeiras e de deslocamento dentro do próprio bairro, além de outros transtornos.

“Minha filha ano que vem vai precisar ser transferida. Se ela for estudar na Castro Alves, que dá mais ou menos uns quatro quilômetros de distância, e eventualmente eu precisar ir até a escola, vou ter que pegar um carro de aplicativo, não sei quanto tempo leva”, afirma, referindo-se às tabelas de horários.

Luciana chegou a utilizar a tribuna na Câmara de Vereadores no dia 27 de maio para relatar a situação dela e de outras mães de forma conjunta. Ela foi acompanhada Maria Eliane Oliveira da Silva, de 31 anos.

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Juliana Sabino Ferreira, de 24 anos, e Vitória Gomes da Rosa, de 30, também enfrentam dificuldades, assim como Maristela da Silva Gomes, 35, que tem filhos neuroatípicos.

“Eu tenho uma filha de 9, estudante aqui da Bento, uma de 5 na Raio de Luz e mais um bebê de 2 anos, e as duas iam entrar no mesmo horário. Eu não tenho carro e não tenho como levar uma na Bento em um horário e outra filha em outra escola no mesmo horário”, diz Juliana.

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“Se acontecer um acidente que a gente precisa ir correndo, vai como? Não é todo mundo que consegue. Se chama carro de aplicativo, ele vem de fora, demora, cancela…”, continua.

Luciana comenta que levou as reclamações de forma unificada também à Prefeitura e ainda não obteve horário disponível na agenda. “Tiraram para abrigar os alunos de uma escola estadual, mas a nossa é municipal, ela foi feita para as crianças da comunidade, do entorno da escola”, completa.

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Mãe comenta risco para filhos atípicos

Para Maristela da Silva Gomes, 35, o problema com o deslocamento a uma escola mais longe de casa vai além dos custos. “Tenho dois filhos gêmeos de cinco anos e eles são atípicos, hiper agitados. Tanto que eu tenho que estar mais de uma vez na escola porque me ligam. Eles são agressivos, batem”, conta.

“Seria um custo com aplicativo e é uma situação muito difícil para mim como mãe, já estou preocupada neste ano. Demora muito para chegar os carros de aplicativos aqui, aí imagina tudo o que pode acontecer até lá”, continua.

Maristela explica que, além dos custos que teria com o deslocamento sempre que fosse chamada até a escola, o trajeto dos meninos com o transporte escolar também é um problema em potencial.

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“Vai interferir muito no emocional deles. Tem um monitor, mas eles podem gritar muito e avançar. Pode até causar um acidente, dependendo do que acontecer, se atingir o motorista, eu não duvido. Como vai ficar o meu coração?”

Veja o que diz a Prefeitura

A Prefeitura de Novo Hamburgo foi procurada para informar sobre a possibilidade de outras alternativas de atendimento aos estudantes que, antes da mudança, iriam para o Madre Benícia. Em resposta, a pasta reforçou, por meio de nota, a necessidade de reorganização de atendimentos na rede pública.

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“Tornou-se necessário que a Rede Municipal estruturasse plano de absorção dos estudantes concluintes dos 5º anos das escolas municipais da região, garantindo a continuidade da oferta dos Anos Finais no próprio bairro de Lomba Grande”, descreve.

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Com isso, a pasta acrescenta que reorganiza os atendimentos da Emeb. “A Secretaria Municipal de Educação vem realizando, de forma gradual e planejada, a reorganização da Emeb Bento Gonçalves para atendimento exclusivo dos Anos Finais do Ensino Fundamental”, descreve.

“O processo iniciou no ano letivo de 2026, com a não abertura de novas turmas de 1º ano, mantendo-se o atendimento das demais turmas já existentes, e seguirá progressivamente nos anos subsequentes até a consolidação da escola como unidade destinada exclusivamente aos Anos Finais”, prossegue.

Sobre possíveis alternativas de atendimento a mães que enfrentassem dificuldades no deslocamento, a Prefeitura afirma que essa questão está em estudo “pelas particularidades geográficas de Lomba Grande”.

Veja a nota na íntegra:

“A Secretaria Municipal de Educação vem realizando, de forma gradual e planejada, a reorganização da EMEB Bento Gonçalves para atendimento exclusivo dos Anos Finais do Ensino Fundamental. O processo iniciou no ano letivo de 2026, com a não abertura de novas turmas de 1º ano, mantendo-se o atendimento das demais turmas já existentes, e seguirá progressivamente nos anos subsequentes até a consolidação da escola como unidade destinada exclusivamente aos Anos Finais.

A medida decorre da necessidade de reorganização da rede pública de ensino da região de Lomba Grande, especialmente após comunicado oficial do Instituto Estadual Madre Benícia, realizado em junho de 2025, informando a implantação do turno integral e o encerramento da oferta de vagas para o 6º ano do Ensino Fundamental a partir de 2026, bem como a previsão de não atendimento dos 7º anos a partir de 2027.

Diante desse cenário, tornou-se necessário que a Rede Municipal estruturasse plano de absorção dos estudantes concluintes dos 5º anos das escolas municipais da região, garantindo a continuidade da oferta dos Anos Finais no próprio bairro de Lomba Grande.

Atualmente, o bairro conta com oito escolas municipais, sendo duas unidades de Educação Infantil e seis escolas de Educação Básica. Destas, apenas duas atendem os Anos Finais do Ensino Fundamental. As escolas municipais de Educação Infantil possuem capacidade total para 305 estudantes, com 243 matrículas ativas, enquanto as escolas de Educação Básica possuem capacidade para 1.537 estudantes, com 1.175 matrículas atualmente ocupadas.

A EMEB Bento Gonçalves foi definida como unidade estratégica para ampliação do atendimento dos Anos Finais por reunir melhores condições estruturais, organizacionais e territoriais para esta finalidade, considerando sua localização central na região, sua capacidade física e a logística de atendimento aos estudantes oriundos das EMEBs Castro Alves, Conde D’Eu, Professora Helena Canho Sampaio e Presidente Washington Luiz.

As análises realizadas pelos setores de gestão de vagas, escrituração escolar, transporte escolar e equipe pedagógica também consideraram as especificidades territoriais e logísticas da região rural de Lomba Grande, especialmente quanto às rotas do transporte escolar e à distribuição territorial das matrículas.

Os estudantes dos Anos Iniciais continuarão tendo garantido o direito à matrícula em outras unidades escolares do bairro. Para o ingresso no 1º ano do Ensino Fundamental, há previsão de atendimento dos estudantes oriundos das EMEIs Lápis Mágico e Raio de Luz nas demais escolas da região, com disponibilidade estimada de 72 novas vagas, respeitando-se o zoneamento escolar e a organização do transporte escolar existente.

Exemplo prático: um aluno que cursou o 1º ano na EMEB Bento Gonçalves permanece na escola em 2026, agora, no 2º ano. Com isso, mantém seu vínculo com a comunidade escolar na qual está inserido. Como explicado acima, apenas não há a abertura de novas turmas para alunos oriundos da educação infantil.”

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