“Conhecimento salva.” É assim que a presidente da Sociedade Grêmio Atiradores Novo Hamburgo, Sabrina Wildner, define a importância do curso gratuito de Defesa Pessoal para Mulheres feito em parceria da entidade com a Secretaria Municipal de Segurança Pública de Novo Hamburgo.
Em sua segunda edição, a iniciativa envolve a prática de artes marciais e até mesmo de situações envolvendo armas brancas ou de fogo, com o objetivo de aumentar a segurança feminina nas ruas, em um contexto em que os números de feminicídio continuam batendo recordes.
“Esse curso é aberto à comunidade, é de grande importância ainda mais nessa época que estamos vivendo. As mulheres precisam saber como se defender, hoje os índices de violência são bem altos e o conhecimento é a chave de todo o sucesso”, afirma Sabrina.
Gestor do clube, Marcos Bock lembra que a iniciativa, realizada pela primeira vez em 2025, ganhou uma nova edição devido ao amplo número de interessadas. “Estamos com 65 inscritas. No ano passado, tivemos uma provocação do secretário Rosalino de fazer algo em conjunto. Fizemos em outubro e a adesão foi muito boa, então decidimos seguir com o projeto.”
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Bock informa que as aulas contam com lições de Muay Thai, Jiu-jitsu, entre outras modalidades. O diretor da Guarda Municipal de Novo Hamburgo, Emerson Edinei Lopes, destaca o papel da ação no aumento a autonomia feminina.
“É um processo de empoderamento feminino e também de resiliência e resistência. É para que a mulher, em toda a sua vida, tenha condições de se defender. Não estamos falando apenas de violência doméstica, mas também da violência urbana, que ocorre na rua.”

Foto: Grupo Sinos
“Eu dizia que não era para mim, mas fez a diferença”
Professora da aula sobre situações de armamento, a diretora do departamento de tiro do Grêmio Atiradores, Gisele Peterson, descreve parte do que é ensinado.
“O principal é a antecipação, observar o ambiente. Se estiver em um restaurante, já localizar a porta de saída, para saber aonde correr. Se estiver na rua, olhar ao redor, cuidar todos os carros e pessoas, e se enxergar alguém estranho, entrar em uma loja e só sair quando estiver realmente segura”, explica.
“Não pode demonstrar que está se sentindo insegura, porque isso é ruim. É importante a mulher se proteger, saber que consegue se virar no ambiente, e que estamos unidas”, acrescenta.
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Dentre as situações simuladas no tatame, estão puxões de braço, ataques de frente e até tentativas de estrangulamento, incluindo casos em que o agressor tem vantagem sobre a vítima devido ao peso e tamanho.
A técnica de enfermagem Tatiane de Vargas Schneider, de 39 anos, moradora do bairro Liberdade, conta que que levou quatro meses para se convencer a participar das aulas.
“Uma amiga minha me convidou e eu dizia ‘não, isso não é para mim, não gosto de contato físico, não gosto de suor, não gosto de ficar me amassando com ninguém, não quero’. Depois de um teste, gostei e vi que faz a diferença, percebi o quão insegura a gente anda na rua e o quão insegura a gente se sente dentro de um carro, no trabalho…”